sexta-feira, 20 de novembro de 2009

E fez-se a luz!

Passei praticamente o dia todo de ontem às escuras. Após o breve passeio de início de tarde dos cavaleiros do apocalipse por Porto Alegre, lá pelas quinze horas faltou luz para somente voltar hoje no meio da manhã.

O lado bom disso é que fui dormir cedinho, e acordei com a bateria totalmente recarregada. Mas, confesso, desde pequeno fico um tanto angustiado quando falta luz, e os raios e trovões ocupam os espaços dos meus pensamentos. A sensação que me dá é que a CEEE esqueceu completamente que eu existo, e que nunca mais a luz vai voltar. Mas volta. A luz volta. O sol volta.

Talvez seja uma tendência intrínseca à minha pessoa encarar a vida exatamente dessa forma, como nos dias de temporal e de convidativo sol. Quando a coisa tá preta, e os raios cortam o céu, sinto como se jamais eu fosse sair das profundezas do abismo. Mergulho em minhas tristezas e, um tanto medroso, superficializo minhas alegrias. Quando a situação é boa, sinto-me como no prelúdio da tragédia. Como se a mim não fosse reservado o direito de ser verdadeiramente feliz. É como se houvesse uma preponderância inevitável daquilo que é negativo. Como se tudo de bom que se vive fosse tão somente uma ilusão, uma trapaça da vida para tornar a queda ainda mais dolorosa.

Fato é que a luz sempre volta. O sol sempre volta. E eu tenho que de alguma forma me acostumar com isso: tanto as tristezas quanto as alegrias sempre voltam. Com novas capas, novos embrulhos, mas sempre voltam. O negócio, então, é ter sempre esperança e humildade. Esperança para ter a certeza de que tudo passa, tudo melhora. Humildade para saber que o que é bom também passa, não somos senhores do tempo nem do espaço. Mesmo assim, vivamos, simplesmente vivamos. Curtindo o que há de melhor, e esperando as tempestades passarem, quando estas venham a surgir no céu.

Tenham certeza, caros leitores, isso não tem nenhuma pretensão de auto-ajuda, até porque eu jamais seria alguém indicado para isso. É simples constatação empírica.

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