sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Trogloditas

É absolutamente inaceitável o comportamento adotado pelos estudantes da Uniban, de São Bernardo do Campo, São Paulo, ao quase lincharem uma estudante por ela ter ido à aula com "trajes inadequados". O que aconteceu nessa universidade é incrivelmente surreal.

Primeiramente, recapitulemos o ocorrido. A menina foi à universidade com um vestido rosa, muito curto, e causou verdadeiro alvoroço. A polícia teve que ser chamada para tirá-la do ambiente hostil. Sob urros de "Puta! Puta! Puta!", a moça saiu em estado de choque, quase que chorando.

Achar uma roupa vulgar, insinuante demais, é uma coisa. Fazer uma verdadeira revolução para tirá-la do ambiente de aula, é outra completamente diferente. Ela tem o direito de se vestir como quiser. Vive num país livre e democrático. Não estava nua, nem em trajes íntimos. Não estava infringindo nenhuma lei.

Esse mesmo tipo de gente retardada que fez esse papel ridículo e lamentável, é aquele que coloca calouros nas universidades expostos à humilhação e ao constrangimento público, em rituais animalescos. Esses mesmos puritanos são aqueles que nas recepções de bixos, n vezes se aproveitam de situações impostas à força para, inocentemente, passar tinta e outras coisas nas calouras mais bem apessoadas, em locais "estratégicos", como seios e nádegas.

Essa mesma energia tal gentalha não tem para se informar politicamente, reivindicar direitos cidadãos, tentar fazer do mundo alguma coisa de realmente melhor. Enquanto a moça do vestido rosa é "exonerada" de uma sala de aula, Sarneys, Collors e Calheiros refestelam-se nos tronos do poder. Na era do You Tube, grandes questões são pequenas. Não são marcadas nos "favoritos". O que realmente muda a vida é a prisão do glorioso Zina, o chip do Pedro, ou um bando de zé manés expulsando uma pessoa de um campus universitário.

Ninguém se preocupa mais com os verdadeiros problemas e a profundidade do caos que vivemos dia após dia, a supressão de valores humanos, a privatização da esfera pública, a destruição do planeta. O grande lance é o vazio e a inutilidade. Quanto mais rasteiro e superficial, maior o ibope e a popularidade. A vida está sendo redimensionada para alienar cada vez mais as massas. A realidade que importa se paraleliza a uma realidade intrigantemente virtual e estéril de sentido. Eis, caros amigos, a aclamada pós-modernidade.

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