sábado, 10 de outubro de 2009

Notícias que (ainda) chocam

Não é nenhuma novidade que a violência vem sendo progressivamente banalizada, principalmente nas grandes metrópoles. Entretanto, notícias de certa natureza não deixam de chocar, causar espanto, e até mesmo um tanto de horror. O assassinato de um funcionário público de 50 anos em São Paulo, após buzinar para um carro que o fechou, quase provocando um acidente, se enquadra exatamente nisso.

O apodrecimento de determinados valores morais (aqueles mínimos para a convivência civilizada, como o respeito à vida, por exemplo) aparece como gerador desse tipo de estupidez. Não encontro outro termo pra definir esse tipo de ato: matar uma pessoa depois de uma buzinada! Acabar com uma vida, desestruturar uma penca de vidas que deviam rodear a convivência do homem, por causa de uma porcaria de um "fom-fom". Isso só pode ser chamado de estupidez. ES-TU-PI-DEZ.

Palmas para os pós-modernos. Clap, clap, clap. Viva o vale-tudo. Viva o "nada é, nada está, nada foi, tudo pode ser". Eis que estamos, ao invés de mais livres, mais vigiados. Mais auto-vigiados. Exatamente por tudo ser válido, nada pode ser feito, uma vez que não se pode adotar nenhum parâmetro, nenhuma referência em relação aos atos alheios. Somos, pois então, prisioneiros da incerteza.

Tudo fica, no constante desmanche das estruturas morais de convivência, atemporal, amoral e relativizado a um absurdo sem precedentes. Aqui, a discussão não é nem em relação à moldura jurídica: existem leis destinadas a regular, ainda que sem grande eficiência, o caos instaurado. O que se discute é a completa desproporcionalidade gerada por esse contexto autodestrutivo, nascido, sem dúvida nenhuma, no marco de um sanguinário capitalismo competitivo ao extremo, baseado num "quem pode mais, chora menos", que acaba por se reproduzir no cotidiano. Esta lógica fragmenta, mais do que isso, atomiza esquizofrenicamente, e de forma aparentemente irreversível, a sociedade ocidental.

Ô, se Durkheim estivesse vendo tudo isso...

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