segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Questionamentos e incertezas

Seria tão melhor se eu pudesse despejar tudo o que sinto. Seria tão melhor se minha liberdade não limitasse as demais liberdades, e se as liberdades de outrem não me limitassem. Seria tão melhor se eu pudesse genuinamente sonhar. Seria, sim, muito melhor, se estes centímetros não fossem anos-luz.

Sinto vontade de seguir forte, e cada vez mais forte. Fazer as coisas que eu quero acontecerem. Simples assim. Como se o mundo estivesse em minhas mãos. Como se tudo o que sinto vontade de ter estivesse ao meu alcance.

Tudo pode ser melhor, isso eu sei. Mas pode ser suficientemente melhor? Vale a pena, afinal, lutar para no fim das contas conservar uma incompletude perturbadora? Qual o potencial que eu tenho? Qual é a minha capacidade de realizar? Não sei. Não faço a menor ideia. Pode ser tudo. Pode ser nada. Pode ser pouco. Pode ser muito.

Até que ponto sou o dono do meu mundo? Ou do mundo todo? Em que medida sou centro ou periferia do universo? E quando tudo acabar, será que realmente vai acabar? Será que tudo o que sinto, o que sou, o que me compõe, é feito justamente para nada? Para ter o mesmo final de uma formiga esmagada por um All Star?

É uma absurda maluquice pensar ou projetar todas essas coisas. Tenho plena consciência disso. Mas, dane-se, sou maluco mesmo. Essa maluquice é uma dádiva dolorosa. Tudo parece cansativo. E só em mim mesmo, naquilo que sinto e penso, é que encontro reconforto. Sou, ao mesmo tempo, um micróbio desprezível e todas as coisas mais grandiosas e importantes. Sou puro conflito e incerteza interior.

O certo, o errado, o ser, o não ser, o concreto, o abstrato, tudo se mistura e só faz me confundir. Quero enlouquecidamente acertar. Mas não quero, diante de nenhuma circunstância, errar. Eu gostaria de saber ler a realidade que me cerca. E nesse sentido, sou um analfabeto absoluto. Procuro por mim mesmo em cada canto, em cada aposento dentro de meu corpo, de minha alma, do meu coração. Mas não me encontro. Me sinto uma besta inútil. Vejo as pessoas à minha volta e, salvo uma ou outra exceção, viver parece tão fácil!

O que haveria, então, de tão errado nisso tudo? Eu ou o esmagador restante? O restante existe mesmo? Não é tudo uma alucinação? Estou mergulhado em um mundo que não passa de ilusão, afinal? Não sei. Gostaria de saber. E sei que provavelmente eu nunca vá saber.

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