terça-feira, 3 de novembro de 2009

Da falta absoluta de inspiração ao Jornal Nacional

Estou naqueles dias em que simplesmente inexistem ideias para escrever um texto minimamente interessante. Vasculho sites, leio notícias de todo o tipo, mas nada parece me instigar suficientemente. Recorro à livre associação. Estou escrevendo sem a mínima noção de como vai terminar esse texto. Aliás, não estou escrevendo. Estou conversando. Enchendo linguiça. Vamos ver no que essa bagaça vai dar. Perdoem esse imenso vazio, caros leitores.

Ah, estava lendo um relato de um ex-repórter da Rede Globo, Marco Aurélio Mello (mais em http://www.fazendomedia.com/?p=1378 e http://maureliomello.blogspot.com/2009/10/voces-pediram-entao-ai-vai-mais-uma-da.html) dizendo que certa feita tinha pronta uma reportagem muito forte, bombástica, relatando pesquisas que associam o uso do álcool à violência, e a problemas de saúde pública para colocar no ar no Jornal Nacional. A editoria, muito sã (tsc, tsc, tsc), "colocou no freezer", para não correr o risco de prejudicar as empresas de cerveja, então responsáveis pelas maiores cotas de veiculação de comerciais da grade da emissora. Eureka! Já estou mergulhado num assunto! Beleza! Vamos que vamos!

Pois bem. Sou suspeito para falar de álcool, cerveja e outros quetais. Gosto duma birita que só eu. Não tenho, aqui, responsabilidade jornalística. Escrevo sobre o que quero, quando quero, e do jeito que quero. Não pretendo, e nem me iludo com a presunção de qualquer tipo de neutralidade. Por isso, não vou entrar no mérito da questão. Sou amigo da brejola e ponto final. Sei que não é das coisas mais saudáveis. Mas é um desses prazeres mundanos dos quais muitas vezes somos inelutavelmente reféns, e sem maiores remorsos.

Mas tenho que falar, isso sim, da mercantilização da notícia. E isso, exatamente isso, é grave. Gravíssimo. O caso relatado pelo ex-jornalista da Globo é mais um desses exemplos que cansamos de ver, ou ver e fingir que não vemos, de que as grandes empresas jornalísticas são cada vez mais empresas e cada vez menos jornalísticas. Defendem interesses específicos e tem por fim não a informação pura (esqueçam tal utopia; troquem essa expressão por "jornalismo honesto e romântico, mais próximo quanto possível do interesse da maioria". É a esse sentido ético que me refiro), mas a informação mais ilimitada e neutra dentro da limitação e das parcialidades previstas pelas corporações e mercados cujos interesses defendem por serem a fonte de seu objetivo final: o lucro. Paradoxo por si só, heinhô Batista?

Lógico que o William Cruela Bonner não é um cara malvadão-que-acorda-todos-os-dias-pensando-em-derrubar-Lula-e-a-classe-trabalhadora-muahaha. Mas está, inevitavelmente, a serviço de toda uma estrutura organizacional que depende de um sistema econômico. Está a serviço de uma... Empresa! Empresa essa que, dentro do jogo, e com todo o potencial oferecido pela liberdade de competição, defende seus próprios interesses e busca blindar ao máximo o sistema que lhe brinda as maiores oportunidades de otimizar receitas. A Globo, e qualquer empresa dentro da lógica capitalista, busca primeiro "o dela". Depois, pensa em crianças e esperanças. Claro, com algum abatimento de imposto!

Às vezes até me comovo com um certo humanismo da direita, que quer dar o máximo possível aos explorados, sem mexer na sua fatia do bolo, é óbvio. Pena que o "máximo possível" é menos, muito menos, do que o mínimo necessário. Acredito que, apesar da incongruência inerente ao marco teórico do livre mercado e da exploração do homem pelo homem, há direitistas bem intencionados. Afinal, eles sustentam que pode haver uma sociedade justa em meio a uma competição desenfreada entre desiguais. Sustentam também a gravidez sem penetração (Ave, Maria!). E também que se pode acender velas no vácuo. E dar risadas enlouquecidas vendo o Zorra Total. E que a Susan Boyle concorra (e ganhe!) o Miss Universo. Ora bolas, o mundo não está perdido! Viva!

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