domingo, 31 de janeiro de 2010

Mantém-se a rotina

O Inter manteve a sua doce rotina em Gre-Nais. Venceu o Grêmio por 1 a 0, exibindo bom futebol e mostrando toda a sua superioridade perante o tradicional rival. Se o time tricolor teve mais posse de bola, o colorado, por sua vez, foi muito mais incisivo, criando as chances mais claras durante o jogo.

A defesa teve bom comportamento no geral, apesar da péssima atuação de Fabiano Eller, que somente não comprometeu no placar do jogo porque o todo defensivo esteve bem. No meio-campo, Guiñazu de novo jogou menos de que se espera dele, mas Sandro, por sua vez, jogou uma enormidade. Foi o grande nome da partida, perfeito na marcação e chegando com qualidade ao campo ofensivo. Os alas colorados, ao contrário do jogo contra o Juventude, dessa vez foram discretíssimos no apoio. Giuliano esteve mal tecnicamente, assim como Taison. No ataque, o herói: Alecsandro. Novamente foi participativo, dedicado, e foi premiado com o único tento da partida, um chute certeiro, no cantinho de Victor.

Essa vitória dá um aval importante para o Inter de Jorge Fossati. Dá moral para o colorado continuar se preparando para a Taça Libertadores. Vencer o Grêmio sempre tem um gostinho especial, e dá uma força danada. Agora é continuar o trabalho com mais tranquilidade, corrigir os defeitos que vem aparecendo, aparar arestas, e se fortalecer para o grande objetivo da temporada: conquistar a América pela segunda vez.


sábado, 30 de janeiro de 2010

Akon e o seu turismo sexual particular

O rapper Akon está dando o que falar na sua passagem pelo Brasil. Não sei se ele já foi embora. Também não quero saber. Sua música é uma merda. Mas estão repercutindo na imprensa as posturas do "artista". Encoxou Cláudia Leitte no Festival de Verão de Salvador. Encoxou uma participante do Big Brother durante apresentação na casa. E passou uma noite com a modelo/piranha Nicole Bahls. Só isso. E sabe o que é pior? Não há do que se queixar.

O Brasil faz questão de propagar-se mundo afora como paraíso do turismo sexual. No Brasil, em sua imagem tipo exportação, só há bundas, vagabundas loucas para dar para o primeiro estrangeiro rico que aparecer. No Brasil, ou melhor, no Brazil, o evento-maior é o carnaval do Rio, transmitido para todo o planeta, com mulheres de seios de fora rebolando provocantemente. Nas plagas tupiniquins, Snoopy Dog, o Seu Madruga depois da praia, gravou um clipe ridículo, absurdo e repugnante. Mas esse povo alegre e feliz adorou, tal como um bando de índios recebendo badulaques dos portugas em troca de riquezas naturais. Definitivamente, as semelhanças não são meras coincidências.

Foi esse o Brasil que Akon visitou. E ele se portou de acordo com o cartão de visitas. E, pelo jeito, nosso Brasil brasileiro se comportou de forma legitimadora dessa visão. A sister até ficou irritadinha. Ou "se fez de". Cláudia Leitte, a melhor imitadora de Ivete Sangalo de todos os tempos, disse que foi uma encoxada respeitosa. Vá lá um Zé das Couves brasileiro dar uma "encoxadinha respeitosa" na cantora de meia-pataca pra ver o que acontece... Nicole Bahls, por sua vez, deve estar feliz da vida. Sua vida resume-se a mostrar o rabão no Pânico e sair com famosos para ser fotografada e aparecer em "flagrantes" do Globo.com.

Claro que quase ninguém vai levar a sério e pensar com profundidade a postura do rapper, desrespeitando e tratando as mulheres brasileiras como prostitutas baratas. Faz parte da cultura nacional de vira-latas, que acha qualquer coisa de fora uma maravilha, por mais que se levem cusparadas e chutes made in USA. Relaxem e gozem, então.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Me abrace

Cheguem, e se aprocheguem um pouco mais.
O circo está armado.
Estão todos mortos.
Rindo e se deleitando.

Beije o chão.
Esfregue-se sobre ele.
Beije-o.
E peça desculpas.

Mate-me.
Preciso morrer.
Um pouquinho só.
Só um pouco.
Só até que tudo tenha explicação.

Banhe-se.
O fedor é intenso.
Mas, e daí?
Tudo fede, tudo constrange.

Busque-me lá no fundo do poço.
E me abrace.
Apenas me abrace.
E acabe com tudo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Um bom começo

A primeira partida oficial do Inter de Fossati foi de encher os olhos. A equipe tocou 5 a 0 ao natural no Juventude, e já mostrou um pouco do que podemos esperar para o ano de 2010. Marcação intensa, alas extremamente ofensivos, velocidade e movimentação constante no ataque parecem ser marcas do time colorado que tem a Libertadores pela frente.

A defesa foi segura, soberana, intransponível, com Índio, Bolívar e Eller. No meio de campo, Sandro foi discreto, Guiñazu teve atuação mediana e D'alessandro, este sim, jogou demais. Foi o maestro colorado. Saiu do jogo graças a uma entrada criminosa de um vagabundo, mau-caráter, mau-profissional chamado Ferreira. Diga-se de passagem, o time caxiense apelou algumas vezes para as botinadas.

Os alas foram um capítulo à parte. Nei mostrou, nesse jogo, que pode ser dar muitas alegrias à torcida. Tem boa velocidade, é ousado, procura a linha de fundo a todo momento. Gostei muito. E Kléber foi o craque do jogo. Apareceu muito no ataque, armou jogadas junto com D'ale e marcou um belíssimo gol, o primeiro do jogo.

No ataque, Alecsandro foi dedicado, participativo. Foi premiado com um gol em pênalti sofrido por ele mesmo. Mas tecnicamente não foi bem, perdendo, inclusive, um gol feito no primeiro tempo, que centroavante que se preze não pode perder. E Taison dividiu sua atuação em duas: antes e depois de seu gol. Antes de marcar, tinha atuação ridícula. Errava 11 em cada 10 jogadas que tentava. Depois de anotar o seu gol, o quarto do jogo, como num passe de mágica, Taison voltou a ser o Taison do primeiro semestre de 2009, rápido, atrevido, incômodo para a defesa adversária. Vamos ver se ele dá uma sequência.

Agora, as atenções voltam-se para o Gre-Nal. É inquestionável que o Inter é favorito. Tem mais time, patrolou o tradicional Juventude e vem cheio de moral. Entretanto, há que se respeitar a história e a tradição do clássico. Em Gre-Nal, ninguém vence de véspera. Por isso mesmo, recomenda-se cautela para o Inter, concentração, foco. Jogando tudo o que sabe, mesmo sem D'alessandro, tenho certeza: o Inter ganha o Gre-Nal do próximo domingo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A religião e os marxistas

Leio em artigo de Carlos Pompe, no Portal Vermelho, críticas teóricas sobre a mudança na forma como o Partido Comunista Chinês encara a religião. No referido texto, o jornalista evoca afirmações de Marx e dogmas da teoria leninista, para enfatizar a necessidade de se repelir a religião.

Vejo nisso tão somente ortodoxia vazia de sentido. É óbvio que a religião, da forma que é encarada em algumas culturas, e por algumas pessoas, é um elemento alienante e nocivo à sociedade e à modernização. Em nome da religião se mata, se nega a realidade factual e se criam canais para todo o tipo de oportunismo.

A questão é que a religião em si, não deixa de ser uma espécie de necessidade das pessoas. Há lacunas explicativas que os sujeitos buscam para suas aflições e interrogações. Desde que a humanidade existe, tem sido assim. A religião talvez seja a única coisa em que alguns seres humanos possam se apegar, em situações de desespero, de desesperança. Ademais, a religião é elemento cultural, que, se não pode ser propagado pelo governo, e é claro que em Estados laicos não deve, muito menos deve ser desrespeitado pelo mesmo. Caso contrário, apenas emerge uma troca de paradigmas igualmente fundamentalistas: troca-se o fundamentalismo religioso por um fundamentalismo político.

O grau de fanatismo sobre o que se lê na bíblia é exatamente o mesmo com que alguns comunistas lêem Marx, Engels, Lênin e cia. Fique claro, considero Marx o mais profundo analista social de todos os tempos. Examinou como ninguém jamais conseguiu o modo capitalista de produção e seus desdobramentos lógicos. Entretanto, Marx, por incrível que pareça, era um homem em seu tempo. Assim sendo, nem tudo que outrora foi postulado por ele vale para os dias de hoje.

Eis um equívoco claro que setores esquerdistas cometem em termos teóricos. Sacralizam Marx de tal modo que se amedrontam só de pensar em atualizar seus pressupostos e, se necessário, refutar alguns dos pontos da teoria clássica marxista. O mundo muda. Dinamicamente, em velocidade quase atordoante. Mas alguns marxistas parecem se negar a ver isso e adaptar elementos de seus postulados bíblicos. A direita agradece.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Fórum Social Mundial

Hoje começa oficialmente em Porto Alegre mais um Fórum Social Mundial. É um momento sempre importante, no qual balanços e objetivos devem ser colocados na pauta. Qual é, afinal, o novo mundo pensado como alternativa ao neoliberalismo e quão próximos estamos dele?

Emir Sader, em artigo na Carta Maior, coloca de forma correta que ainda vivemos sob a hegemonia neoliberal, mas com alguns avanços significativos principalmente quando examinamos o cenário latino-americano.

Estamos longe de uma mudança de modelo político e econômico. Ainda predomina a ideia, em nível mundial, de uma pseudo livre competição no âmbito econômico, e de interferência mínima do Estado neste setor.

Entretanto, progressivamente as lições práticas vêm nos remetendo à certeza de que não é possível uma auto-regulamentação do mercado. É necessário, sim, um Estado que tenha força e contribua para mediar as relações intra mercado interno e inter mercados no nível global. O Estado mínimo, implantado no cenário da América Latina nos anos 1990, somente serviu para aumentar os níveis de pobreza e acirrar as desigualdades sociais nos países do continente.

Com isso, nos anos 2000 surgiram governos progressistas no contexto latino-americano. Governos como os de Hugo Chávez, Rafael Correa, Evo Morales e, em menor escala, Lula, respaldados por amplos índices de apoio popular, comprovam que a população da América Latina quer, cada vez mais, que as desigualdades sejam dirimidas, e que se aumente o espectro participativo da sociedade civil.

O exemplo de países da América Latina prova que um novo mundo é, sim, possível. É óbvio que estamos longe de um ponto satisfatório, de redistribuição plena de recursos políticos e econômicos.

Para complicar ainda mais, há uma pressão permanente da mídia dominada pelas elites para enfraquecer o apelo destes governos junto à população. Em nome de uma democracia restritiva para as massas, mantenedora das desigualdades sociais e dos privilégios de classe, tais setores podem configurar, como já comprovado historicamente, ameaça de novos golpes militares no continente. Já foi tentado na Venezuela, por exemplo (financiado, por sinal, pelos "democráticos" Estados Unidos da América). E a postura agressiva da grande mídia de direita contra o III Programa Nacional de Direitos Humanos, permeada por brados indignados contra o "atentado contra a liberdade de expressão", remete a um panorama muito parecido com a preparação do Golpe Militar de 1964. Mas, se a população der o suporte necessário para os governos transformadores do continente, as mudanças podem ser aprofundadas. E, quiçá, servirem de exemplo para se espalharem por outras plagas.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Sônia Abrão facts

Uma grande febre tomou conta do Twitter no dia de ontem. Depois de Zé Mayer facts, Ivo Holanda facts, entre outros, o alvo de todo o tipo de piada foi Sônia Abrão. Também contribuí, modestamente, para o tópico.

Esses momentos da internet são muito engraçados. Sônia Abrão merece toda essa chacota. Faz um programa dos piores da tv brasileira, alienante, manipulador, rasteiro. Sônia Abrão lucra às custas dos sofrimentos e vidas alheias. Pratica o pior dos jornalismos, marrom no melhor (ou pior) sentido do termo. Lembremos do decisivo papel executado por ela no caso de Eloá, no qual foi se meter a negociadora quando tudo estava encaminhado, só pela maldita audiência, e liquidou com a estratégia da polícia, sendo, para mim, uma das principais responsáveis pelo desfecho trágico do episódio.

Exatamente por esse tipo de pequenez, Sônia Abrão merece ser o alvo dessa onda de piadas. Vai aprender alguma lição? Não, óbvio que não. Mas, se tiver um mínimo de vergonha na cara, deve estar constrangida. E isso já vale alguma coisa.

Ao mesmo tempo em que a internet é perversa em diversos sentidos, também serve como um canal alternativo para a manifestação das pessoas contra determinadas coisas. Esse movimento do Sônia Abrão facts nada mais é do que uma maneira bem-humorada de demonstrar que as pessoas estão ligadas nos lixos que a nossa televisão produz e reproduz, e os rejeitam. Quem sabe isso não se espalha também para os campos social, político, econômico? Tomara, tomara.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Alice 2

Como uma sina, um carma, eles voltam.
Os desejos outrora adormecidos fazem-se presentes.
Perseguem-me, por mais que eu tente desvalorizar tudo.
Não há escapatória.

Sou convidado a viver tudo novamente.
O esquecimento acaba por ser esquecido.
O telefone me tenta, me olha, adquire vida própria.
Não quero mais isso.
Mas quero isso mais do que tudo.

Já não existe nada mais, há mais de ano.
Os dias de redenção estão guardados na memória.
Memória, incômoda memória que insiste em não me deixar em paz.
Rasga minha carne, me faz sangrar.
A vontade de odiar é esmagada pelo amor vivo e agudo.

Amarro-me em minha cama, jogo o telefone no lixo.
Se pudesse, jogaria meu cérebro e meu coração também.
O passado se faz presente aqui dentro, e só aqui dentro.
Me deixe em paz, desapareça.

A insuficiência, a prisão, a falta de perspectiva verdadeira.
Tudo isso forma uma imensidão de abstrações.
O aguardo incerto mata lentamente.
Esperar por nada é doloroso.

A tolice, a ingenuidade, a esperança, maldita esperança.
Não há lição aprendida.
O cd, o abraço, a cerveja, o beijo, as cartas, o fim, a volta, mais beijos, as mãos dadas, o novo fim...
E parece que ainda não chegou ao fim.
O pior de tudo: somente dentro de mim.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Dorinha

Dorinha era a moça mais desejada da vila São Tomé. Era uma morena linda, altura mediana, corpo perfeito, rosto encantador. Morava sozinha, e de sua vida, ninguém sabia praticamente nada. Quando ela passava, todos os homens babavam, e a olhavam como se ali estivesse um verdadeiro ímã para seus olhos. As esposas, enciumadas, ficavam absolutamente irritadas com os olhares dos maridos. Odiavam, verdadeiramente odiavam Dorinha.

Nos pagodes de sábado à noite, Dorinha era o grande alvo de toda a macharada. Ela dançava sensualmente com seu vestido curto, as lindas e torneadas coxas à mostra, o bumbum perfeito e redondo sobressalente. Era assediada a ponto de se sentir uma celebridade da vila. Vez por outra, topava beijar um ou outro cara. O conquistador, depois de tal glória, era regra, ficava com cara de bobalhão uns cinco dias seguidos. E ela continuava dançando.

Mas levá-la para a cama, bem, isto nenhum herói dali jamais conseguira. Tanto que praticamente desistiram de atingir tal intento. Menos Vladimir. Era decidido a, um dia que fosse, levar Dorinha para a cama. Vladimir era um macho determinado, raçudo, copero y peleador. Tinha tudo planejado na cabeça, nos mínimos detalhes. Faltava apenas a ocasião correta. Louvável a capacidade humana de se superar, de ultrapassar limites, chegar onde nenhum outro jamais esteve.

E o dia chegou. Num desses pagodes, Dorinha estava no balcão, descansando entre uma música e outra. Vladimir chegou, beijou sua mão, e passou a conversar. Entre as palavras, um copo e outro de cerveja. Dorinha não costumava beber em grandes quantidades. Mas, naquela noite, em meio às sedutoras palavras de Vladimir, bebeu. Dançou com ele durante toda a festa. Beijavam-se muito, muito mesmo. Os demais homens no recinto olhavam, meio que descrentes.

Vladimir convidou Dorinha para sua casa. E ela aceitou! Saíram abraçados da festa. O homem, em triunfo, olhava orgulhoso seus amigos, que perplexos observavam a cena em um misto de admiração e inveja.

Ao chegarem na casa de Vladimir, os amassos esquentavam. A glória havia chegado! Vladimir conseguira! Era um gênio da sedução. Rapidamente, o casal foi para a cama.

Vladimir despiu-se. E passou a despir Dorinha. "Que delícia!" pensava ele, já enlouquecido, louco para beijá-la inteirinha. Tirou a blusa da moça. Maravilhosos seios siliconados, durinhos! Arrancou-lhe a saia, e, ao apalpar as intimidades de Dorinha, sentiu um volume um tsnto diferente. Dorinha, constrangida, quase lacrimejando, confessou: - Vladimir, te imploro perdão. Mas tenho que dizer. Meu nome, na verdade, é Dorival.

Vladimir, num gesto rápido e apavorado, pulou da cama, vestiu-se, e passou a cuspir-se todo. É, amigos, as aparências às vezes enganam... Ronaldo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O Orkut e o isolamento humano

Estava lendo um texto interessantíssimo de Gilson Caroni Filho no site da Agência Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4519). Lá, o autor aborda com grande felicidade toda a contradição constitutiva do Orkut e dos sites de relacionamento.

As pessoas estão cada vez mais conformadas e bitoladas a uma nova lógica. Ao invés de fortalecer vínculos de amizade, o Orkut virtualiza mais e mais as relações entre as pessoas. A palavra "amigo" nunca foi tão banalizada. Quem, afinal, tem, de fato, 500, 600, 700, 1000 amigos?

Alguns entregam-se de corpo e alma ao mundo superficial do Orkut. Vivem basicamente para aquilo! Promovem uma competitividade de todo o tipo de natureza, para ter mais amigos, mais depoimentos (putz, e a gente lê cada merda nesses depoimentos...), mais comunidades. A raiz das relações é perdida. Inverte-se a lógica. Primeiro se chama de amigo, para depois conhecer.

De fato, o Orkut, quando utilizado da maneira errada, acaba servindo muito mais para isolar do que para integrar. É um bando de gente sozinha, cada uma em seu computador, com a sensação de estar em meio a centenas, milhares de "amigos". As pessoas deixam de viver a vida real, de conversar sobre coisas realmente interessantes, para debater toda a sorte de coisas inúteis criadas para se passar o tempo com o mínimo de reflexão possível. Não é à toa que muitas vezes, ao vasculhar comunidades, me deparei com tópicos absurdamente imbecis, como escrever o nome com o cotovelo, dar oi com o pênis, etc, etc.

O Orkut há de ser um complemento da vida real, não um mundo paralelo, como vem se tornando. Particularmente, utilizo-o exatamente para manter contato com amigos e pessoas as quais eu já conheço. Lógico, também acabei conhecendo pessoas por meio dessa ferramenta. Mas foram pouquíssimas. Não é com este fim que navego pelo site.

Aliás, é necessário dizer: não se conhece pessoas pelo Orkut. Se conhece um perfil, que pode ser mais ou menos condizente com aquilo que o sujeito é na vida real. Principalmente aqueles que vivem para isso, são muito mais perfis do que pessoas de carne e osso, pois deixam de ter vida própria, sair, tomar uma cerveja, conversar de verdade, com amigos de verdade, para intensamente estarem submersos na virtualidade orkutiana.

Quero deixar claro que não condeno o Orkut, não acho invenção do capeta ou qualquer coisa do gênero. O que condeno, isso sim, são determinadas maneiras de utilização do site. Ele é parte da vida, como um álbum de fotos, um telefone. Por ele, nos comunicamos e mantemos contatos com as pessoas. Ele é meio de relacionamento, de comunicação, de interação com os nossos. Não um fim em si mesmo, artificializado por números e superficialidade de todo o tipo de gênero. Quando isso for entendido, ele será muito mais útil e melhor utilizado.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A vida após o Big Brother

Deu no Globo.com. Joseane aposta em ensaio nu para comprar casa. Essa é a vida de ex-big brother. Como estes seres são anencéfalos, pelo menos em sua esmagadora maioria, é o que sobra quando saem da "casa mais vigiada do Brasil". Tudo para não cair no ostracismo.

A miss-com-cara-de-traveco-da-Farrapos parece ter ido mais longe. Disse que foi eliminada pela sua beleza. Pára o mundo que eu quero descer. Acho ela a cara do Cláudio Brito, comentarista de carnaval da RBS. Mas é o que sobra pra ela não se suicidar. Afinal, não se achasse bonita, ia se achar o quê? Inteligente?

O destino da maioria desse pessoal de reality show é o ostracismo mesmo. Aliás, alguém aí lembra quem ganhou o "No limite" ano passado? Pois é... Nem eu.

Mas, voltando aos "brothers", que é por quem eu nutro um "carinho" todo especial: seus caminhos pós-eliminação são nudez, para as mulheres. As gostosas, claro. E Turma do Didi, quando muito, para os imbec..., ops, digo, homens de lá. Isso não quer dizer que não tenham havido os sobreviventes. Grazi sem sal Massafera tá por aí até hoje. E Sabrina Sato, de tão tosca, e também por ser torta de tão boazuda, arranjou um empreguinho no Pânico.

Este sumiço de BBBs que se configura praticamente em regra, só prova uma coisa: acompanhar essa merda de programa é uma perda de tempo total e absoluta. Big Brother é um amontoado de gente que nada tem a acrescentar, morando numa casa, acordando, almoçando, malhando, tomando banho de piscina e dormindo de novo. Depois disso, a fama dessa galera dura, em média, quatro meses. Cinco estourando, estourando.

Por isso o desespero da bi-eliminada Joseane. Tem que aproveitar agora para sair pelada e ganhar uma grana pra comprar uma casa. Depois, como é que ela vai conseguir? Trabalhando?


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Broncas políticas...

A política brasileira e a consolidação da democracia no país padecem de alguns males estruturalmente estabelecidos e bastante conhecidos por quem se interessa pelo assunto. Hoje, da janela do ônibus, vislumbrei um outdoor de um político daquele partido que, para mim, representa o que há de mais característico da política nacional: o PTB.

Tenho uma bronca danada desse partido. Ele é a cara de todos os piores vícios da história política do Brasil. É um daqueles partidos que Scott Mainwaring definiu como catch-all, ou seja, um partido que não possui ideologia, e limita toda a sua finalidade a um viés eleitoreiro.

Há exemplo maior do que a liderança gaúcha do PTB, Sérgio Zambiasi? O sujeito utiliza-se de seus programas de rádio de baixíssimo nível com grande alcance entre as massas para se colocar como um homem cheio de atributos de solidariedade e benevolência. Essa é a cara do Partido Trabalhista Brasileiro.

A prática petebista é totalmente voltada a relações de clientelismo. Seus políticos criam redes nas comunidades, trocam favores, utilizam-se do aparato estatal para criar um "mercado" fiel de eleitores. Esse não é um jeito correto de fazer política. Pelo menos não na minha ótica.

Tem mais: o PTB é o partido mais oportunista que já vi. Está do lado de quem está bem na fita. Já esteve com FHC. Está hoje com Lula. E estará com quem estiver no poder e tiver mais benesses a oferecer.

Não estou, com isso, transformando o PTB no canalizador de todas as desgraças da política brasileira, claro que não. O partido sequer tem força para tal. Ele é resultado da mesma. A imensa maioria dos nossos partidos possuem todos os traços eleitoreiros e oportunistas do modelo catch-all. Apenas estou colocando que o PTB para mim é aquele que apresenta de forma mais nítida, mais forte, todos estes traços.

Por isso tenho essa bronca particular com esse partido. Nada contra quem goste. Tem gosto para tudo na vida.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Reflexão das 14 horas

Buscamos sempre o algo mais inexato e inalcançável. Talvez seja uma maneira de tornar as coisas mais divertidas. De fato, somos, sempre e sempre, mais e mais sôfregos. O ser humano é sadomasoquista. Somos pura insatisfação.

Envenenamos a nós mesmos para dar um sentido à mediocridade inerente à nossa insignificante existência. Tudo o que somos e podemos ser é nada. E dos nossos nadas, tentamos fazer um tudo impossível.

Os caixões, os cemitérios, o pó, o sono, nos esperam silenciosamente. Todas as palavras representam o vazio de nossas mentes e corpos. O fim é sempre o mesmo. Sem finalidade alguma.

A alegria nada mais é do que a exacerbação da angústia. Dor, alívio, ódio, amor, fúria, calmaria são variações da mesmíssima coisa. São fugazes e gasosos. Desisti da plenitude. A vida é repetição. A vitória nada mais é do que o prólogo do fracasso. Ao fim e ao cabo, todos fracassamos. Não passamos de bactérias. Das maiores e mais nobres conquistas até o mais tacanho dos objetivos alcançados, tudo há de acabar na mesma escuridão.

Somos mais zumbis e mais vegetativos do que possamos imaginar. Viver é escrever um livro que jamais será concluído adequadamente. Somos consumidos pelo tempo, impiedoso tempo. Mesmo assim, continuamos. É o que de melhor há para se fazer. Prorrogar, prolongar, e render nossas forças e sonhos à imensidão que vai, hoje, amanhã ou depois, nos engolir.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Globo e Cacau Show

A Rede Globo obrigou a escola paulistana Rosas de Ouro a mudar o título do seu enredo e um trecho da letra do samba. Patrocinada pela Cacau Show, a escola faz, ou fazia, referências à empresa. O carnaval global é patrocinado pela Nestlé. Engraçado, não? Tire suas próprias conclusões.

Por essas e outras que adoro quando a emissora do plim-plim dá mancadas, e quando está em apuros. Em bom e chulo português: me regozijo quando ela se fode. Foi inesquecível quando a Caprichosos de Pilares homenageou Silvio Santos, e a Globo teve que transmitir o desfile, a contra-gosto e constrangidamente. Também foi ótimo quando Eurico Miranda, em pé-de-guerra com a empresa, estampou o logotipo do SBT na camisa do Vasco, em plena final do Brasileirão de 2000. Euricão é um canalha. Mas deu uma dentro naquele episódio. Ri muito.

O tal "q de qualidade" não é lá essas coisas. Mas é de uma arrogância essa Globo, que chega a assustar. Não é à toa que ela elegeu Collor com suas manipulações.

Hoje defende a democracia. Mas não é lá muito democrática. Eu sei o que vocês fizeram na ditadura passada. Muita gente sabe.

Algumas poucas coisas prestam na programação global. Uma ou outra minissérie. O futibas. Alguns filmes. Mas, em termos gerais, a Globo é um lixo. BBB, Faustão, novelas ruins, Malhação, Zorra Total e Turma do Didi não são muito estimulantes para a massa cinzenta. E são uma porcaria, convenhamos.

Interesseira e ordinária essa Globo, não? A "democrática" Globo está censurando escola de samba, minha gente! Ê carnavalzão! Peitos e rabos estão liberados. Cacau Show, não.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Balada das celebridades brasileiras

Estou como uma mosquinha na balada das celebridades brasileiras. Imaginária, é claro. É um grande circo formado. O salão é grande. Muitas coisas acontecem ao mesmo tempo. Barbaridades e previsibilidades. Ou barbaridades previsíveis.

Num canto, com copos de whisky com bastante gelo na mão, Datena, Marcelo Resende, Ratinho e Vagner Montes dialogam. Ou melhor. Gritam. Estão indignados. E não estão nem aí. Bóris, o moralista sem moral, observa, e com ar de autoridade, do alto de sua mediocridade, decreta: isso... é... uma... vergonha!

Bonner e Fátima estão preocupados com os trigêmeos. Tão humanos! Agora, os Homers podem compreender o outro lado da seriedade e imparcialidade jornalísticas.

Xuxa posa para fotos com baixinhos. Estão com ela Mateus Nachtergaele, Nelson Ned, Zezé di Camargo, Romário, Danielle Hypólito e Daiane dos Santos.

Faustão procura alguém para conversar. É incrível, mas todas as pessoas de quem ele se aproxima, fogem! Ô loco, meu! Gugu, por sua vez, está louco para mostrar seu pintinho amarelinho. Está rodeado por subcelebridades, dessas que só sabem mostrar a bunda e rebolar no carnaval. Faltou algum ator contratado para fingir ser líder do PCC.

Renato Aragão faz brincadeiras de retardado e piadas sem graça para um bando de ex-bbbs. E eles racham o bico de tanto rir!

Sílvio Santos levou Maísa. Brinca de dar pescotapas na menininha. Ela chora. E ele ri da cara dela.

Celso Portioli, no balcão, enche o saco do garçom. Desabafa: "Eu tenho carisma! Eu sou natural! Por que as pessoas não me entendem? Me vê mais um suco de clorofila. Essa noite vou me acabar!" Caras como Celso Portioli só devem tomar suco de clorofila. Talvez de açaí e de laranja, pra variar um pouquinho.

Carla Perez implora a Luciano Huck para participar do próximo Soletrando. Ela quer provar para Sílvio Santos que não é mais uma loira de bunda grande na tv. Angélica olha de soslaio. É receio de perder seu tucaninho de estimação.

Por falar em tucano, José Serra deu uma passadinha na festa. Já começa a articular contatos. É sempre importante estar na crista da onda. Entretanto, CQCs e Sabrina Sato atrapalham. Os primeiros com perguntas ácidas. A segunda, com seus belos seios siliconados. Compostura, Mr. Burns! Compostura!

Lula ficou em desvantagem. Resolveu dar uma calibrada antes, para aguentar principalmente o cinismo de certas figuras da nossa querida e imparcial imprensa. Não deu certo. Dona Marisa tentou levantá-lo do sofá. Mas ele só queria ver o tape de Corintians e União Barbarense, no Paulistão de 1996.

O show surpresa da noite era de João Gilberto. Em cinco minutos, todos dormiam feito anjos, no chão mesmo. O cantor resmungou um pouco e retirou-se. Para isso, claro, teve que acordar o porteiro. Quer liquidar uma festa? Toque bossa nova.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Plano Nacional de Direitos Humanos: a grande mídia está tentando manipular a opinião pública

Impressiona a pesada carga de críticas das grandes corporações da imprensa nacional ao Plano Nacional de Direitos Humanos. Estes órgãos de (des) informação tentam a todo custo torcer os fatos, confundir leitores e telespectadores, e impor suas ideias reacionárias como defesa de "liberdade de imprensa".

Essas empresas que, jamais esqueçamos, possuem como o objetivo o lucro, estão enlouquecidas com uma proposta que tem por objetivo, dentre outras coisas, democratizar cada vez mais a mídia no país, tomando com vigor as normas para concessões de rádio e televisão e fiscalizando a qualidade das programações.

Além do aspecto midiático, outros interesses de classe estão envolvidos na proposta, como a taxação de grandes fortunas, fiscalização de latifúndios, e garantia de direitos a grupos socialmente excluídos, como gays, lésbicas, travestis e prostitutas. Ademais, os grandes órgãos de imprensa atacam ferrenhamente a criação da Comissão da Verdade, que possui o intuito de adentrar com força os porões da ditadura, investigar e se necessário julgar os covardes torturadores que, tendo todo o aparato estatal a seu favor, reprimiram de forma nojenta e violenta estudantes, intelectuais e artistas libertários nas décadas de 1960 e 1970.

Certamente isso tudo dá uma coceira danada nestes sujeitos que compartilham, ou compartilhavam, em suas igrejinhas todo o poder efetivo do país, e se defrontam com um governo determinado a partir para o confronto ideológico para acabar com certas regalias.

Não caiamos nas balelas e lorotas da grande mídia interesseira e mercadológica. Tudo o que estes setores estão fazendo é defender suas posições e privilégios. Para isso, tentam transformar no imaginário da população medidas democratizantes em ensaios ditatoriais, latifundiários em injustiçados, torturadores em coitadinhos perseguidos. A grande mídia tem megafones. Mas as massas podem, deparadas com as verdades verdadeiras, configurar em uníssono milhões de vozes. Daí, amigos, veremos quem realmente tem a repressão e a violência correndo nas veias. É nessas horas que as máscaras hão de cair.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Efeito borboleta

Apesar de já ter ouvido falar do filme "Efeito Borboleta", jamais o tinha visto, até ontem à noite, quando passou na Globo. E não sabia o que estava perdendo. O filme é tão interessante e inteligente que até o medíocre Ashton Kutcher parece talentoso nele.

A temática trabalhada na trama é de uma profundidade filosófica extraordinária. Não são poucas as vezes em que me pego pensando em gestos simples, pequenos, micro-escolhas que faço, e que, de alguma forma, desenham muito do rumo da minha existência. Acho que todo mundo deve ter pensado algo a respeito, pelo menos uma vez na vida.

Um "oi", uma frase qualquer, um "sim", um "não", uma hesitação, uma precipitação, um silêncio voluntário... Por mais que não percebamos, de certa forma tudo o que fazemos tem consequências não só imediatadas, mas também de médio e longo prazo. A vida é, acima de tudo, encadeamento de fatos. E é isso que a referida obra cinematográfica reflete com imensa felicidade.

O fascínio e o assombro de viver provavelmente consistam nisso: a cada gesto, a cada minuto, estamos envolvidos numa espécie de jogo, numa rede de cálculos complexos em que configuramos os rumos de tudo o que se passa conosco e ao nosso redor. E é um jogo no qual, em maior ou menor medida, saímos invariavelmente se não perdedores, ao menos incompletos. Eis a graça. Eis a angústia.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Pesadelo na ópera

Jorge, Pedro e Leandro, grandes e inseparáveis amigos, chegaram ao teatro onde assitiriam a uma grande ópera. O ambiente na plateia era de grande expectativa. Haveria de ser um espetáculo inesquecível. Postaram-se na parte superior do teatro.

Logo atrás, um rapaz de traços orientais começou a provocar Leandro, que estava exatamente à sua frente. Falava tão somente coisas abjetas, xingamentos. Num gesto com a mão direita, Leandro mandou-o catar coquinhos. E o rapaz, furioso, partiu pra cima de Leandro. Levou-o para o espaço que separava aquela parte do teatro dos apoios que demarcavam o setor. Desferia socos, muitos socos. Pedro e Jorge olhavam perplexos àquela cena. Leandro apanhava muito. Muito mesmo. Levado ao chão, era chutado em todo o corpo, e na cabeça.

A violência do rapaz de traços orientais era tanta, e tão cruel, que sorria enquanto batia em Leandro. Arrancou uma cadeira que ficava acoplada no teatro, e com ela passou a desferir golpes de extrema força contra o outro rapaz, que não conseguia reagir e começava a sangrar na cabeça. Pedro e Jorge olharam-se, numa mesma intensão, num mesmo chamado: algo deveria ser feito naquela situação. Parados não poderiam continuar.

Aproximaram-se do rapaz, e este prontamente sacou uma faca, apontando-a para Jorge e Pedro. Jorge tirou do casaco um canivete. Era aquele momento o ápice da tensão. Olhavam-se tomados de adrenalina. Então, o rapaz de traços orientais suavizou os movimentos, como que hasteando uma bandeira de paz. No entanto, eis que rapidamente postou-se atrás de Pedro, surpreendendo a todos, e com um sorriso que tomava diabolicamente conta do seu rosto, passou a lâmina em seu pescoço.

A perplexidade misturada a um certo terror tomou conta de todos naquela hora. Pedro desesperadamente tentava conter o sangue que jorrava, vertia intensamente de seu pescoço. Tentava dirigir-se para a saída do teatro, sem conseguir conter o sangue. Tentava gritar, mas a garganta aberta fazia com que praticamente nenhum som vazasse: o ar dos pedidos de socorro saía angustiantemente pelo vão provocado pelo corte. A visão embaçava e escurecia aos poucos, sem que ninguém o socorresse. Pedro agonizava. Não era visto. Não era ouvido. Sabe-se lá se as pessoas não perceberam mesmo o que se passava, ou se apenas fingiam não perceber, ou se o estado de choque as fazia inertes. Mas nada mais podia ser feito. Pedro estava, agora, morto.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Insônia

Eis ela, a insônia, a me visitar.
O calor, a pele irritadiça.
As lembranças, ainda vivas.
Elas não morrem.
Somente, e tão somente, que ironia, dormem.
E quando elas acordam, me acordam.

São elas, as lembranças, moças apaixonadas e apaixonantes.
Talvez mais apaixonantes do que apaixonadas.
Não fosse assim, não estariam apenas aqui, em meu quarto, em minha mente.
São elas, as lembranças, geralmente, coitos interrompidos.
Elas não desesperam mais.
Apenas incomodam.

Incomodam porque, vez por outra, latejam.
São filme sem sequência nem fim.
São quebra-cabeça sem solução.
São elas, as lembranças, interrogações.
São elas, as lembranças, vestígios de tudo o que poderia ter existido.
São elas, as lembranças, peças ainda acopláveis a ainda doces imaginações.

Não só pessoas, mas também fatos, possuem vontade própria.
Pedem desfechos adequados.
Tão fortes são suas vontades que, quando não atendidos em seus caprichos, são capazes de perturbar "ad não sei quandum".
Deixam como legado, elas, as lembranças.
Agora, acopladas.
Do contrário, não teriam graça nem sentido.

As 10 camisas mais bonitas do futebol mundial

Depois de apresentar o ranking das 10 camisas mais bonitas do futebol brasileiro, chegou a hora de apresentar o mesmo ranking, agora para o futebol internacional. Vamos ao nosso top 10 de camisas do futebol mundial:

Décimo lugar- Celtic (http://www.kitbag.com/stores/celtic/products/product_maxzoom.aspx?maximage=prd_maxzoom_celtic-43438.jpg&intPID=43438): Na décima posição, a belíssima camisa do escocês Celtic, e suas inconfundíveis listras horizontais em verde e branco (cabe salientar, entretanto, que o Sporting Lisboa tem a camisa parecidíssima com esta).

Nono lugar- PSV (http://www.psvfanstore.nl/en/collection/home-tenue/psv-home-shirt-sr): O nono lugar do top 10 de camisas do futebol mundial pertence ao clube holandês no qual já jogaram Romário e Ronaldo.

Oitavo lugar- Peñarol (http://compulsivosfc.files.wordpress.com/2007/12/penarol.jpg): A camisa do Peñarol é lendária, principalmente no futebol sul-americano. Infelizmente, o clube passa por um péssimo momento, tanto que o seu último título nacional foi em 1996, com Jorge Fossati no comando. De lá para cá, nada de grandes conquistas.

Sétimo lugar- Barcelona (http://www.fcbarcelonashopusa.com/departments-home-kit-barcelona-09-10-home-soccer-jersey.html): O atual Campeão do Mundo aparece na sétima posição do nosso ranking.

Sexto lugar- Internazionale de Milão (http://store.inter.it/foto.asp?id=I9005): Outra camisa de beleza ímpar é a da Inter de Milão. Sexto lugar para ela.

Quinto lugar- Olimpia (http://tkaesportes.com.br/produto/camisa--olimpia--i/2121): Uma das camisas mais marcantes do futebol sul-americano.

Quarto lugar- River Plate (http://jabotis.files.wordpress.com/2008/07/river-plate-0608-a.jpg): O quarto lugar do nosso top 10 vai para a marcante camisa do River Plate, tradicional clube argentino.

Terceiro lugar- Arsenal (http://onlinestore.arsenal.com/invt/70000?temp=popuplargeimg&layout=popups&att1=l): A charmosíssima camisa do clube londrino leva a medalha de bronze no top 10 de camisas do futebol mundial.

Segundo lugar- Ajax (http://www.ajaxshop.nl/en/collection-adidas/hometenue/ajax-home-shirt-senior-0910): A camisa do Ajax é linda e muito marcante. E leva a medalha de prata no nosso ranking.

Primeiro lugar- Boca Juniors (http://compulsivosfc.files.wordpress.com/2008/01/boca-juniors-0708-a.jpg): A camisa do Boca é mágica, impõe respeito e parece ser capaz de jogar bola mesmo sem ter ninguém dentro. Por isso, é a grande campeã do top 10 de camisas do futebol mundial.

sábado, 9 de janeiro de 2010

As 10 camisas mais bonitas do futebol brasileiro

Hoje, me proponho a fazer um ranking das dez camisas mais bonitas do futebol brasileiro. É evidente que a escolha é muito pessoal. Exatamente por ser muito pessoal, excluo o meu clube do coração, o Inter, deste top 10. Meu coloradismo inevitavelmente colocaria o manto vermelho como a mais bela camisa do Brasil. Assim, por uma questão de critério, o colorado fica fora da disputa. Mas chega de lero-lero, e vamos ao ranking:

Décimo lugar- Botafogo (http://www.lojabotafogo.com.br/lojabotafogo/popup_image.php?pID=2569): Essa camisa tem um charme todo especial, e um dos distintivos mais bonitos do Brasil: a inconfundível estrela solitária. Por isso, aparece no nosso top 10.

Nono lugar- Cruzeiro (http://www.shopcruzeiro.com.br/uniformes/jogo/camisa-reebok-cruzeiro-i-2009-s-n-/prod029-9009-008.html?utm_source=cruzeiro_home&utm_medium=vert_esq&utm_campaign=cruzeiro_home_vert_esq_reebok_camisaloficial): Não é qualquer camisa azul que consegue atingir o nível de beleza da camisa cruzeirense. O azul do Cruzeiro é o azul do Cruzeiro, e só do Cruzeiro. O nono lugar é do clube mineiro.

Oitavo lugar- Portuguesa (http://www.lusamania.com.br/v3/produtos_det.asp?codProd=1145&cat=90): O clube mais simpático do Brasil possui uma camisa não menos simpática. Oitavo lugar para a Lusa.

Sétimo lugar- Flamengo (http://www.mundoflamengo.com.br/Produtos.asp?ProdutoID=1317): A camisa flamenguista é uma marca, uma grife por si só. E é muito bonita.

Sexto lugar- Paraná (http://www.lojadagralha.com.br/produtos_foto_big.asp?txtFoto=parana/jogo_01_09_frente): Uma das camisas mais bem concebidas do futebol brasileiro. Falta charme, tradição, mas é linda.

Quinto lugar- Atlético Paranaense (http://www.atleticoparanaense.com/o-cap/uniformes/principal.php): O furacão paranaense tem uma camisa que transmite muita força. É por esse motivo que aparece no quinto lugar do top 10 de camisas do futebol brasileiro.

Quarto lugar- Coritiba (http://www.coxastore.com.br/loja/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=01229): No quarto lugar, mais um clube do Paraná. É o coxa na área!

Terceiro lugar- Vasco (http://www.vascoboutique.com.br/loja/popup_image.php?pID=1945): Camisa marcante, charmosa. A terceira mais bonita do Brasil!

Segundo lugar- São Paulo (http://www.saopaulomania.com.br/produto/index_ch.aspx?cc=575&sc=594&fc=0&pt=&pc=90&nome=Camisa+Reebok+S%u00e3o+Paulo+I+2009+s/n%u00ba): A camisa são-paulina é símbolo de vitórias, e é daquelas que quando você vê, diz: é o São Paulo, só pode ser o São Paulo. Vez por outra, vai ser o Santa Cruz ou o Botafogo de Ribeirão Preto. Mas em 99% das vezes, tenha certeza: será o São Paulo mesmo.

Primeiro lugar- Fluminense (http://www.lojadoflu.com.br/interface/produto.aspx?prod=664): Beleza, charme, tradição, combinação harmônica de cores. É a camisa do Fluzão, grande campeã do top 10 de camisas do futebol brasileiro.

E amanhã, no Dilemas Cotidianos, o ranking das dez camisas mais bonitas do futebol mundial. Imperdível!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Pai animal

Leio no site R7 que um pai (?), ou melhor, um animal, deu uma surra no filho de dois anos, no vilarejo de Apamilca, na região de Pozo Almonte, no norte do Chile. A criança não suportou os ferimentos e veio a falecer. O imbecil era um boliviano que residia ilegalmente no Chile, e foi preso, por meio de denúncias dos vizinhos.

Segundo o pai/animal, ele estava apenas "educando" o filho, que havia urinado na calça. O pior, amigos, é que pais desse tipo existem aos montes por aí. São sujeitos desequilibrados, destemperados, que covardemente espancam seus filhos. Não possuem uma gota de capacidade argumentativa, não sabem dialogar, e tentam resolver tudo na base da porrada, como se porrada resolvesse alguma coisa.

Eu não consigo entender esse tipo de apelação. Em casos de teimosia demasiada, até cabe dar umas palmadinhas na bunda da criança. Só. Agora, casos como este, em que o idiota espanca o filho, sacode, bate com cano de pvc, e joga no chão, pelo simples fato de a criança, veja bem, uma criança de dois anos!, ter mijado nas calças, não tem explicação.

Particularmente, fico indignado com esse tipo de coisa, e torço para que este sujeito mofe na cadeia, e se possível seja a mocinha de lá. Um cara que age dessa forma contra o próprio filho, uma criança absolutamente indefesa, me parece um caso irrecuperável.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Vândalos

São absurdas e lamentáveis as atitudes de parte da torcida do Grêmio em Bento Gonçalves. Por lá, estes vândalos disfarçados de torcedores arremessaram pedras e garrafas no ônibus da delegação colorada, e criaram grande confusão no hotel em que o Inter está concentrado. Ao invés de se preocuparem com o seu Grêmio, esses caras fazem de tudo para perturbar o Inter.

É bem verdade que não há nada de novo nisso. Nos últimos anos, com a escassez de títulos e de empreitadas bem-sucedidas do clube tricolor, o Grêmio, e setores de sua torcida, só tem se preocupado com o Inter. Quer exemplo maior do que a última rodada do Brasileirão 2009, onde torceram contra seu próprio clube para prejudicar o colorado?

Digo mais: não é a primeira vez que o recalque tricolor com o sucesso colorado se reflete em atos de vandalismo. Sem muito esforço de memória, lembro-me dos banheiros químicos no Gre-Nal do Brasileirão de 2006; dos tiros desferidos contra a fila de torcedores colorados que compravam ingressos para um Gre-Nal em 2008; dos ataques ao relógio do centenário colorado, também em 2008; e da queima da bandeira gigante do Inter no Beira-Rio, no mesmo ano.

Quero deixar claro: há gremistas & gremistas. Há os gremistas de verdade, que vêem o seu clube e a sua paixão de forma sadia, sem atacar, sem ofender aos outros, sem destruir o patrimônio alheio, levando o futebol do jeito que tem que ser levado entre rivais: na brincadeira, na flauta, na descontração. Porém, a imagem do clube e de sua própria torcida tem sido manchada por esse grupo de idiotas que se acham mais machos do que o resto da humanidade, e que encaram o futebol como uma religião fundamentalista, em que o rival, simplesmente por ser rival, deve ser destruído a todo custo.

Em futebol, se ganha com bola. Não com pedras.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

E vem aí mais um Big Brother...

Já se começou a falar da porcaria do Big Brother. Vem aí mais um show de imbecilidades e idiotices de todo o tipo, para todos os gostos.

Claro que o BBB tem alguns lados positivos. Por exemplo, coloca mulheres, em sua maioria gostosíssimas, a desfilar em minúsculos biquinis, pra lá e pra cá. É a tv a rabo cada vez mais vigorosa!

Entretanto, eu, particularmente, estou louco para que a fórmula dessa porcaria de programa se esgote o mais rápido possível. Já passei do tempo de bater punheta. Por isso, pra mim, ver um monte de boazudas retardadas, malhando, nadando e falando merda com um monte de caras desprovidos de cérebro não me apetece nem um pouco.

O pior de tudo isso é que o povo durante os meses em que esse lixo é veiculado só fala, pensa, respira e come Big Brother. Como se fosse assaz interessante saber se o Julião vai votar na Roberta, ou se a Mirella vai ficar com o Marcelo.

E o tal do BBB possui efeitos absurdamente devastadores. Isso porque esse bando de gente inútil acaba ditando comportamentos fora dos limites da "nave" do Pedro Bial. Reproduzem-se, assim, valores de alienação, preocupação exacerbada com padrões estéticos, e idiotização. Afinal, assim é o Big Brother: quanto mais idiota, imbecil e retardado for o sujeito, melhor. Massa cinzenta? Pra quê? Dá muito trabalho. Viva a massa muscular!

Façamos um acordo: para o bem da humanidade, para o bem da população brasileira, seria ótimo que essa porra de "nave" explodisse. É a única esperança de que sobre vida inteligente por essas bandas...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Bóris Casoy

As declarações de Bóris Casoy, vazadas no Jornal da Band, desdenhando do desejo de feliz ano novo de dois garis, chamando-os de "o mais baixo da escala de trabalho", reflete o que toda uma elite nacional quer dizer.

Infelizmente, num país de claríssimas desigualdades sociais, a elite é cega, interesseira e porca. Mais do que em outros países. Trata-se de um efeito de amedrontamento. Em países com relativos graus de bem-estar social, as classes subalternas aparecem como menos ameaçadoras, porque menos revoltadas.

Já em países latino-americanos, principalmente em contextos nos quais as classes populares passam a ocupar um papel de relativo destaque, com políticas de resgate de injustiças históricas, as classes mais abastadas sentem-se na obrigação moral de imporem-se, de algum modo, mesmo que truculento e grosseiro.

Essas elites, a bem da verdade, borram-se pernas abaixo, e coçam-se da cabeça ao dedo mindinho, ao pensarem nos setores populares. Movimentos populares reivindicatórios de justiça social? Criminalize-se! Protestos contra um sistema fracassado, que dá sinais de esgotamento mundo afora, e só serve ainda para meia-dúzia de bebedores de champagne francês? Porrada na cambada!

Eis a total e absoluta falta de argumentos. Os ricos querem ridicularizar os pobres, fazê-los sentirem-se incapazes e fatalistas perante suas situações. Dentro da apregoada "livre competição", as elites querem que as massas creiam que estão em desvantagem por incompetência própria, e não porque estamos em meio a um sistema global que prima pelo acirramento de disputas entre desiguais, disputas estas de resultado pré-concebido.

Bóris Casoy, em sua declaração preconceituosa, simbolizou toda a mesquinhez e limitação intelectual da elite brasileira. Isso sim, é uma vergonha.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Obrigado, Clemer!

O goleiro Clemer já declarou à imprensa que parará de jogar futebol, e pretende, a partir desse ano, continuar na área, exercendo outra função. Convenhamos: estava mais do que na hora. A idade pesa, isso é inevitável.

Clemer é uma figura histórica do Sport Club Internacional. Trata-se do goleiro mais vitorioso dos 100 anos do clube. Com ele no gol, o Inter mudou de patamar. Com ele no gol, o Inter tornou-se uma potência do futebol sul-americano e mundial.

Não há como não ter gratidão a Clemer Melo da Silva. Ele foi fundamental principalmente nas finais da Libertadores de 2006, e no jogo contra o Barcelona, que nos valeu o título do Mundial Interclubes. Jogou muita bola, em especial no Morumbi e em Yokohama.

Durante os oito anos em que esteve como goleiro profissional do Inter, Clemer foi raça, alma, fibra. Clemer tornou-se colorado. Tinha algumas deficiências técnicas muito claras. Não foi um goleiro top. Mas foi uma figura emblemática, vencedora; foi uma liderança e uma marca registrada do Internacional mais vencedor de todos os tempos.

Clemer quer ficar no Inter. O Inter quer que Clemer fique. Cogita-se a possibilidade de que ele seja treinador de goleiros. Não me agrada muito essa ideia. Na comissão técnica, Clemer seria mantido entre os reles mortais, expostos à cobrança diária. Acredito que o goleiro Campeão do Mundo FIFA mereça um cargo mais significativo do ponto de vista simbólico. Clemer poderia ser elevado a algum cargo dentro da direção de futebol do clube. Tenho certeza de que ele teria muito a contribuir. Acima de tudo, ele merece, por tudo o que fez pelo Inter.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Palestra

Estão todos sentados no auditório, perfeitamente disciplinados. Uma autoridade qualquer fala um monte de coisas que ninguém compreende com exatidão. No entanto, todos aplaudem, convicta e bovinamente.

Jair está lá, no meio dos crentes. Digo, espectadores. Assim como praticamente todos no recinto, não entende bulhufas. Mesmo assim, para mostrar-se incorporado e intelectualizado, aplaude, e faz gestos de concordância com a cabeça. Ora bolas, ali está uma unanimidade da sua área, quem se atreveria a contestá-la, não?

A autoridade fala, fala, fala, os termos rebuscados floreiam o absoluto vazio do discurso que na prática ela jamais aplicou. Fala com falso conhecimento de causa de uma sociedade a qual não vive. Apregoa complexas soluções nas quais, de fato, não acredita. A pessoa por trás da autoridade é um oposto simétrico daquilo que defende para a apatetada plateia.

Jair passa, então, a impacientar-se. Fosse mais curto o enfastiante discurso da autoridade, ele ficaria quieto, aplaudiria, e iria embora. Mas não foi. E, ao final da pregação, digo, palestra, abriram-se espaços para os questionamentos da plateia.

Rasgados eram os elogios. Brilhante, incrível, excitante! Esses eram os adjetivos mais utilizados nos questionamentos, que na verdade eram uma singela desculpa para a rasgação de seda típica destes eventos em que um sábio demonstra para um bando de almas semi-iluminadas toda a sua sapiência, para que, já com a visão totalmente clara, todos saiam suspirando as belas fórmulas e o verdadeiro sentido da vida.

Jair, o último a perguntar, no entanto, foi o mais simples e curto. Perguntou: - Senhor, me desculpe. Mas não entendi nadica de nada do que foi dito nessa palestra. Não vi muita lógica e plausibilidade no que foi dito. O senhor poderia explanar melhor sobre isso?

As vaias tomaram conta do ambiente. O gado, a legião de seguidores, inconformada com tal insolência, agora via-se transtornada. Jair nada mais fez do que colocar o dedo na ferida que todos ali tinham, cheia de pus.

A autoridade, arrogante e presunçosa como no discurso aparente de consumo externo jamais fora, deu o chamado carteiraço. Disse simplesmente: - Você não deve ter lido com a devida atenção os setenta e cinco livros que escrevi. Deste modo, fica difícil explicar tão brilhante teoria para alguém que não tem suficiente bagagem para entendê-la.

A plateia foi ao delírio. Dirigiu-se à autoridade e levou-a em triunfo até a porta do auditório. Jair, linchado moralmente, baixou a cabeça e foi embora. Eis que tudo na vida tem um tanto de crendice. Talvez a maioria das pessoas precise disso para viver em paz.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Ano novo

Passei um bom ano novo. No litoral gaúcho, mais especificamente em Cidreira, me reuni com alguns amigos em uma casa por eles alugada. É claro, houve contra-tempos. Ô, se houve.

Logo no dia 30, jogando futebol à beira-mar, pisei num prego enferrujado, de uma tábua que alguma mente brilhante deixou no meio da areia. Tome posto de saúde, demora no atendimento, e nada de vacina anti-tetânica, que mandaram que eu fizesse quando voltasse a Porto Alegre. Tudo o que fizeram foi abrir o pé para limpar o sangue.

Passei o reveillon tomando antibiótico e anti-inflamatório, não podendo, assim, beber. Entretanto, no dia primeiro abri mão dos remédios para tomar um gorozito básico, regado a vodka, cerveja e vinho.

Outro contratempo absurdo é a falta de terminais bancários na cidade de Cidreira. Banco do Brasil, por exemplo, só no Mercado Asun. No dia primeiro, com o Asun fechado, fiquei impossibilitado de sacar dinheiro. É lamentável que uma praia da dimensão que Cidreira tem no litoral gaúcho apresente problemas tão graves de infra-estrutura.

Apesar de tudo isso, valeu muito a pena. Recarreguei as turbinas, e estou pronto para os desafios do novo ano. Estamos, pois, em 2010.