sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A barata

É sábado, meio-dia em ponto. Juliano e a esposa Daniela degustam uma lasanha à bolonhesa comprada no restaurante da esquina. Tinham o costume de não falar nada durante as refeições. Apenas comiam e bebiam a Coca-Cola.

Estava gostosa a lasanha. Claro que dizer que uma lasanha é gostosa é praticamente uma redundância. Mas, enfim, agradava ao paladar do casal. O almoço transcorria calmamente. Então eis que, ao cortar nova fatia, Juliano depara-se com a saída de uma barata viva, incrivelmente viva, saindo do meio da carne moída. Olhou com espanto, e mostrou para Daniela, que em gesto assustado afastou a sua cadeira da mesa.

Juliano tratou de colocar aquela comida fora. Que coisa absolutamente horrorosa. A deliciosa lasanha era agora motivo do mais puro nojo. Já não era mais lasanha. Era uma barata carnavalescamente disfarçada de lasanha.

O rapaz correu para o banheiro junto à moça. Os dois queriam vomitar, em ânsia abrupta e incontrolável. Quando ambos praticamente chegavam ao sanitário, bateram-se, o suficiente para que vomitassem um no colo do outro. A nojeira estava feita. Daniela, indignada e enojada com aquilo, desferiu um golpe de punho fechado contra o rosto de Juliano. O rapaz agora estava caído com muito sangue no rosto, resvalando o corpo no vômito misturado.

A moça, apavorada com o que fizera, desnorteada, dirigiu-se à cozinha enquanto Juliano, enfurecido, levantava e dirigia-se a ela. Pegou-a pelo pescoço, enlouquecidamente, mas não de forma suficientemente incisiva de modo a evitar que ela pegasse uma faca suja que estava por lavar na pia, e enterrasse em seu estômago.

Agora, Juliano estava morto. Daniela, amedrontada com o futuro negro que talvez estivesse reservado ao seu destino, não hesitou. Lavou a faca, desinfetou- a, e enterrou em seu próprio peito. Os dois corpos, então, encontravam-se sem vida e caídos no chão da cozinha, sujos de sangue e vômito. A barata, por sua vez, ainda andava, indiferentemente, por sobre a mesa. Elas, as baratas, são destinadas à sobrevivência.

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