domingo, 27 de junho de 2010

(Des) Graças

Vamos brindar os nossos prazeres mesquinhos.
Talvez marquemos nossas testas com o ferro e o fogo que esquentam nossas madrugadas.
Preciso parar de queimar.
Preciso de um pouco de gelo.

Me dê um soco no estômago.
Beba, arranque minhas veias e as use como canudinhos.
Beije os pés daquela estátua até que ela te expulse daqui.
Cuspa na minha cara, se for capaz.

Rasgo os papéis, eles não valem nada.
Rasgo minha camisa, eu preciso respirar.
Debocho de mim mesmo.
Todos pedem que eu sorria, ainda que isto seja forçado.

Tudo isso é engraçado, mas não tem graça nenhuma.
O sol é hipócrita, ele sorri para todos.
Quero mais e mais escuridão.
Ela é mais sincera e mais crua.

Quero aprender a me divertir com esta dor.
Marque seu terreno, e deixe-o para os cães.
Coloque seus sentimentos num pote e guarde-os no congelador.
Só assim você será real.

Mostre-me um pouco das suas novidades.
Elas são terríveis, mas ainda assim você está feliz.
Me adianto, já sei tudo o que vai acontecer.
Talvez seja num bar, ou andando por aí.

Diga logo que o mundo vai acabar.
Alguém já escreveu isso.
Será que você só finge que não sabe?
É uma obviedade torturante.

O tempo passa como um traidor.
É nas sombras que ele destrói meus sonhos, um após o outro.
O tic-tac está desregulado.
Já vou preparando os detalhes da dolorosa cerimônia.

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