quarta-feira, 11 de novembro de 2009

360 graus

Tento colocar a cabeça no travesseiro e dormir. Fecho os olhos, meio que forçadamente. Reviro-me para lá e para cá. Tudo isso, em vão. Penso em você mais do que nunca. Desejo você, de novo. Já nem sei mais se é um erro, embora até hoje não tenha sido, efetivamente, um acerto.

Quando você disse que eu apresentava algum brilho diferente, e que talvez fosse "culpa" sua, você tinha razão. Quando vejo seus olhos, a agressiva delicadeza de seus traços, fico irremediavelmente encantado. Entenda-me: não há como ser diferente. Sua luz me contagia e fortalece.

Claro que nem tudo são flores. Por favor, não me aponte mais aquilo. Não me interessa nem um pouco. E quero que não lhe interesse nem um pouco. Sei que isso é ciúme bobo do que não tenho. E sei que não faz sentido. Mas, e daí? Me incomoda, sim. Me machuca, sim.

Todos os dias me encorajo para, logo em seguida, recuar. Não quero mais sangrar, embora saiba estar padecendo de dolorosa hemorragia interna. Não quero exagerar. Mas quero feito um maluco existir para você. Meu coração dispara e aperta quando te vejo. Me sufoca. O empate me angustia, pois tenho medo de perdê-la, ou perder minhas ilusões e sonhos. Pareço estar condenado a isso.

Ah, minha amiga, é tão puro e doce o que sinto por você. Abandonaria minhas mais arraigadas convicções e ambições simplesmente pela certeza de tê-la ao meu lado. Com você, e só com você, eu me tornaria um Hércules, o mais forte, o mais aguerrido. Sorria para mim. Amo você e seu sorriso. Você é muito próxima e, inexplicavelmente, distante. Você é intimidade e estranhamento.

Quero, mais do que qualquer coisa, abraçá-la. Pegar, sem medo, em sua mão. Beijá-la, juntá-la ao meu peito, fazer de você, definitiva e inelutavelmente, parte de mim. E, claro, quero ser também parte de você. Quero pertencer, me incorporar, irreversivelmente, à sua alma e à sua existência. Você me desmancha. Desmonta-me e remonta-me ao seu bel-prazer, mesmo que sem perceber. Me tem em suas mãos. Mas, afinal, o que fazer comigo, não é?

Talvez eu não tenha a vocação necessária para conquistá-la. Já diria aquela canção: "amo você até os ossos". Não fique brava. Sei que se tratava, ali, da anorexia. Mas foi impossível não lembrar. Que ironia. Você pode não acreditar, mas é exatamente essa a música que começou a tocar agorinha mesmo no meu Media Player. Silverchair faz mais sentido do que a sua própria licença poética. Espero que seja uma espécie de aviso. Tomara seja, um bom aviso. Talvez isso seja tudo de que preciso por hora.

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