segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Naufrágio colorado

O atual naufrágio do futebol colorado é multifacetado. São várias as razões para o momento constrangedor vivido pelo Inter no Campeonato Brasileiro. Mas tudo começa por uma diretoria desastrada, omissa e deitada em berço esplêndido. Da dupla Píffero/Carvalho nascem os problemas mais graves do Internacional, não só como time de futebol, mas também como instituição. E dói muito ter de criticar os dois dirigentes que lideraram o clube até o mais alto posto do futebol mundial, tenham certeza. Mas, assim é a vida, e quem vive de passado é museu, já diria Ben Stiller. Restringir-me-ei a três pontos, que acredito serem raízes do mal que tem afligido o colorado, agravando-se nos últimos meses. Vamos a eles.

1. O Inter se acha. A instituição Sport Club Internacional vem se tornando, paulatinamente, elitista e arrogante em termos de imagem e discurso. Me causa profundo incômodo ouvir Vitório Píffero remetendo-se aos (e só aos) associados do Internacional. O discurso colorado hoje despreza sua própria torcida e seu próprio lema de "Clube do Povo". O Inter é de sua torcida. Não é de Píffero, não é de Carvalho, nem mesmo é de 100 mil sujeitos que detêm uma carteirinha de sócio. O Inter é dos colorados. De todos os colorados. O Inter pertence tanto ao associado mais religiosamente em dia quanto ao cara que vende balas na parada de ônibus envergando orgulhosamente a camisa surrada comprada por quinze pilas no camelô da Rua da Praia num domingo ensolarado de 1997. E mais: o Inter é campeão de tudo? Beleza. Sejamos, agora, Bi-campeões de tudo, pô.

2. A direção está fora da casinha. É estarrecedor ler e ouvir os discursos de Píffero e Carvalho. Dizem os semideuses colorados: o Inter vendeu Nilmar porque já tinha a reposição: Alecsandro. Vendeu Alex porque já tinha no elenco o substituto pronto e à altura: Taison. Isso chega a ser uma ofensa à inteligência do torcedor. Das duas, uma: ou Carvalho e Píffero estão mentindo deliberada e discaradamente para a torcida, e, por consequência, para os aclamados 100 mil sócios; ou eles realmente acreditam nas barbaridades que falam. Seja qual for o caso, o negócio é arrancar os cabelos e sair gritando: "Eu sou Napoleão! Bilu, bilu, teteia!".

3. O futebol colorado é omisso. Não há explicação para, desde 2007, desde a saída de Ceará, o Inter não ter, pelo menos, tentado contratar um lateral-direito de qualidade. De lá para cá, ou se tem um improviso na posição, ou uma ruindade daquelas de deixar um torcedor do Íbis ruborizado. Isso quando não se sublima e se coloca uma pereba improvisada na função. Além disso, a direção demorou uma eternidade para demitir o há horas desgastado Tite, e quando o fez, com Muricy e Luxemburgo devidamente empregados, contratou o lunático Mário Sérgio, que, dentre outras peripécias, escala o melhor zagueiro do elenco na... lateral-esquerda!

A verdade, crua, cruel e gritante verdade, amigos, é que o Inter está perdidinho da Silva Sauro. Os dirigentes, outrora grandes vencedores, hoje vivem uma realidade paralela e debocham da cara do torcedor com declarações do naipe de "é muito difícil jogar contra o Barueri fora de casa". Chega a ser um desrespeito com a coloradagem um Fernando Carvalho, que fez esse clube ganhar do Barcelona um Mundial Interclubes, dizer uma coisa dessas. Mas sejamos, afinal, positivos. O Inter está classificado para a Sul-Americana 2010. Uêêêêêba!

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