terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O "ídolo" e o mijo

Li um texto interessantíssimo do Régis Tadeu no site do Yahoo, no qual ele analisa de forma muito precisa a relação que alguns "ídolos" estabelecem com seus fãs. No caso, o colunista se refere a um episódio em que uma menina-fanzoca-histérica bebe (ou finge beber) a urina do baterista de uma banda emo, chamada Strike.

A mim, especialmente, chama a atenção o fato de que esses caras dessas bandas de meia pataca são os que mais gostam de adotar esse tipo de postura ridícula. É como se eles necessitassem de uma espécie de auto-afirmação. Afinal, se a música é ruim pra dedéu, e passa a uns doze mil anos-luz do rock, pelo menos a atitude tem que ser... "atitude". Só pode ser algum tipo de recalque, ou coisa mal-resolvida da infância.

Fato é que através desse tipo de conduta, o sujeito foi absolutamente congruente com o que a imagem de sua banda passa: abobalhamento, mediocridade e imbecilidade. O papel do fã, nesse caso, também não é menos patético. Não há explicação plausível para a pessoa se submeter a esse tipo de humilhação e degradação. O pior é que a menina deve ter bebido o mijo do pau (que, presumo pela atitude auto-afirmativa do sujeito, seja algo próximo do microscópico) do cara e achado uma maravilha. Deve ter sonhado a noite toda com aquilo!

É, amigos. Às vezes acho que a juventude está realmente perdida. Que futuro poderá ser construído por esses bebedores de mijo? Não sei. Abaixo, reproduzo o excelente texto escrito por Régis Tadeu, intitulado "A urina da verdade" (http://br.noticias.yahoo.com/s/21122009/48/entretenimento-urina-da.html). Ele analisou o caso de forma brilhante.

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À esta altura da semana, você já deve ter visto uma das cenas mais degradantes dos últimos tempos na TV e na internet. Trata-se de uma cena - simulada ou não - em que uma garota desprovida de qualquer traço de inteligência e bom senso expôs sua lamentável figura em uma situação absurdamente vexatória no programa "Rock Estrada", do Multishow, que abordou o cotidiano de uma banda de 19ª categoria chamada Strike (veja aqui).

No vídeo, ela aparece bebendo uma mistura de suco, gelo e urina elaborada pelo baterista, um pateta que parece ter vários cromossomos a menos em seu DNA.

Nem vou discutir se a cena é verídica ou não - isso não importa. O que vale mesmo é a intenção de mostrar qual é o apreço que o artista ou quem quer que tenha uma banda demonstra em relação ao seu fã. Claro que há exceções, mas a grande maioria dos fãs é tratada exatamente como se vê no vídeo: com desprezo, arrogância e imbecilidade.

Filmada e desmoralizada em rede nacional, a garota pagou mais que um papel de trouxa. O que ela mostrou foi simplesmente uma completa falta de respeito para consigo mesma, uma atitude que é muito comum naquele tipo de fã histérica, que suporta ser tripudiada caso isso propicie uma maior proximidade com seu ídolo.

Claro que beber urina é pouco se comparado ao ato de ouvir uma única música dessa "bandeca" do início ao fim. Claro que cada um tem os ídolos que merece. Porém, de forma lamentável, essa garota - que parece não se importar com o que aconteceu, segundo averiguei - deixou claro que elo da corrente que liga uma banda ao seu público não passa de uma maneira de se divertir às custas da imbecilidade alheia. É como se o batera e seus companheiros cúmplices dissessem "é isto que vocês, que vão aos nossos shows e compram o nosso disco, merecem - um copo de mijo bem geladinho".

E outra coisa: parte desse vexame também deve ser creditado ao diretor do tal programa. Ao permitir que tais imagens tenham ido ao ar, ele simplesmente demonstrou o que pensa a respeito do telespectador. Gostaria muito de saber qual seria a atitude do tal diretor se a garota em questão fosse a sua filha ou um parente de algum diretor da emissora...

Sinceramente, alguma coisa precisa ser feita. Caso contrário, teremos no futuro gerações inteiras de idiotas - uma olhada na comunidade da banda do Orkut dá uma boa ideia do que espera os seus filhos daqui a alguns anos. É de estarrecer os mais otimistas. A gente fica com vontade de defender a tese de que certas pessoas deveriam ser impedidas de se reproduzirem.

Tempos atrás, escrevi aqui no Yahoo! um texto que causou certa indignação por parte justamente de uma massa de pessoas pouco pensantes, que não se conformaram em ver sua idolatria ser tratada como tintas racionais. Reproduzo abaixo uma parte desse texto, que cai bem a calhar nesta história toda:

Todo fã é um idiota
Sim, é isso mesmo o que você acabou de ler aí no título deste artigo. Antes de tudo, é preciso deixar claro: fã é todo aquele ser que chora por seu ídolo, que coleciona pastas e pastas com fotos de seu objeto de desejo, que tem seu quarto forrado de pôsteres do alvo de seu fanatismo (palavra que, não à toa, originou o termo "fan" ou "fã", dando uma 'abrasileirada'), que chora na porta de camarim, que passa dias e dias na fila, esperando o momento de entrar no local onde acontecerá o show de seu "amor não correspondido". Ou seja, é o retrato nu e cru, despido de qualquer racionalidade, de um idiota.

Se você é daquelas pessoas que adora o seu ídolo de uma maneira equilibrada, que aprecia o seu trabalho quando o cara manda bem, mas reconhece as pisadas na bola e os vacilos, então você não é um fã, mas sim um admirador. Você simplesmente gosta da banda ou de quem quer que seja. Você não o ama, não chora por ele, não grita, não se desespera quando um pedido de autógrafo é recusado, não pensa em cortar os pulsos quando recebe a notícia que seu "amor" vai se casar com uma outra pessoa que não é você. Você não é um fã. Você não é um imbecil.

E a verdade precisa ser dita, mesmo que ela seja muito dolorida para quem está lendo este artigo neste exato momento: o artista também acha que o seu fã é um idiota.

Ele sabe que esse amor desmedido é uma bobagem, um transtorno hormonal muito comum em adolescentes - embora sejam frequentes os casos de pessoas mais velhas se portando como bobalhões (em caso de dúvida, vá até a porta de um hotel de luxo que esteja hospedando um artista internacional e veja com seus próprios olhos).

O artista quer que você compre o disco dele e vá aos shows, que demonstre explicitamente a sua devoção comprando a camiseta da turnê, a edição especial do CD que está sendo "trabalhado" na turnê, o chaveirinho, o imã de geladeira. Todo artista no fundo, pensa "me ame, me idolatre, compre todas as bugigangas que eu soltar no mercado, mas fique longe de mim". Lamento, mas esta é a pura verdade.

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