terça-feira, 6 de outubro de 2009

Efeito Twitter

A internet tem várias virtudes, que são ao mesmo tempo graves defeitos. Seu dinamismo, sua capacidade de atualização, seus tantos recursos, são o que de melhor e o que de pior ela possui.

O tempo é cada vez mais suprimido e atomizador. As pessoas online tem acesso a tudo a qualquer hora. Então, as horas de cada um tornam-se horas únicas. Cada sujeito se auto-programa. A simultaneidade, exatamente por seu excesso, acaba se auto-liquidando, e criando uma sociedade um tanto esquizofrênica, pautada por um exagero de pílulas em forma de vídeos, sons e notícias.

Dessa forma, a internet é o terreno do ser e do não ser. Já chegou o disco voador! Já se foi o disco voador! O solo da leviandade é cada vez mais fértil. Esse fenômeno culmina com o efeito Twitter. O microblog se tornou uma espécie de central de notícias e fofocas. Não são poucas as manchetes do tipo: "Fulano diz no Twitter que adora Coca-Cola com batatas fritas", ou "Ciclano tenta desfazer mal-entendido de post em microblog".

Não quero aqui dar uma de "anti-tecnologista", ou qualquer coisa do tipo. Apenas acho as ferramentas tecnológicas tem de ser facilitadoras da vida, e não a vida em si. A realidade concreta se virtualiza ao mesmo tempo que o campo virtual se concretiza numa espécie de dimensão paralela. Tudo fica de cabeça para baixo, num contexto cada vez mais propício a um individualismo exacerbado e um isolamento do sujeito em relação ao seu próprio mundo.

O excesso de inclusão acaba por excluir, por colocar verdades e mentiras, fatos e factóides, dentro de um mesmo saco. O indivíduo, imerso nesse jogo de sim, não e talvez, perde toda e qualquer referência. Esvai-se a realidade. Esvai-se uma verdadeira autonomia de pensamento, à medida que o sinal é ao mesmo tempo verde, amarelo e vermelho, confundindo e escondendo o que é no meio do que não é. Eis o lado perverso do dinamismo tecnológico.

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