sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Porcos

Os porcos vagam pelo chiqueiro. Eles esperam por ração. Olham-se. Encostam-se, por vezes. Os porcos esparramam-se pelo espaço que lhes é destinado.

O dia escurece. O dia já é noite. E lá estão eles, os porcos. Um pouco famintos. A lama cobre seus corpos. E eles se olham. Mais uma vez. Não basta serem porcos. São porcos que se olham. Parecem gostar de se olhar.

Lá vem o fazendeiro. Bondoso, caridoso fazendeiro. Ração. Água. Tudo o que eles, os porcos, precisam para sobreviver. Tudo o que eles necessitam para, talvez, serem felizes.

Linda, bela a noite. Sossego nos corações suínos. Alegres, oinc, oinc, oinc. E alegram-se com o clarear do dia. É sol. É calor. É mais um dia no chiqueiro. Oinc, oinc, oinc...

Chega o fazendeiro. Bondoso, caridoso fazendeiro. A faca no coração. Inabalável e indiscutível faca. Com ela, não há diálogo. Não há oinc oinc que a detenha. Lá estão os porcos, se olhando. Lá estão os corações suínos, sossegados, talvez mais do que nunca. No espeto.

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