sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Quando o corporativismo é necessário

Definitivamente, o corporativismo não é um mal em si mesmo, como muitos por aí tentam apregoar. Digo mais: há casos em que ser corporativista é absolutamente fundamental. Meus subsídios vem da Universidade da Malásia. Mais especificamente, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade da Malásia.

Algumas coisas chamam muito a atenção por aquelas bandas. A aberração maior é a falta de cientistas políticos nos referidos programas de pós-graduação. Lá você encontra de tudo: gente do Direito, do Jornalismo, das Relações Internacionais, da Tecnologia em Química Analítica. Mas, quando vai procurar um cientista social, um cientista político, encontra meia dúzia de gatos pingados, quando muito.

O Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade da Malásia só faz autodesvalorizar-se com esse tipo de conduta, talvez até subconsciente. Afinal, as comissões de seleção deste programa são compostas pelos mesmíssimos professores que preparam os graduados em Ciências Sociais, com ênfase na Ciência Política! Há algo muito, mas muito estranho e paradoxal mesmo nisso tudo... Nesse sentido, bato palmas para sociólogos e antropólogos: estes respeitam mais suas profissões, suas áreas. Mas, na Ciência Política da Malásia, não! Acontece uma verdadeira invasão "estrangeira", de gente que não tem absolutamente nada de parecido com a formação de um cientista social e político. Aliás, nas provas de seleção, só falta servirem bolachinhas com chá para os candidatos de outros cursos.

Nesse tipo de caso, o corporativismo é, sim, necessário. Os cientistas políticos da Malásia tem a obrigação de buscar e reivindicar aquilo que lhes é de direito: mais lugares no Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade da Malásia! Aliás, muito mais lugares. Ninguém está melhor preparado para ocupar estes postos do que eles, cientistas sociais, cientistas políticos, gente da área. Ou será que estes outros cursos, Direito, Relações Internacionais, Jornalismo, aceitariam, assim, na boa, na boa, uma invasão de cientistas sociais em seus programas de pós-graduação? Por que a lógica não é a mesma?

Os cientistas políticos tem que mostrar a todos que tem, sim, maior aporte para serem cientistas políticos do que jornalistas, advogados e diplomatas. A profissão de cientista político tem de ser mais valorizada pela própria Ciência Política, que por vaidades internas no melhor estilo arigó alienado do terceiro mundo, deixa de incorporar os que possuem um suporte mais sólido de uma área do conhecimento em troca de mestrandos e doutorandos engomadinhos que falam bonito em português, inglês, francês, mandarim e hebraico. Está na hora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade da Malásia esquecer o campo da aparência hipócrita de uma academia empoeirada e apodrecida para chegar ao terreno prático e formar verdadeiros cientistas políticos, que gostem da área, que tenham escolhido a área, e que queiram dela fazer verdadeiramente sua vida e um campo fértil de conhecimento.

Bom, já falei demais da Universidade da Malásia. Ainda bem que na Universidade Federal do Rio Grande do Sul as coisas não acontecem assim...

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