sexta-feira, 30 de abril de 2010

Vovó safada

Como diria o amigo de uma amiga minha, vejo tudo e não morro. A vovó de 72 namorando o neto de 26 (http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/04/idosa-namora-neto-biologico-e-sera-mae-aos-72-anos.html). Terá um filho/bisneto. E o rapazote terá um filho/tio. Ê laiá. Não quero ser preconceituoso. Mas, já sendo: que bizarro! Ou, como diria Pitty, bizarro, bizarro, bizarro!

Sou do tempo que vovós esquentavam leitinho para os netinhos beberem. Hoje, tem vovó bebendo o leite do netinho!

Nessas horas, realmente acredito que o mundo está acabando. Menos mal que isso ainda é estranho. Ainda. Por enquanto. Tim Maia era um retrógrado quando dizia que vale tudo, menos dançar homem com homem ou mulher com mulher. Hoje vale isso e mais um pouco. Vale até o inimaginável.

Os pós-modernos se deleitam. Eis a sociedade que eles tanto queriam. Às vezes parece que só eu sou normal nesse mundo! Mas por hoje chega de papo. Estou numa seca absurda. Por isso, vou para o You Tube procurar vídeos da Hebe e da Lolita Rodrigues para me masturbar.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Tem volta

Não vou discutir aqui o quão lamentável foi a defesa colorada na noite de ontem, contra o Banfield. Não vou falar da maldita linha burra, nem do pavor causado por cada bola alçada em nossa área. Não quero falar da falta de convicção de Fossati, que troca de esquema como quem troca de cueca. E não vou insistir na insuficiência técnica de Alecsandro perante os objetivos colorados na Libertadores.

O Inter perdeu por 3 a 1, mas, por incrível que possa parecer, jogou razoavelmente bem. Eu diria que foi a melhor atuação fora de casa na competição continental. O time colorado teve brios, lutou, brigou, buscou cada bola. Não foi esse o problema.

O problema, ontem, foi a desastrosa arbitragem de Larrionda e sua trupe. Se ele errou, e errou, ao marcar impedimento do atacante argentino em uma cagada homérica de Abbondanzieri tentando driblar o adversário, não é menos verdade que deixou de marcar um pênalti escandaloso sobre Nei. No segundo tempo, ele completou o serviço: expulsou absurdamente Kléber, e validou um gol irregular do Banfield.

Banfield, aliás, que provou ser aquilo que eu já suspeitava que era: um clube de várzea. Seu estádio é uma pocilga ridícula, na qual Jorge Fossati foi covardemente atingido por um objeto voador advindo da arquibancada. Talvez eles tenham esquecido que tem volta. Aaah, se tem. E aqui no Beira-Rio, o buraco é bem mais embaixo.

O Inter vai amassar o time argentino. Vai passar por cima. Não vai deixar os hermanos sequer respirarem um segundo no jogo. O Beira-Rio vai fervilhar, os gritos da arquibancada ensurdecerão o Banfield. Os jogadores da equipe argentina, nos 90 minutos que faltam, vão se arrepender de terem nascido.

E o Gre-Nal? Reservas. Inter B. Juniores, juvenis, fraldinhas, sei lá. O jogo do fim de semana não interessa nem um pouco. Cada dirigente, cada homem da comissão técnica, cada jogador, cada torcedor tem que, já a partir de amanhã, respirar, comer, beber e transar pensando no jogo de volta contra o Banfield. Esse é o jogo do ano. O resto é resto.

As 10 narrações mais engraçadas em transmissões esportivas brasileiras

O esporte, de forma geral, reserva grandes emoções, e momentos inusitados. Neste cenário, surgem os narradores, responsáveis por transformar estas emoções em palavras e tons de voz. Vez por outra, é inevitável: as narrações ficam extremamente engraçadas, realmente inesquecíveis. Por isso, hoje o DC apresenta a lista das dez narrações mais bizarras da história do esporte nacional. Vamos ao ranking:

Décimo lugar: O Corinthians em 2008 estava na segunda divisão nacional. Mesmo assim, chegou à final da Copa do Brasil daquele ano, e havia obtido grande vantagem na primeira partida contra o Sport. No entanto, na finalíssima, a derrota parece ter frustrado profundamente a Globo, com uma narração dos gols pernambucanos por Cléber Machado digna de velório (http://www.youtube.com/watch?v=WQsA9JxQLyQ&feature=related).

Nono lugar: Pedro Ernesto Denardin, incrédulo, narra um frangaço de Tavarelli contra o Paraná, que virtualmente rebaixava o Grêmio para a segunda divisão nacional em 2004 (http://www.youtube.com/watch?v=_Tmu07ve1Gw).

Oitavo lugar: Paulo Brito é um ícone das narrações toscas, fala muitas besteiras e proporciona momentos inesquecíveis como o nosso oitavo lugar (http://www.youtube.com/watch?v=_xoYGJFtwW8).

Sétimo lugar: Zezinho correu, apontou, atirou... Puta que pariu, pra fora! Um clássico do Youtube (http://www.youtube.com/watch?v=GwMKMOeqYSI).

Sexto lugar: O narrador Daniel Oliveira, da Rádio Band RS não conseguiu segurar a onda, mas, convenhamos, não teve culpa. Mesmo assim leva o sexto lugar das narrações engraçadas (http://www.youtube.com/watch?v=TSpjRfqmZDg).

Quinto lugar: Final de Copa. Roberto Carlos vai fazer firula na bandeira de escanteio e... olha o que aconteceu, olha o que aconteceu (http://www.youtube.com/watch?v=vSYrN8CJTt4&feature=related).

Quarto lugar: Botafogo e River. Copa Sul-Americana. Monumental de Nuñez. O Fogão vence com autoridade até os minutos finais e... ô-ou... A narração de Luiz Carlos Júnior diz tudo (http://www.youtube.com/watch?v=Q6yLcjg3hjU&feature=related).

Terceiro lugar: Galvão Bueno em seu momento Vanusa, cantando o hino nacional em 1986 (http://www.youtube.com/watch?v=-2b3LFTnX4U&feature=related).

Segundo lugar: Hoje não! Hoje não! Hoje sim! Hoje sim?! Cléber Machado e a constrangedora entregada de Rubinho para Schumacher (http://www.youtube.com/watch?v=gdzu-fqrWxQ).

Primeiro lugar: O gol de Andrezinho contra o Flamengo na Copa do Brasil de 2009 fez toda a nação colorada delirar. E Rogério Amaral, narrador da Tv Inter, foi à loucura. Literalmente (http://www.youtube.com/watch?v=2mIxoy-txQ8&feature=related).

terça-feira, 27 de abril de 2010

Brincadeiras

Você, e todas as minhas dúvidas.
Algo mais às vezes é necessário.
Tudo o que não foi e deveria ter sido aflora nesse momento.
Estamos aqui e sós, pertencendo um ao outro, mas ainda desconhecidos.

Somos os estranhos corretos, a realidade abstrata.
As mãos se procuram, os lábios se estudam.
Mas nunca se acham, como se fosse este o combustível de nossas vidas.
Graça que não faz rir, incerteza científica.

Morremos um pelo outro, mas nem um, nem outro, nem ninguém sabe disso.
Esconde-esconde, pega-pega que não pega.
Sorrimos juntos, choramos sozinhos em nossos quartos.
E as coisas continuam intocadas.

Somos nosso segredo.
Segredo tão secreto que até nós mesmos desconhecemos.
O que será, o que foi, o que é?
São só perguntas, talvez destinadas para todo o sempre a serem só isso: perguntas.

Nos damos o direito recíproco de pensarmos tudo, sem pudores ou policiamentos morais.
Mas estamos aqui, eu, você, nossas vontades e nada mais.
Atos, enganos e palavras se confundem.
Irei embora mais uma vez, neste misto de posso mais e devo menos.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A era Bieber

Algumas coisas que observo realmente me remetem ao fim dos tempos. Ou pelo menos, ao fim da história. Uma delas é Justin Bieber. Vivemos a era Bieber. Tivemos em outros momentos a era Ramones, a era Nirvana, a era The Doors. Eram outros tempos. Tempos em que as obras possuíam algo de genuíno, em que a preocupação primária era fazer o que se gosta, com qualidade, com sinceridade, para depois ver se isso seria sucesso ou não.
Se antes tínhamos um caminho da arte para o sucesso, hoje o roteiro é completamente outro. O sucesso, ao invés de consequência, tornou-se premissa. Não há mais verdade naquilo que se produz no mundo artístico, principalmente no mundo musical. Hoje, não interessa mais o prazer naquilo que se faz, não importa mais expor nada de profundo: parte-se da superficialidade alheia para produzir algo mais superficial ainda, ganhar alguns milhões de fanzocas histéricas que trocam pôsteres na parede como trocam de calcinha, e consequentemente ganhar dinheiro, muito dinheiro. Há um ou outro maluco que ainda tenta fazer algo diferente. Mas estes são, digamos, "ampla minoria".
Trocou-se o prazer orgásmico do incômodo que corta na carne pela histeria insossa e volátil de um público que engole tudo que lhe é oferecido, sem cheirar, sem observar, sem criticar. Hoje é o tal Bieber. Ontem foi o Timberlake. Amanhã pode ser qualquer outro. Qualquer outro mesmo, que tenha cara de menininha e faça qualquer lixo com voz de quem tá com a cueca estrangulando as bolas.
O mundo pop (pop de popular, no qual se inclui toda a produção musical de orientação comercial, e não do gênero musical específico) hoje é de uma mediocridade absolutamente melancólica para qualquer um que tenha uma postura minimamente crítica sobre o que é arte bem produzida e o que é produto enlatado disfarçado, e muito mal, de arte. Pode ser um sintoma de inércia, mas hoje, definitivamente, minha rádio é meu Media Player: ele virou minha caverna musical, onde me escondo enquanto tudo lá fora explode e acaba.

domingo, 25 de abril de 2010

Yoani, a direita e os 500 ml de silicone

Cubanos e cubanas. Milhões. Isolados? Não sei. Mas por que um deles, no caso uma, se torna a heroína do mundo capitalista? Não seria este, de fato, o verdadeiro isolamento? E o restante, que legitima o regime? Não conta? Seria a tal Yoani Sánchez uma iluminada, à frente do seu tempo e do seu povo? Não sei. Ao ler esta entrevista dela, tenho quase certeza de que não (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=128182&id_secao=7).

Não é um entrevista "chapa branca". Talvez a postura séria, crítica, contestadora, e por vezes irônica, do jornalista francês Salim Lamranium, tenha supreendido, negativamente, a "Mulher Maravilha". Vale muito a pena ler a entrevista dela e se tirar as próprias conclusões. Incerta, sem base argumentativa sólida e também sem subsídios históricos consistentes, Yoani se enforca sozinha em suas falas. Diz e desdiz, defende mal e ataca com balas de espoleta, se contradiz, e apresenta uma série de incoerências brilhantemente exploradas pelo entrevistador.

O que são, afinal, estes ícones do capitalismo, da direita, em nível nacional, continental e mundial? A libertadora cubana que não reconhece o peso das conquistas sociais de seu país é isso mesmo, um bastião contra o "autoritarismo" da ilha? Serra, que tem o carisma de uma cebola, o libertador do populismo lulista, que sequer se aproxima de algo que possamos chamar de comunismo, é isso mesmo, um avanço? Ou serão os bravos norte-americanos, impondo ditatorialmente sua democracia no Oriente Médio?

Os heróis da direita possuem a naturalidade de uma teta com 500 ml de silicone. São artifícios midiáticos escancarados, muito bem produzidos principalmente por meios de comunicação extremamente "interessados".

Podem obter resultados, no sentido pragmático das coisas. Mas, e daí? Continuarão sendo tetas siliconadas. Puro engana-bobo.

sábado, 24 de abril de 2010

A foice e o martelo

O homem e seu copo de vinho na mão. Vinho tinto. Suave. Afinal, vinho seco é coisa de falso apreciador. Só serve para dar um ar de sofisticação. Por isso, o vinho na mão daquele homem é tinto. Nunca ligou muito para aparêncuias. Está sozinho em sua escrivaninha. Folheia as páginas de um livro que não lê. E não quer ler. Só quer folheá-lo mesmo. Fazer o tempo passar.

Era um homem relativamente, digamos, experiente. Estava na faixa dos sessenta. Na janela, as luzes urbanas. Nos ouvidos, ambulâncias ou viaturas. A doença e o crime estão banalizados. Naturalizados, fazem parte do contexto. Outrora, ele foi deveras ativo. Hoje não é mais. Marx está morto.

A empregada, única e paga companhia, chama-o à mesa. Era grande aquela mesa. Tinha lugar para uma grande família. Mas, sozinho, aquele homem fazia sua refeição. Com todas as guloseimas que se pode imaginar, com uma variedade incrível de pratos. Era um rico sozinho. Acostumado à solidão. Mesmo quando entre muitos e supostamente iguais.

Sua juventude foi tomada pela luta pelos outros. Inócua e talvez obtusa luta. Foi se dar por conta de cuidar de si mesmo talvez tarde demais. Suficientemente tarde para que já não tivesse o vigor de outrora. Companheiros, não mais. Agora, somente interesses, e ele tinha exata noção disso. Sua constatação é de que perdeu tempo. E como pensaria diferente? A foice e o martelo estavam agora largados, esquecidos num canto qualquer do porão daquela imensa casa. Lucidez tardia. Tanto mais e tanto melhor aproveitada poderia ter sido a sua vida. Fez a coisa certa no tempo errado. Teria, Fukuyama, um fundo de razão nisso tudo?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Limites e libertações

A chuva tem sua própria expressão.
Ela é a carranca e o fascínio.
A janela é o sonho de escapar às limitações.
Tudo pode ser melhor e mais risonho.
Talvez um bolinho de chuva.
Ou um filme qualquer.
Preciso parar, mas tenho de continuar.
Quando paro, o faço com remorso.
Quando se faz uma auto-regulação exacerbada, fica-se como eu estou.
Sou conflito entre meu corpo e minhas normas.
Sou confronto de vontades e obrigações.
A confusão adora reaparecer e brincar um pouco.
Invento minhas desculpas para ser feliz.
Essa é toda a necessidade.
Essa é toda a razão.
Não amasso minhas angústias, nem as jogo no lixo.
Mas as dobro, e as guardo no bolso.
E que sejam esquecidas um pouco.
Assim, as coisas talvez tenham mais graça.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Um Inter que dá esperança

Foi um jogo de gala. Tinha tudo para ser complicado, contra um time que até então era líder da chave. A promessa era de catimba e drama. Mas, na prática, o que se viu em campo foi um Inter consistente. Um Inter que dá esperança.

O colorado amassou o Deportivo Quito. Fez um gol, ou melhor, um golaço, logo aos três minutos, num chute maravilhoso de Andrezinho, que tem que ser, definitivamente, titular desse time. O domínio foi total e absoluto. A defesa não teve trabalho, e o ataque não estava lá no auge da inspiração. O diferencial foi o meio de campo. Marcador e criativo. Habilidoso, muito, com D'ale e Andrezinho jogando o fino da bola. E contando com o precioso apoio dos dois laterais, que jogaram com espantosa naturalidade. No segundo tempo, com certa naturalidade, mais dois belos gols, de Bolívar e de Giuliano, que entrou no finzinho.

O momento é ótimo. Conseguimos a classificação, com mais dificuldades do que seria de se esperar, é bem verdade. Mas conseguimos. Uma aura extremamente positiva toma conta do ambiente. Mas o Inter tem que saber por que perde, e também por que ganha. Há coisas fundamentais a se corrigir para que o colorado se candidate de vez ao título da Libertadores.

Acertos tem que ser feitos na defesa. Bolívar vem bem, mas nem Sorondo, nem Eller, ainda inspiram "aquela" confiança, pelo menos não na fase que atualmente atravessam. De Índio, nem falo. Fato é que tem que se dar continuidade à dupla de zaga, seja qual seja, porque tecnicamente os jogadores são bons. E no ataque, o Inter precisa contratar alguém. Nada contra os atuais atacantes. Mas ainda falta o plus, o diferencial, o jogador de ataque que, do nada, resolva resolver. Não é Alecsandro. AINDA não é Valter.

Nas oitavas da Copa, pegaremos o Banfield. Time argentino é sempre encardido. Mas temos que confiar. Agora é mata-mata, e qualquer descuido é fatal. O momento é de entrega. Dos jogadores e da torcida. Passo a passo, jogo a jogo, podemos chegar lá. A hora é de definitivamente mancomunar torcida e time. A química já está rolando, desde o segundo tempo com o Pelotas. O momento é totalmente outro em relação ao cambaleante Inter que vinha preocupando muito nos últimos tempo. Falta estabilizar o time. Para isso, o apoio das arquibancadas é essencial. Apoio, apoio, apoio, é hora de apoio. Em nome do nosso sonho. Em nome do bi da América.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Ex-fumantes e o vício

Todo o ex-fumante se torna um fundamentalista. Meu pai, por exemplo, não gosta que fumem perto dele. Se recusa a comprar cigarros. Para os outros! Compreendo que a carne é fraca. No caso, o pulmão. Mas os ex-fumantes são exagerados. E são um paradoxo ambulante.

Eles bradam com o tom mais moralista do mundo: "Fumar é um absurdo!", "Fumar é uma burrice!". Mas não podem nem se ver perto de um cigarrete que se derretem todos. Ou tem outra explicação para essa verdadeira fobia?

É lógico que os motivos são fáceis de entender. O ex-fumante se vê torturado com o fumo alheio. O vício é uma desgraça. Só não me venham dizer depois coisas como: "Graças a Deus me livrei desse vício maldito." Estivesse realmente livre do vício, o vivente não ia se pelar tanto de medo do cigarro. Ainda é viciado, sim! E terá que conviver com isso até que não se incomode mais com o cigarro alheio.

O discurso poderia, então, ser um pouco menos artificial. Seria bonito ver um ex-fumante dizendo: "Por favor, não fume na minha frente. Não fumo mais, mas fico louquinho pra dar umas tragadas. Não me livrei desse vício maldito, e ainda gosto pra caramba dessa porcaria." Soaria muito mais honesto. E muito menos pseudo-moralista. Porque essa moral, nem cueca usa mais.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Globo em campanha

Já falei aqui uma série de vezes sobre meu profundo incômodo com a postura completamente enviezada da Rede Globo. Mas essa do comercial subliminar foi demais (http://www.youtube.com/watch?v=480wJacHJm4&feature=player_embedded).
Compreendamos: o lema da campanha do tucano José Serra para a presidência deste Brasil varonil é "O Brasil pode mais". Beleza. E aí, o que vemos na campanha institucional do aniversário de 45 anos do plim-plim? "Todos queremos mais". "Brasil muito mais". "Queremos mais saúde e mais educação". Maravilha. Aí o dito comercial culmina com um 45 bem grandão. 45 do aniversário da Globo? Sim. Mas bem poderia ser o 45 da legenda do PSDB, do Mr. Burns.
A campanha já foi retirada do ar. Há versões que dizem que o que fez a emissora da família Marinho recuar foi pressão externa. Outras remetem a uma indignação de alguns dos artistas que ficaram indignados com o contexto manipulatório em que suas falas foram utilizadas.
Estamos realmente muito além do Cidadão Kane (http://www.youtube.com/watch?v=JA9bPyd1RKQ&feature=related; http://www.youtube.com/watch?v=m0m1rmi-Ooc&feature=related; http://www.youtube.com/watch?v=mERhb-SDnMo&feature=related; http://www.youtube.com/watch?v=pAfAkTFs7wI&feature=related). A Globo está, sim, em ferrenha campanha para retomar a agenda neoliberal por estas plagas. Fiquemos, pois, atentos.
Para mais detalhes, sugiro a leitura dos textos de Marco Aurélio Weissheimer na Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16540) e de Marco Aurélio Mello no Vi o Mundo (http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/marco-aurelio-mello-o-ator-que-protestou-e-que-nao-esta-sozinho.html).

domingo, 18 de abril de 2010

Para a cama, crianças!

A vitória do Inter sobre o Pelotas foi especial. Primeiro, pela forte carga emocional de uma virada pra ficar marcada na nossa memória. Segundo, porque serviu para colocar as crianças na cama. Do Grêmio, o time amarelo do sul do estado pode ganhar. Mas com o Inter, o buraco é bem mais embaixo. E dois Gre-Nais decidirão o título gaúcho de 2010.

Num jogo em que foi superior ao adversário o tempo todo, o colorado saiu perdendo de 2 a 0 na primeira etapa, deixando todos no estádio estupefatos. Mas ainda no primeiro tempo, Bolívar descontou com um belo gol. Ainda assim, o Pelotas voltou pro segundo tempo bem assanhadinho, não em termos de bola, mas de atitude: jogadores caíam, goleiro "sentia" lesões, demorava para bater tiros de meta... Eles estavam dispostos a tumultuar e dificultar a vida do Clube do Povo! Mas o Inter pressionou, e empatou com Edu, aos 29, e virou com D'alessandro, aos 36. O gringo, aliás, entrou muito bem na partida, ele que vinha tendo atuações pífias nos últimos jogos.

Aí, amigos, a pressa trocou de lado. Aí, os jogadores do Pelotas pararam de cair a cada assopro no cangote como se estivessem com uma fratura na perna, o goleirão parou de "sentir" lesões, e até passou a bater os tiros de meta com rapidez! Entretanto, a essas alturas do jogo, a coruja já estava mais peladinha que a Cacau na Playboy desse mês. Tudo estava no seu devido lugar, e a aberração não aconteceu. Inter finalista do Gauchão. E o valente Pelotas segue sua vidinha, com a certeza de que fez o máximo que podia e de que perdeu para um time zilhões de vezes melhor que ele.

Ainda assim, uma coisa me intrigou, e tenho que compartilhar com você, amicíssimo leitor: ouvi gritinhos histéricos quando dos gols pelotenses, aqui, na capital gaúcha! Sinceramente, não sabia dessa pujança da torcida do Lobão aqui em Porto Alegre, juro que não. Opa, só um momento, acabo de receber a informação de que a manifestação não era de torcedores do Pelotas, mas sim do MST, Movimento dos Sem Time. Então, tá explicado. Desculpem a minha falha.

Sem sentido

Olho ao redor. Tudo gira. Serão estrelas ou mosquitos? Sou um morto-vivo. Não há força, só preguiça. E a náusea. E a glória do vazio absoluto.

Levanto, como num passo de dança desengonçado. Passo obrigatório. A manhã está aí, batendo nos meus olhos. Talvez uma torrada, ou mesmo um pão com margarina. Algo que faça desse outro dia um novo dia, e me revitalize.

Água no rosto. Rosto no espelho. Olheiras e as mesmas marcas de sempre. Pasta de dente, olhos que teimam em fechar. Mas não deixo. Eles olham mas não enxergam. Eles imploram, e eu, tirano, não deixo.

Procuro por aquelas notas. Outrora grandes, agora são trocado. Me acorde! Entrego-me ao chão. Novamente. O corpo não responde. Os olhos são mais fortes. E mais fracos. Quero a cama. Quero o travesseiro. Quero meu conforto.

Talvez seja melhor do jeito que está. Não há mais por que se preocupar. Tudo está assim, fatalisticamente determinado, e nada disso pretende mudar. Eu sei que nada disso faz sentido. Ainda tem jogo do Inter hoje. Onde é que estávamos mesmo?

sábado, 17 de abril de 2010

Não quero voltar para lá.
Lá onde até a alegria é angustiante.
Não quero voltar para lá.
Lá onde os corvos me cercam e me observam.

Não quero voltar para lá.
Lá onde tudo é escuro, e meus pensamentos e sentimentos são tão obscuros.
Não quero voltar para lá.
Lá onde tenho que me cuidar e me policiar a cada segundo.

Não quero voltar para lá.
Lá onde tenho que sorrir fingindo que está tudo uma maravilha.
Não quero voltar para lá.
Lá onde sou forçado a rir por fora enquanto choro por dentro.

Não quero voltar para lá.
Lá onde tudo é objeto e número.
Não quero voltar para lá.
Lá onde tenho que deixar o coração na portaria, ou levá-lo escondido num bolso.

Não quero voltar para lá.
Lá onde quero que todos morram.
Não quero voltar para lá.
Lá onde se encontram minha casa e meus escombros.

Não quero voltar para lá.
Lá onde tudo é degradante.
Não quero voltar para lá.
Lá onde tudo apodrece.

Não quero voltar para lá.
Mas quero voltar para lá mais do que tudo.
Desde que lá não seja mais lá.
Desde que lá estejamos apenas eu e você.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O trono

Eram 5 da manhã. Fui praticamente obrigado, contra a minha vontade, a curvar-me perante o trono. Monarquia e autoritarismo. Num estado de humilhação, lacrimejava, sentia-me em cacarecos. O poder daquele trono é incrível. Muitos a ele tem de se curvar todos os dias. Nem sempre os mesmos, pelo menos essa piedade o poder monárquico neste regime possui. Mas sempre alguém, de algum canto deste reinado. E os que a ele não se curvam quando ele assim o manda, estão fadados à condenação das ruas, ao chão, ao trabalho mais degradante e desagradável.

Todavia, o mundo dá voltas. Em uma brusca ascensão, lá pelas nove horas, estava eu sentado no trono! Sim, eu tinha o poder e a força! Entretanto, aí mesmo é que vi que não tenho vocação para aquele trono. Fiz merda. Muita merda. Merda que não serve nem para adubo. Merda, merda, merda. Implorava por ser deposto. Mas as merdas que eu fazia só faziam prorrogar minha estada sobre aquele trono. Menos poderoso do que subjugado, a mim só restava a certeza de que o trono tem vida própria, atrai quem ele quer e do jeito que bem entende.

Depois de algum tempo, saí do trono. É muita pressão para apenas uma alma. Não quero reinado algum. Volto à minha servidão. Quero distância do trono e dos seus problemas. E toda a porcaria que fiz, a água já tratou de levar. É para o bem de todos, tenham certeza.

O poder de lá ainda é instável e volúvel. Chego a ouvir rumores pedindo minha volta ao trono. É um ruído assaz incômodo. Mas me recuso a isso. Quero vida nova, só isso. Talvez uma garrafinha de Pepto Zil ou um copo de Coca-Cola me ajudem um pouco.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Romantismo

Algumas vezes na vida nos vemos com tudo pronto para abandonar a tolice, e isso surge como uma necessidade, uma urgência. Se é verdade que as coisas ficam bem mais bonitas com uma dose de romantismo em tudo o que fazemos, não é menos verdade que o pragmatismo é muito mais efetivo.

Remover montanhas, mudar o mundo parece algo maravilhoso. Mas é bem mais racional e interessante mudar o meu mundo. No fim das contas, como diria o Barão de Itararé, o que se leva dessa vida é a vida que a gente leva.

As grandes causas estão perdidas. Conformemo-nos. Podemos tentar, podemos lutar, podemos chorar, sofrer e acreditar. Tudo isso vai dar em nada. Simples como abrir uma embalagenzinha de bala 7 Belo.

Estamos fadados ao fracasso. O mundo nunca será como acreditamos e projetamos. Nossos sonhos nunca deixarão de ser isso, e só isso: sonhos. A vida é ingrata. Aos utópicos, apenas o esquecimento de um epitáfio tomado pela ferrugem.

Entregar-se ao romantismo do ser, às crenças no amor, na paixão, na intensidade, apostar no sangue que corre nas veias contra tudo e contra todos é jogar-se aos tubarões. É certa a derrota.

Assumisse essa perspectiva, essa visão de winners and losers, provavelmente nada do que faço teria verdadeiro sentido. Mas não consigo ser assim. Não tenho a pretensão de ser um vencedor, pelo menos não dentro destes parâmetros. Rendo-me à derrota. É melhor perder de cabeça erguida a vencer de joelhos. Uma lágrima do fundo da alma vale mais do que o sorriso forçado em uma face sem vida.

Por isso, sigo, talvez mais romântico e tolo do que nunca. Acreditando que em algum momento tudo resolva se acertar de maneira sublime e divina. Esperando o dia em que tudo vá ter um significado, e valido a pena. Amando, odiando, sorrindo, chorando, tropeçando e levantando sempre, sempre. Estamos, ainda, apenas no prelúdio.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Porcaria de resultado

O empate desta noite entre Inter e Emelec foi lamentável. Podem vir os senhores Carvalho, Píffero e Fossati com a a balela de que não foi tão ruim, e não duvido que venham. Mas foi ruim, sim. Uma porcaria. O Emelec, que, com todo o respeito, é um timezinho, não tinha feito nenhum pontinho. Eliminado, contra o Inter, fez o primeiro. Um resultado desses não pode ser nem sombra de bom. E se alguém disser o contrário, está subestimando a inteligência do torcedor.

Não há justificativa para o primeiro tempo ridículo que o colorado fez em Guayaquil. O time jogava com a motivação de um jogo treino contra o time do Sindicato dos Atletas Profissionais no suplementar do Beira-Rio. Foi um time sem alma, passivo, insosso, fatalista. E chegou a tomar sufoco dos equatorianos!

No segundo tempo, aí sim, o Inter foi um time de Libertadores. Partiu pra cima, buscou o resultado, pressionou o Emelec. Mas não conseguiu o gol. Injusto? Creio que não. Um time que joga 45 minutos de um jogo de Libertadores da América com a preguiça e a falta de sangue nas veias que o colorado mostrou no primeiro tempo de hoje, como diria o meu pai, tem que levar choque.

Agora, ficou tudo para o Beira-Rio. É contra o Deportivo Quito, e o Inter tem que ganhar. E a torcida, mais uma vez ela, a torcida, terá que carregar o time nas costas. O Gigante vai ter que rugir. E se o time pensar em dormir do jeito que vimos hoje, vai ter que rugir mais alto ainda. Não é pelo Fossati, não é pelo Píffero, não é pelo Carvalho, nem pelo D'alessandro. É por nós. Talvez umas peças que estão aí não mereçam a Libertadores, talvez não mereçam sequer estar onde estão. Mas nós, a torcida, ah, não tenho dúvida: nós merecemos. Apesar deles.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Sobre a incerteza

A angústia me invade. Estou tomado, possuído, também perdido e vulnerável. E não há porquê. Pelo menos não deveria haver.

Sinto medo de perder o que não tenho, sinto todo o pavor de uma exposição na qual estou sozinho, me esquivando de mim mesmo. Tenho a noção de que os fantasmas que me perseguem a cada canto que eu vá são tão somente isso, fantasmas. Entretanto, eles persistem. Me incomodam. Absorvem toda a minha energia.

Todos os sentidos e sentimentos tornam-se pálidos. Talvez sejam os olhos saturados que me observam à distância, porém frontalmente. Talvez seja eu mesmo, com minhas fraquezas e instabilidades. Talvez sejam as duas coisas ao mesmo tempo.

O ar me falta, tremo mais do que o meu normal. Corro parado e não consigo fugir. Não tenho mais ideia nem do que de mais certo há na minha vida. Sequer sei como o dia de hoje vai acabar, e se vai acabar. São poucas as horas que mais parecem uma eternidade.

O gato está morto na calçada com os olhos esbugalhados, fora da órbita ocular. As pessoas transitam pra lá e pra cá, e permaneço em minha melancólica letargia. Não há sol que me ilumine nem céu que me motive. Precisaria de uns quatro pulmões para conseguir respirar satisfatoriamente. Mas não consigo.

Sobram-me ansiedade e ânsia de vômito. Nem decepção, nem orgulho. Somente incerteza. Um vazio me enche e me tortura. Preciso dar um soco em minha própria cara, preciso despertar antes que seja tarde demais. Fico apreensivo e perdendo meu tempo com nada, sem conseguir controlar minha alma e meus pensamentos.

Faço tudo que preciso mas não preciso de quase nada do que tenho. Estou enterrado em mim mesmo e clamando por liberdade. Grito silenciosamente. E tudo continua passando, com a orientação do tempo, esse calhorda cruel e permanentemente certeiro.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Serra e a apologia ao medo

Sinto vontade de rir quando leio certas coisas. Por exemplo, quando leio que José Serra diz que a apologia ao medo é um horror, como acabo de ler no blog do Fernando Rodrigues, do Uol.

O tucano prossegue chamando de terrorismo a tentativa de causar medo ao se dizer que se um candidato ganhar vai ser o fim do mundo. O discurso de Serra seria bonito, quase comovente, se não fosse de um cinismo absurdo.

José Mr. Burns Serra critica práticas que ele utilizou descarada e grosseiramente nas eleições de 2002. Ou alguém esqueceu do patético apelo de Regina Duarte no horário eleitoral gratuito, dizendo que estava com medo?

Serra teria, então, mudado sua opinião a respeito de discursos e estratégias eleitorais? Ou estaria tão somente sendo um oportunista, que se faz de vítima ao seu bel-prazer em nome do poder? Acredito mais na segunda opção. Mas cada um que tire suas próprias conclusões.

domingo, 11 de abril de 2010

Carne

A carne, a respiração.
Palavras ofegantes, revolta, paixão.
A carne, o desejo intenso.
Máscara, riso, vontade de matar e de morrer.

A carne, os olhos.
Imagem e alucinação.
A carne, a praga persistente.
Mãos, pele, pescoço, boca, o cheiro que agora persegue no casaco.

A carne, as promessas, mentiras verdadeiras, verdades mentirosas, e também verdades verdadeiras.
Sonho, pesadelo, pavor, nojo, prazer, satisfação animalesca.
A carne, o luxo e a luxúria.
O aperto, o pedido, o medo do esquecimento.

A carne, o sangue pulsando e tirando o ar.
O pedido de socorro, as projeções tolas e inevitáveis.
A carne, a navalha, a dor.
Rasga o tecido de tua roupa, rasga minha alma, rasga meu coração.

A carne, o incômodo permanente.
Um ímã, um conflito interno, as aparências, o certo, o errado.
A carne, prisão perpétua.
Pensamentos corrosivos, espírito consumido.

A carne, as palavras e números.
A carne, a força, os escravos da malícia.
A carne, a aliança sem dedos.
A carne, eu, tu, eles, malditos eles.

sábado, 10 de abril de 2010

Ufa!

Ainda bem que não passou de devaneio fora de propósito a ideia de colocar Robert Pattinson no papel de Kurt Cobain em filme biográfico do eterno vocalista do Nirvana.

Por definição, seria absurdo colocar o arremedo de vampiro no papel de Kurt. Cobain representava uma espécie de oposto simétrico de Pattinson. O dublê de ator representa uma juventude imbecilizada, completamente alheia ao mundo em que vive. Kurt, por outro lado, por trás daquela imagem de maluco que quer que tudo se foda, escondia uma sensibilidade e uma percepção incomum do mundo que o rodeava.

Kurt Cobain tinha aversão aos holofotes e à idolatria muitas vezes descabida da qual ele mesmo era alvo. Era um cara deslocado de seu tempo e de suas circunstâncias. E via em tudo o que vivia tão somente uma kafkiana falta de sentido. Percebia um mundo hipócrita recheado de gente que apenas se aproximava dele por interesses comerciais.

Em alguns momentos, Kurt nos brindou com cenas épicas, como a esdrúxula e delirante apresentação no Hollywood Festival, aqui mesmo no Brasil. Ao saber que o show era patrocinado pela Rede Globo e por uma marca de cigarro, o vocalista não hesitou: tratou de fazer o pior show de sua vida, completamente chapado, tocando errado, cuspindo e se masturbando para as câmeras (http://www.youtube.com/watch?v=6_5Q_YOKndg).

Agora, imaginem o fenômeno avesso que um Robert Pattinson provocaria ao encarnar Kurt Cobain: suas fanzocas histéricas de quatorze anos iam sair por aí de camisas do Nirvana sem ter a menor noção do que realmente representava a banda. Não que os fãs atuais de Nirvana sejam o ápice da consciência do que era a banda e da mensagem que ela trazia consigo. Mas são um público relativamente mais fiel do que o padrão. É um público que, se não compreende a coisa, pelo menos a entende, ainda que de forma caricata e primária. E um vampirinho de meia pataca poderia liquidar com tudo isso, criar um neo-nirvanismo muito distante da verdadeira dor e angústia que inquietavam Kurt: esse neo-nirvanismo seria, digamos, emo, do tipo mais vazio e ridículo possível.

Mas tudo isso não passou de uma piada de mau gosto. Ufa! Kurt parou de se revirar no seu túmulo.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Pulseiras do sexo

Eis a asquerosa modinha da "pulseira do sexo". Para quem não sabe, são essas pulseirinhas de silicone que meninas andam usando: as diferentes cores significam "carícias" predeterminadas que devem ser destinadas ao cara que arrancá-la.

Há indícios de abuso e morte de garotas pelo Brasil, graças ao uso de tais pulseiras. Alguns municípios começaram já a se mobilizar para proibir a sua comercialização (http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1563955-5605,00-VEREADOR+PROPOE+PROIBICAO+DA+VENDA+DAS+PULSEIRAS+DO+SEXO+EM+SP.html).

Não quero entrar no mérito de se se deve ou não ser proibido. O que me choca é o nível de banalização absurdo a que a sexualidade tem chegado, principalmente entre os adolescentes.

Entramos numa profunda confusão entre liberalidade e promiscuidade. O sexo virou algo selvagem, grotesco, grosseiro, necessidade fisiológica elevada à enésima potência.

É bom. Mas, pelo menos para mim, viraria uma grande chatice se transar adquirisse o mesmo status de cagar ou mijar. Sei bem que isso me torna um ser anacrônico. Pero, fufe-se. Não conseguirei, e nem mesmo tentarei, mudar.

Estamos, de fato, voltando a um estado de barbárie. O sexo, um prazer que outrora aproximava-se de um profano sublime, rebaixou-se a um patamar de nem prazer, mas de necessidade primária.

A vida, assim, fica cada vez mais fadada a se tornar um saco cheio de números dos quais se depreende muitíssimo pouco. Sem valores, sem verdadeiras satisfações, com essa mecanização de tudo, onde chegaremos? Esse poço parece não ter fundo...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Abbondanzieri faz a diferença

O goleirão Pato Abbondanzieri não jogou bem ontem no Estádio do Vale contra o Novo Hamburgo. Isso é fato. Comprometeu ao ensejar a falta que deu o primeiro gol ao Noia, e estava visivelmente inseguro, tenso.

A certa altura da partida, a torcida do time do Vale dos Sinos debochava do goleiro argentino, e os jogadores, naquele embalo, chutavam presunçosamente quase do meio de campo, como se no gol estivesse um goleirinho de quinta.

Mas Abbondanzieri, mesmo jogando mal, é Abbondanzieri. É um goleiro mundialista. Titular da Seleção Argentina. Maior arqueiro da história do Boca. Debaixo das traves coloradas, há uma lenda. E os pênaltis estavam por vir...

Chegados os tiros livres da marca penal, a lenda foi lá. As rodadas passavam, e ele não pegava. Errava cantos. Isso não passava de um blefe, mesmo que involuntário. No último pênalti, na hora de separar os homens dos meninos, na hora de separar quem pega O Pênalti de quem quase pega todos os pênaltis, a mística de Abbondanzieri pesou. Pato jogou-se para a bola como um leão indomável, e defendeu magnificamente, como quem dissesse para a agora silenciosa torcida mandante: "nunca mais tenham a insolência e a petulância de me vaiarem. Nunca mais!". Tudo resolvido. Inter classificado. Bye, bye, Noia.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Bobice

Está tudo chato, cinza, ranzinza.
Como uma chuva de flores, você chega para dar cor a tudo.
Me olhe um pouco mais, exista um pouco mais.
Isso me torna mais feliz.

Pareço um mané, um bobo completo.
É isso o que você mais gosta de fazer.
E é bom demais!
Então você sorri, me sacando e fingindo que não percebe nada.

Sua graça me faz engraçado.
Não há como evitar.
Você me deixa desconcertado. E desconcentrado!
Te olho o tempo todo. E quando não te olho, te penso.

É o mais real dos amores platônicos.
A dúvida mais certa de tudo que existe.
Imagino o que vai acontecer.
Temo.

Mente fértil, roteiros tragicômicos perfeitamente construídos.
Proibição, travamento.
O medo da inconveniência tira o arrojo.
Mas continuo a sentir.

Espero chegar a hora certa para fazer a coisa certa do jeito certo.
Espero que não demore.
Que não passe por mim em direção a outro caminho.
Ou já estás de malas prontas para longe do meu peito?

terça-feira, 6 de abril de 2010

Cansaço

Preciso de paz. Preciso poder respirar. Preciso ter o direito de suspirar. Não há fuga, eu sei que não há. Mas não me forcem a nada. Tornem meu caminho mais ameno.

As pálpebras caem. Elas imploram por genuíno e despreocupado descanso. Meu corpo e meu cérebro não mentem. Eles precisam de seu próprio tempo.

Preciso voltar a ver a graça do sol. Preciso contemplar as lindas coisas simples da vida. Não nasci para as empreitadas grandiosas. Não pretendo ser exemplo ou referência de nada. Só quero viver, seguir com tranquilidade na alma.

Morremos todos os dias para sobreviver. Sobrevivemos todos os dias para continuar morrendo. Sou uma distorção, uma sombra de mim mesmo. Vou me esvaindo, sou quase um zumbi.

Não consigo me resgatar. Já não tenho mais minha essência. Ou talvez ainda tenha. Um pouco. Pois ainda sofro. E se me sinto desconfortável com isso, é porque algo, ínfimo que seja, persiste.

Daqui ao precipício são dois passos ou menos. Mas não consigo parar. Sou levado pela inércia. Talvez eu me jogue de vez. São parcas as minhas forças, e preciso puxar algo, sei lá o que, de dentro de mim mesmo.

Sinto-me como se estivesse em coma. Minha consciência cansou-se de se fazer presente. Tudo parece prestes a acabar. Um revólver, um veneno, um travesseiro. Suicídio ou eutanásia. Algo que me liberte.

O choro e o riso confabularam. Decidiram me abandonar. Meu espírito está ressequido, fraco, raquítico. Meu espírito rasteja sem vida e sem morte. Meu peito está abafado. Ele precisa de algum basta. Não consigo me encontrar. Tento, tento, tento. E não consigo. Não sei mais por que faço nada. Apenas faço tudo. E isso cansa.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Tempo

Tempo cruel.
Tempo que anda, tempo que corre, tempo que voa.
Tempo impiedoso.
Tempo que persegue, tempo perseguido e nunca alcançado.

Tempo indiferente.
Tempo sem fé, sem esperança.
Tempo irracional, sem lágrimas, sem cansaço.

Tempo que não dá trégua.
Tempo incolor e inodoro.
Tempo que mata até quem mata tempo.

Tempo inescrupuloso, tempo egoísta, tempo irredutível.
Tempo que só bate a porta com cobranças, tempo sem rosto.
Tempo que não liga pra nada nem ninguém, tempo canalha, tempo debochado.

Tempo que não me olha, tempo que me consome como um cigarro.
Tempo arrogante, senhor de tudo.
Tempo presunçoso, tempo desafiador!

Tempo de luta, tempo de superação.
Tempo de angústia, tempo de incerteza.
Tempo de risadas entaladas na garganta, tempo de amar sem ser amado.

O tempo, a ampulheta.
O tempo, o calendário.
O tempo, a pressa e o desespero.
E já não há tempo para mais nada.

domingo, 4 de abril de 2010

101 anos

101 anos, colorado. É grito. É sangue. É a garganta persistente. Um casamento sem fim. Brigas, discussões, crises de relacionamento? Sim, sempre houve. E haverá. Porque também é isso que dá gosto aos nossos momentos de intenso prazer.

É tão simples, e ao mesmo tempo tão complicado! Não temos recompensas materiais. Torcemos para aqueles caras de vermelho jogando bola como se fossem nossos íntimos. E na verdade, o são. Visitam-nos e são visitados por nós toda a semana. Ao vê-los ganhar, ganhamos junto, porque o coração vai junto, e nosso coração tá lá, pulsando naquelas 22 chuteiras.

Torcer por um clube, definitivamente, não é um exercício da razão. É emoção em estado puro. E a recompensa não é financeira. É afetiva. É de estado de espírito.

A recompensa é levitar numa manhã de domingo com o gol do Gabiru. O Gol. A recompensa é recordar a cara de justiceiro gaudério do Sóbis calando 70 mil são paulinos incrédulos. A recompensa é o baile do Fabiano num inesquecível 5 a 2 em terreno adversário. A recompensa é Falcão, Figueroa, Manga, Valdormiro e os desbravadores do Brasil. A recompensa é Larry, Carlitos, Bodinho, Oreco... A recompensa é saber que aqueles rapazes que em 1909 tomavam 10 a 0 de um tal de Grêmio não sabiam a dimensão e a grandeza do que estavam fazendo. Que, se eles tivessem desistido no primeiro fracasso, nas primeiras angústias e incertezas, nada disso, absolutamente nada dessa grandeza Mundial existiria hoje! A recompensa é saber que fazemos parte disso, de forma ao mesmo tempo singela e grandiosa. A cada grito, a cada xingamento ao juiz, a cada vez que confiantes vestimos nosso manto, construímos a grandeza do Inter. Grandeza e glória do orgulho de ser o único clube brasileiro CAMPEÃO DE TUDO.

Ser colorado é acreditar. Confiar. Seguir em frente. Essa tem sido a história escrita pelo Sport Club Internacional ao longo destes 101 anos. Essa é a história que será escrita em 2010. Acreditemos. Confiemos. Sigamos em frente, portanto, trazendo no coração o legado dos Poppe.

Por fim, desejo uma feliz páscoa para todos os leitores do DC.

sábado, 3 de abril de 2010

Quando a esquerda se torna ridícula

Confesso que alguns setores da esquerda, esquerda que eu defendo, e da qual me considero parte, me deixam profundamente constrangido.

É a esquerda caricata, defensora dos frascos e comprimidos, a todo e qualquer custo, e com qualquer argumento besta. É a esquerda que força a barra ridiculamente, e sai por aí rotulando todos que com ela não concordam como se fossem verdadeiros demônios.

Trata-se de uma esquerda burra e desprovida de bom senso e racionalidade. Uma esquerda paranoica, fundamentalista, hipócrita. Uma esquerda maniqueísta e defensora ferrenha e cega de sua moral e de seus bons costumes. Uma esquerda que repulsa quem não partilha de alguns de seus dogmas semi-religiosos. Uma esquerda com uma instigante quedinha nazi-fascista.

Não é essa a esquerda que eu quero. Não é essa a esquerda na qual acredito. E digo mais: sou contra essa esquerda que quer mandar até nas piadas e comportamentos alheios. Não curte queimar a rosca? Carimbo de homofóbico! Bebe Coca-Cola? Carimbo de pró-americano! Uma esquerda que coitadiza uns para tirar outros para Judas. Tudo em preto ou branco, como se não existisse o cinza.

A direita é patética, fique claro, e por ela não nutro nenhuma simpatia. Mas isso não quer dizer que eu tenha que concordar com algumas bobagens escritas por esquerdistas, que como se fossem semideuses prendem, julgam, decretam e punem. Tudo ideologicamente, claro. Extremistas a ponto de esquecerem sua capacidade de pensamento autônomo.

Infelizmente, alguns porta-vozes da esquerda me racham a cara. E não permito que portem a minha voz. Não mesmo.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Playboy

Essa do mendigo prateado em Porto Alegre foi o fim da várzea (http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1554959-5598,00-MORADOR+DE+RUA+ACORDA+COM+O+CORPO+PICHADO+NO+RS.html). Um imbecil pichou o morador de rua, e ainda por cima urinou por cima dele.

Certamente é um filhinho de papai entediado. Do mesmo tipinho que coloca fogo em índio e joga ovos da janela sobre transeuntes. Coisa de playboy de merda. Coisa de babaca. Ba-ba-ca. Agora em slow motion: bbbaaa... bbbaaa... ccccaaa.

Eis a nojenta sociedade em que vivemos. Não há mais valor humano. Não há mais respeito pelo semelhante. Estamos na era da chacota e da humilhação gratuita. Como se já não fosse suficientemente humilhante alguém ter de dormir no meio da rua, com o céu fazendo as vezes de teto.

Na tv disseram que o carro foi identificado. Até agora, consta que ninguém foi preso. Nem será. O idiota que fez isso não será punido porque vivemos num país de medidas muito desiguais. A justiça, infelizmente, é uma justiça de classe, salvo raras exceções, que só servem, no fundo, para legitimar tal justiça como "imparcial".

Então, se a nossa justiça não o faz, que a vida dê uma lição de moral nesse otário. Que leve um par de chifres. De preferência, encontrando a namorada na cama com o avô. Que vomite no meio de um salão de festas, e se deite sobre o próprio vômito. Que alguém coma o cu dele. Sei lá. Pra mim, merda nenhuma importa a punição, desde que haja, e que esse canalha pague o que fez, seja quando for, seja do jeito que for.

Desculpem o desabafo e as palavras grosseiras, mas tô de saco cheio desses palhaços que acham que são grande coisa porque nasceram em bercinho de ouro. Eles que vão tudo pra puta que pariu. E tenho dito.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Vitória para respirar

Era o jogo de ontem, entre Inter e Cerro, que definiria se os empates colorados fora de casa nas rodadas anteriores da Libertadores haviam sido bons ou ruins. De nada adiantariam aqueles dois pontos se, em seu recinto, o colorado não fizesse a sua parte. Mas fez. Ganhou, com alguma autoridade, do time uruguaio, e encaminhou muito bem a vaga para as oitavas-de-final da competição.
Pela primeira vez na Libertadores vimos um Inter mais sanguíneo, mais incendiário. Até então, as atuações eram não mais do que insossas. Mas ontem o colorado entrou determinado a ganhar de qualquer jeito. Deu o abafa no Cerro durante praticamente o jogo todo, mesmo que em alguns momentos esbarrasse na retranca uruguaia, e com isso trouxe a torcida para o seu lado, fazendo o Beira-Rio fervilhar.
Isso não quer dizer, porém, que tenha sido um jogo fácil. Principalmente o primeiro tempo foi muito complicado, com muita vontade e pouca inspiração, e assim seguiu até o gol do desafogo, marcado pelo anti-herói Walter, em cruzamento que desviou no zagueirão e matou o goleiro. A partir daí, as coisas passaram a acontecer com mais tranquilidade, como se uma tonelada saísse das costas de cada atleta colorado. E veio o segundo gol: grande jogada individual de D'alessandro pela ponta esquerda, ajeitada de peito de Walter para Giuliano que acertou um belo voleio. Do peito de madeira do goleiro Frascarelli, a bola sobrou para Alecsandro, com muita raça, completar. 2 a 0. Missão cumprida.
Com o resultado, a classificação ficou muito próxima. Agora, o Inter tem para frente um moribundo, ou até mesmo já falecido Emelec, no Equador, e o Deportivo Quito, no Gigante. O elemento complicador desse último jogo é que possivelmente o time equatoriano ainda chegue com alguma vida na rodada final. Mas convenhamos: ninguém aqui espera um resultado diferente de vitória do Inter no confronto contra o time de Quito, que é, no máximo dos máximos, medíocre.
Passando por isso, vem a segunda fase. E aí, amigos, mais do que Fossati ou os jogadores que aí estão, o principal responsável por acabar com o que ainda há de instável no time é Fernando Carvalho. No mínimo dos mínimos, um atacante dos bons deverá ser contratado. Daqueles que chegam, vestem a camisa e saem jogando. Um grande nome. Walter é uma boa aposta, mas sua instabilidade psicológica é um fato que não pode ser negado; e Alecsandro, que não é mau centroavante, não é, entretanto, suficiente para um time que quer ganhar a principal competição do continente. Na fase final, o Inter precisará de um plus. Sim ou sim.