quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Surpresa desagradável

Ao chegar em casa, numa quinta-feira à noite, lá pelas onze horas, Humberto deparou-se com uma cena estarrecedora. E ficou, como talvez não pudesse ser diferente, em estado de choque. Lá, no chão da sua sala de estar, estava atirado um presunto.

A cena deixou o rapaz atordoado. Quem teria entrado em sua casa? Quem teria cometido tal atrocidade? Desnorteado, sentou no sofá e começou a pensar. O que fazer naquelas difíceis circunstâncias? A quem ou a o que recorrer?

Matutava, matutava, e as ideias embaralhavam-se em sua mente. Não havia atitude correta que pudesse ser tomada ali. Tudo parecia perigoso, e um tanto imoral. Humberto pensava em telefonar para alguma autoridade que pudesse, talvez, dar uma luz, ajudar a tirar alguma conclusão. Mas, haveria a chance de ser moralmente julgado por aquilo. O que fazer, então?

A alma corroía-se. Pensou, também, em ligar para algum parente, algum amigo que pudesse pensar junto e ajudar na solução do problema. Mas seria uma tentativa vã, pelo adiantado da hora.

Então, continuou pensando, pensando, pensando, esquentando a moringa. Era um dilema praticamente insolúvel. Já era pra lá de meia-noite e meia quando o rapaz tomou uma decisão, talvez dura, difícil.

Pegou o presunto na mão, levou-o à torneira da cozinha, e deu uma enxaguada. Fatiou, pegou o queijo na geladeira, e fez um sanduíche. Um sanduichinho, quando se chega exausto e faminto em casa, vai bem. E o que não mata, engorda.


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