quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ensaio sobre o cocô

Não sabemos se nos próximos dias, nas próximas semanas e nos próximos meses estaremos tristes ou felizes, no paraíso ou no inferno, motivados ou deprimidos. Mas sabemos que, de um jeito ou de outro, faremos cocô. O cocô é uma das poucas certezas que temos na vida.

O cocô é nojento e fede. É uma obra de arte bizarra do nosso organismo. O ânus e as nádegas também contribuem, esculpindo a plasta marrom. Claro, há os dias em que o corpo se recusa a tornar tal ato em obra burilada. Às vezes sai, e pronto. Sem forma mesmo, em estado líquido. É arte pós-moderna.

Quando soltamos o bendito barro, principalmente quando tomados de incontrolável desejo, ah, é sublime. Um verdadeiro ato libertário. Vaso sanitário ou morte! Quando, no trono, nos livramos daquele negócio agora inconveniente, que ontem ou anteontem era uma saborosa lasanha ou um delicioso pudim de leite condensado, aquilo, somente aquilo, configura todo o sentido da vida.

Além disso, o cocô é democrático. Da minha bunda sai cocô. Da bunda da Sabrina Sato sai cocô. Da bunda do Lula sai cocô. Da bunda do Serra sai cocô. Da bunda do Sarney sai cocô. Da bunda do Obama sai cocô. Da bunda do Hitler também saía. É claro que, merda por merda, tem gente que a tem na cabeça. Tem gente que fala merda. E tem gente que escreve merda. Tipo, eu.

O cocô também sabe, e como sabe, constranger. Exame de fezes, por exemplo. É um constrangimento e um incômodo duplo. Primeiro, quando se tem que encaixar o bendito copinho no rabo e mirar. E não pode ser muito grande, sob pena de o copinho não aguentar e aquele merdelê, argh, bater na mão. Não bastando isso, depois ainda temos que levar o tal copinho de mousse de chocolate para o laboratório. Oi, moça! Tá aqui o meu cocô.

O cocô é um mal necessário. Não há como viver sem o cocô. Agorinha mesmo, tenha a certeza fatal, caro leitor: há pelo menos um pouquinho dele dentro de você. E quando você for à praia admirar belas bundas em minúsculos biquinis, lembre-se, pelo menos por prazer sádico: aquelas belas bundas em minúsculos biquinis também cagam.

Bom, por enquanto chega. Esse texto ficou uma merda. E estou cagando e andando pra isso.

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