terça-feira, 17 de novembro de 2009

O jantar

Estela estava cheia de expectativas. Era uma quarta-feira, e ela pediu ao chefe para sair mais cedo e preparar um jantar especial. Naquele dia, ela completava 10 anos de casamento com Paulo.

Chegando em casa, tratou de preparar com as próprias mãos um verdadeiro banquete. Lasanha de quatro queijos, macarronada, uns cinco tipos de saladas, vinho do Porto. Ela tinha prazer em fazer aquilo. Cuidadosamente, atentou para cada detalhe para que tudo fosse perfeito, simétrico. Tinha de ser especial. Tinha de ser inesquecível.

Acendeu velas na mesa, deixou os pratos perfeitamente dispostos, e foi tomar banho. Vestiu seu mais lindo vestido, vermelho, revelador na medida exata. Maquiou-se delicadamente. Ficou lindíssima, o máximo que seria capaz de ficar, e realmente é uma mulher de boas feições. Tratou de ficar fatalmente estonteante.

Tudo pronto, apagou as luzes e ficou aguardando. Dali a pouco, Paulo chegaria. E assim foi. Passaram-se cerca de dez minutos, e o barulho da chave na porta denunciava a chegada do amado. Ao chegar, Paulo olhou com fria surpresa. Sim, existe essa modalidade: a fria surpresa. Apagou as velas e acendeu as luzes.

- Amor, hoje fazemos cinco anos de casados, né?- disse Estela, como que justificando o cenário.
- Ah, é mesmo...- respondeu Paulo.

Comeram, beberam o vinho, silenciosamente. Tudo o que Paulo limitou-se a dizer é que estava com dor de cabeça. Só. Não sinalizava gostar ou desgostar da lasanha, do macarrão ou das saladas. Mas comeu tudo. Ao terminar de comer, Paulo dirigiu-se ao banheiro, para banhar-se. Estela dirigiu-se ao quarto.

A moça vestiu seu lindo baby doll novo, comprado durante o horário de almoço daquele mesmo dia, e aguardava na cama, recostada sobre o braço direito. Paulo chegou, ainda com a toalha na cintura, e vestiu seu pijama. Desejou boa noite, deitou, virou-se, e dormiu. Estela ainda teve de apagar a luz.

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