sábado, 28 de novembro de 2009

O homem e as intimidades

O sol brilha, dando um colorido especial ao gramado, às árvores, às folhas. Isso faz todo o sentido para Gustavo. Ele está sentado num parque, pensando em seu passado. Banhava-se nos raios solares com paz interior e uma tranquilidade que parecia até então não ter experimentado.

Deitou-se, fechando os olhos. Sonhava, criava cenários mentais, ouvia a harmoniosa sinfonia do canto dos pássaros. Ele gostava disso. De repente, quando abriu os olhos e voltou a sentar, deu de cara com uma moça deitada, pernas flexionadas, um vestido mais do que curto, e uma calcinha vermelha, cavadíssima, atochadíssima. De frente.

Era casado. E aquilo parecia um ímã para seus olhos. O gramado, o sol, as árvores, tudo tornara-se moldura daquela imagem íntima, intimíssima, da moça. Aquilo era canalhice pura, uma verdadeira cafajestagem. Sentia-se constrangido, sentia-se observado. Mas seus animalescos e carnais instintos remetiam seus globos oculares, inevitavelmente, para aquele corpo exposto, as nádegas brancas, macias e sobressalentes, a calcinha tão reveladora, úmida do calor que fazia no local.

Gustavo imaginava-se cheirando aquela calcinha. O odor daquele suor vaginal havia de ser um perfume dos deuses, um tanto hipnótico. Sentia vontade de beijar cada centímetro daquelas intimidades, despudoradamente. Gustavo sentia-se um sortudo. A sorte de observar aquele corpo de ângulo tão incrivelmente privilegiado era tão grande quanto ganhar uma Mega Sena.

O ímã continuava lá, remoendo-o, lembrando-o com certa vergonha de que tinha uma esposa, um casamento, instigando-o, deixando todas aquelas sensações primitivas em estado de nudez. Aquele corpo feminino não só revelava as curvas e carnes de uma mulher. Revelavam o homem por de trás de toda a moral, bons costumes e normas. As normas, a moral, afinal, servem também como uma forma de cercear os instintos humanos, já que suprimi-los é impossível.

Ali, naquele gramado, Gustavo e as intimidades da moça criavam uma espécie de relação conflituosa interior no homem. Era um duelo sangrento do id com o super-ego. Às vezes, é inevitável: o id vence.

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