quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Direita raivosa

A direita, por via do Partido Progressista (que, de progressista tem pouco, muito pouco), está em uma empreitada raivosa contra o esquerdismo e a juventude lutadora. Banhada em um discurso cínico, estereotipador e nojento, afirmam as brilhantes mentes jovens do partido do Maluf, em sua campanha veiculada no Rio Grande do Sul: jovem não tem que andar de camisa do Che Guevara! Quem disse que jovem tem que ser de esquerda? Jovem tem que ganhar dinheiro e ser empresário!

Em outra linha da mesma campanha, o pessoal mais "coroa" se remete às mais reacionárias ideias do tipo: tem que colocar bandido na cadeia! Tem que reprimir todos! Viva a propriedade e a família! E sempre querendo o bem do próximo (tsc, tsc, tsc...).

A direita brasileira está em crise extrema. Em nível de Rio Grande, isso se agrava pelo fiasco do governo de Yeda, e o cagaço pela possibilidade de impeachment que inclusive adquiriu respaldo popular. O lado reaça está tão atordoado que partiu para essa tática agressiva, direta, autodeclarada. E isso é bom. Afinal de contas, chega desse bando de gente reacionária se travestir de neutralidade. Os seus interesses são suficientemente claros. Não sejamos hipócritas: eles tentam se grudar no ideário fragilizado e nebuloso de setores não tão esclarecidos da sociedade apelando para valores distorcidos em suas lógicas internas. Trazem palavras de difuso apego popular para incutir a ilusão do inexistente valor de "liberdade".

Os jovens empresários e "empreendedores" que eles querem são os filhos das elites. Filho de pobre tem que trabalhar duro, quieto, e sem baderna. Ah, o sonho dourado reacionário. Povo oprimido, calado e feliz!

Lamento dizer essa imensa novidade, mas a "liberdade" que eles querem é a liberdade de explorar a classe trabalhadora sem fiscalizações de um Estado inconveniente. A liberdade que eles querem é a liberdade dos filhinhos de papai poderem esmagar os filhos de operários em processos seletivos nas melhores universidades "em pé de igualdade". Conveniente, muito conveniente liberdade, por sinal.

A sociedade tem duas propostas básicas, que variam historicamente, tomam novos formatos, mas não fogem de um processo lógico: os ricos defendem um Estado mínimo, que dê a liberdade absoluta para uma competição entre desiguais e consequente acirramento da lacuna entre elites e classes populares; os esquerdistas acreditam que o Estado tem, sim, que se fazer presente na busca do bem da maioria, regular a economia, evitar concorrências desleais e zelar o possível pela igualdade de oportunidades, numa dimensão mais ampla.

Cada classe defende aquilo que melhor lhe convém. As elites querem mais, e para isso, tem de esmagar ainda mais o populacho. Os pobres também querem mais. Querem escolas que capacitem efetivamente seus filhos, querem condições decentes de saúde e distribuição de renda equitativa. Os pobres querem, acima de tudo, mais dignidade. Acirrando a competição desenfreada entre lados assimétricos é que isso não vai acontecer. Tenham certeza.

Nenhum comentário: