terça-feira, 15 de dezembro de 2009

"Artesanal"

O mundo tecnológico, sem dúvida, nos proporciona uma série de benesses. Informações instantâneas, distração, contato fácil, acessível, e diversidade de opções. Entretanto, há algumas coisas antigas que de vez em quando me despertam certa saudade.

Algumas das melhores lembranças da minha infância, remetem-me aos recursos da época, que para mim eram o máximo. Uma das coisas mais fantásticas das quais me lembro, é quando eu ia para o escritório de minha madrinha, Cleuza, e ela deixava eu usar a máquina de escrever. Era absurdamente mágico!

Também era muito interessante quando havia uma música que me amarrava, e tinha que ficar de plantão na frente do aparelho de som, esperando a abençoada hora em que a tal música iria tocar, para apertar o "rec". Era coisa de ficar horas, às vezes quase um dia inteiro esperando. E geralmente, o locutor era uma mala que começava a falar antes da música acabar.

Gravar filmes também era um barato. Tinha que ficar ligado para as horas do intervalo, para fazer os devidos cortes. Isso sem contar o fato de que depois era necessário conferir se a gravação havia ficado boa. O videocassete tinha sérios transtornos de humor.

Hoje em dia, na era do dvd, do mp3 e do Word, eu diria que as coisas ficaram "excessivamente" fáceis, quando considerada essa ótica mais romântica, do prazer das coisas. Antigamente, gravar uma fita de vídeo ou som era uma espécie de realização pessoal. Escrever numa máquina de escrever, para uma criança de menos de 10 anos, era incrível. Hoje tudo isso está moderno, acessível ao extremo. As coisas há alguns anos, tinham mais cara de artesanato, eram mais próximas, mais afetivas. Atualmente, não há trabalho, não há conquista em gravar um cd ou digitar um texto, como por exemplo, estou fazendo agora.

A modernidade é boa. Mas, às vezes bate uma nostalgia danada de como algumas coisas eram no passado.

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