domingo, 8 de novembro de 2009

Ouvinte

Dedica-se, hoje, somente a ouvir.
Não sente-se suficientemente instigado a falar ou responder.
Sabe muito bem o que quer. E o que não quer.
O que lhe serve. E o que não serve.

Toda a baboseira falsamente baseada é isso, e só isso: baboseira.
Não fale do sol, quem nunca esteve lá.
Não fale de sonhos, quem nasceu para a insuportavelmente fria realidade.
Não peça que se queira mais, quem jamais soube o que é satisfação.

As certezas são de uma inutilidade desumana.
O discurso de quem não sabe e jamais se atreveu a tentar voar, será para todo o sempre tacanho.
É por isso que só resta ser ouvinte.
Conceder aos espíritos pobres a ilusão da sabedoria crua. É dar tempo ao tempo.

As realidades vividas são paralelas daqui ao infinito.
Por isso, a persistência das incompreensões.
Se estás feliz, caro amigo, sejas feliz, sigas feliz.
Não há ferramenta capaz de medir a plenitude humana.

Por isso, julgamentos de lugares desconhecidos são insignificantes.
É a pobreza de quem não sabe sorrir, de quem é incapaz de ver além de um metro ou um dia à sua frente.
A verdadeira riqueza não é numérica.
As mais genuínas ambições são simples como uma gostosa risada de um bebê frente à careta de algum bobalhão.
Siga, com suas vontades, anseios e realizações.
O resto é resto.

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