sábado, 26 de dezembro de 2009

Ressurreição

Estou neste exato momento ouvindo "Heart-shaped box", uma das grandes músicas da trajetória do Nirvana. Por sorte, o espírito grunge, aos poucos, tem voltado a ocupar algum espaço no cenário musical internacional. Pode ser, amigos, que aí resida uma esperança de salvação do rock.

Não que não haja coisas boas no rock anos 2000. Nada na vida é tão desgracento. Bandas como Audioslave, Strokes e Kaiser Chiefs merecem respeito. Entretanto, parecem não ter suficiente carisma e explosão. Dessa forma, fato é que o rock aparece, principalmente nos últimos anos, como um triste e melancólico moribundo na UTI. Muito lixo tomou conta do cenário, principalmente com a emergência do gênero emo, que trouxe consigo uma espécie de ode a melodias pobres, vocais ridículos e letras vazias. Logicamente, há boas bandas do tipo, como My Chemical Romance e Fall Out Boy. Mas prevaleceu a "vertente simpleplainiana".

Assim, tem-se passado por um processo de forte erosão do rock na esfera mais comercial. Nos subúrbios, nos porões, o rock não morreu, e está mais forte e saudável do que nunca. Mas no âmbito mais amplo, de maior alcance, tem-se estabelecido uma hegemonia do "você foi embora e agora vou tomar um porre de Fanta Uva". Parece-me óbvio que estas bandas não possuem a mínima condição de manter-se no cenário por mais de dois anos daqui para a frente. Tal qual o axé baiano, tipo "É o tchan", isso aí tem prazo de validade, prazo este que já está expirando.

O que é de preocupar é a absoluta falta de legado na qual o rock corre o risco de cair. Que caminhos poderia seguir nosso querido e amado rock tendo esta (falta de) referências sérias? É por isso que acho louvável o brilhante ressurgimento de bandas como Alice in Chains, com o fantástico álbum "Black gives way to blue". Pearl Jam também reaparece com certa força. São essas bandas, recicladas do grunge, no qual se aprofundam os sentimentos e inquietudes humanas sem pensar na receptividade do mercado, que tem alguma chance de reassentar o rock. Essa é a essência do rock: a sinceridade.

O mercado de músicas descartáveis, no qual se incluem 95% dessas bandas que fazem lembrar de longe o rock'n'roll, é feito para vender. Nele, se compõe com o bolso, com a projeção daquilo que determinado público quer ouvir, para lucrar, só para lucrar. Isso vai contra os princípios fundadores do rock. Por isso, louve-se a expectativa de ressurreição! Tomem conta, Alice in Chains, Pearl Jam, Audioslave! Vocês são a minha esperança!

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