quinta-feira, 17 de junho de 2010

Cavaleiros do Zodíaco

Uma das melhores recordações que tenho da minha infância refere-se ao seriado que foi um dos maiores fenômenos em termos de público infanto-juvenil em todos os tempos: os Cavaleiros do Zodíaco. Num exercício de reavivamento da memória, tão importante principalmente nos momentos em que me encontro meio chateado, estava revendo os longa-metragens dos defensores da Deusa Athena.

Os Cavaleiros realmente eram um negócio maravilhoso. Tem muito da "velha e boa ultra-violência", a qual, em termos de produção artística, nunca escondi, me atrai. Mas o seriado ia além. Trazia lições de vida incríveis, às vezes até um pouco piegas, mas, de qualquer maneira, belíssimas. À sua maneira, o desenho de Masami Kurumada fazia questão de mostrar o quão importante é a determinação humana, a força frente às adversidades, a superação para não se desistir nunca, mesmo nos momentos de maior fraqueza e sensação de derrota, e lutar até as últimas forças por aquilo que queremos e acreditamos.

Do Bruno de 10 anos que assistia fielmente a todos os episódios para o Bruno de 24 anos que reviu os filmes, algumas opiniões permaneceram. Principalmente no que diz respeito ao protagonista, Seiya de Pégasus. Nunca gostei do excessivo destaque dado a ele na trama. Me parece mais um cabeça-dura meio mimado que apanha que nem bicho pra sempre ser o grande herói da história. Sempre achei isso injusto.

Mas me chama a atenção é que antigamente, naquelas brincadeiras de criança, meu grande ídolo, aquele que eu sempre queria ser, era o Shiryu, de Dragão. Gostava, e continuo gostando do jeito discreto dele. Sempre preferi os discretos dentro destes grupos de heróis japoneses. Mas hoje já teria, digamos, certas restrições a ele. Preferiria ser o Ikki, de Fênix. Shiryu era excessivamente certinho, disciplinado, politicamente correto. Ikki não. Ele era um outsider endurecido pela vida, não fazia nenhuma questão de estar junto ao grupo, ser simpático, e fazer as coisas certinhas. Ficava sumido no canto dele e só aparecia na hora em que o bicho pegava mesmo, com sua força e seu senso de justiça, mostrando que lealdade não significa babação de ovo. Ikki era o cavaleiro mais fodão, hoje tenho essa certeza.

Preferências e mudanças de opinião à parte, certo é que é sempre bom tirar essas horas mais terapêuticas para alimentar a alma, lembrar momentos da infância, rever revistinhas, filmes, vídeos no You Tube... Para mim, isso é fundamental. Faz eu me desligar um pouco do mundo real, e me vincular a um mundo em que o bem existe, sim, e em que o amor, a paz, a lealdade, alguns dos valores mais caros ao ser humano não foram ridicularizados, diluídos e até mesmo destruídos pela pós-modernidade e pelo relativismo exacerbado e irracional. E me motiva a queimar o meu cosmo até o sétimo sentido. Sim, eu precisarei disso.

Nenhum comentário: