sábado, 12 de dezembro de 2009

No cinema

Vitor não tinha nada para fazer naquela tarde de quinta-feira. Estava entediado, andando pelo caos urbano característico dos centros das capitais. Resolveu, então, ir a um cinema, assistir a um filme, passar o tempo.

O filme era um bom suspense. Daqueles envolventes, que envolvem o espectador. Vitor comia pipocas, enquanto seus olhos mantinham-se atentos, a película ainda no começo. Eis que, já com uns dez minutos do transcorrer da trama, adentram a sala do cinema três adolescentes cu-cagados, dois meninos e uma menina. Postaram-se duas filas à frente do rapaz. Riam, falavam alto, falavam bobagens, faziam tudo, menos ver o tal filme.

Vitor sentia-se incomodado. Havia pago oito reais para irritar-se com animalescos grunhidos de adolescentes com porra até os ouvidos. Conversassem no inferno, ora bolas! Entre uma pipoca e outra, o saquinho já no final, Vitor esforçava-se para manter-se atento ao desenrolar dos acontecimentos no telão. Quase que em vão.

O sangue subia à cabeça. Alguma solução haveria de ser dada àquilo. Vitor levava consigo um revólver. Levantou-se, dirigiu-se aos três adolescentes, e deu um tiro na cabeça de cada um. Foram os últimos barulhos e grunhidos que se ouviram naquela sala. Agora, só o som proveniente do filme. O rapaz finalmente conseguiu prender-se à trama no telão. Em paz. Paz obamística.

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