terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Chatos de ônibus

Há uma figura nefasta que, vez por outra, aparece nos ônibus da cidade. Aliás, das cidades. O chato do ônibus é um sujeito universal. Existe em Porto Alegre, em Belo Horizonte, em Natal e em Itapipoca.

Ele chega sempre muito feliz e disposto. Muita gente no ônibus já o conhece. Mas ninguém queria conhecê-lo. Algumas vezes ele liga seu radinho em alguma estação bem vagabunda, dessas que só tocam música ruim, e jura que está abafando.

Ah, e coitado do vivente que tiver a infelicidade de compartilhar o banco do ônibus com ele. Esse tipo de gente tem a capacidade de falar durante uma viagem inteira sobre todas as coisas desinteressantes da sua vida como se aquilo fizesse uma diferença monstruosa na vida do ouvinte.

O chato do ônibus não percebe que não está agradando. Ou talvez finja que não percebe, mas continua pelo mais puro prazer sádico. E não adianta nada o interlocutor fazer de tudo para subliminarmente mostrar que o chato é chato. Olhar para a janela com ar desinteressado? Não adianta. Só concordar e dizer "ahã"? Menos ainda.

E a maior desgraça que pode acontecer, com efeitos verdadeiramente devastadores, e que é capaz de fazer o chato do ônibus até mesmo sair conversando com você inclusive na rua, ao sair do coletivo, é emendar uma frase, QUALQUER QUE SEJA, ao "ahã". Aí, caro leitor, você estará solenemente ferrado. E digo mais: nesse caso reze, reze muito, reze fervorosamente, e com todas as suas forças, para não dar de cara de novo com o chato do ônibus. Ele vai querer ser seu padrinho de casamento!

Solução para o chato do ônibus? Até há. Mas é delicada e deveras drástica. A única esperança de se dar um jeito no chato do ônibus é a franqueza absoluta. E é algo difícil. Só mesmo falando: "cara, você é chato! Não vê que não me interessam nem um pouco as merdas que você fala e as pequenas mesquinhezes da sua vida?". Daí, quem sabe, talvez, ele se flagre e tome o prumo de suas ações. Mas esse tipo de sinceridade é algo que ainda não pratiquei. Magoar as pessoas, definitivamente, não é algo legal.

Às vezes, o mais cômodo, para todas as partes, é que se mantenha um sorrisinho de canto de boca. E torcer para não cruzar com ele, o abominável chato do ônibus.

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