quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Fascistão

Absolutamente lamentáveis os comentários do protótipo de jornalista Luiz Carlos Prates da RBS de Santa Catarina, fazendo uma verdadeira apologia à ditadura militar (http://www.youtube.com/watch?v=PMTHhbwUAqw&feature=player_embedded). Empresas como a referida, diga-se de passagem, gostam de utilizar esse tipo de tática: travestem-se de democráticas ao mesmo tempo em que colocam meia dúzia de idiotas mal-comidos pra falar bobagem. E o pior: esse discursinho demente pega junto às massas.

Esse cara, para se ter ideia da figura de que estamos tratando, coloca-se frontalmente, por exemplo, contra as cotas em universidades públicas, baseado num discurso pseudo-meritocrático e mais simplório que os mendigos da Praça da Matriz (sem ofensas aos referidos mendigos, que possuem maior capacidade cognitiva).

A ditadura foi uma verdadeira mancha na história nacional. Ainda que um pouco, bem pouquinho, mais amena do que no restante do continente, perseguiu e matou inescrupulosamente uma penca de militantes políticos, além de perseguir estudantes, intelectuais, professores e esquerdistas que lutavam por liberdade, pelo direito de ir e vir e de se expressar.

Não é preciso ter vivido o período militar, como, ufa, não vivi, para saber todo o prejuízo provocado por tal regime, as limitações às liberdades de produção cultural, censuras de todos os tipos, e supressão de todo e qualquer tipo de manifestação ideológica contrária ao governo. Temos que repudiar frontalmente esse discurso nazi-fascista de Prates.

A democracia apresenta problemas? Sim, apresenta. Mas o problema não é propriamente o regime. Óbvio que não. Corrupção, patrimonialismo, clientelismo, são traços marcantes da matriz política brasileira historicamente, e a ditadura NÃO foi diferente. As dificuldades enfrentadas no Brasil possuem uma origem muito menos rasa do que a linha de raciocínio reacionária de Luiz Carlos Prates.

As históricas desigualdades sociais do país, pautadas por desigualdades distributivas, por manipulações quase que feudais persistentes em alguns estados, mandados e desmandados por coronéis que sobrevivem da miséria alheia, e que desemboca em cinismo e alienação política por parte dos cidadãos, que afastados das arenas decisórias colocam diversas modalidades de crápulas a representá-los, é que são a verdadeira raíz. Não é a democracia. Definitivamente, não é a democracia o problema, e sim o panorama social que dificulta sua efetiva implantação.

Coloquemo-nos energicamente, pois, contra todo e qualquer discurso autoritário e anti-democrático. Passos para trás não resolverão rigorosamente nada.

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