segunda-feira, 26 de outubro de 2009

D'ale, d'ale ô!

É começo de um Gre-Nal que tem tudo para ser tenso. Vida ou morte para as ambições das duas equipes dentro do campeonato. D'alessandro recolhe a bola próximo ao meio-campo. Lá longe está a goleira do Gigantinho, protegida pelo melhor goleiro em atividade no futebol brasileiro. Os laterais se apresentam, Alecsandro embola-se pelo meio e Taison tenta aparecer desvencilhado de marcadores. São muitas as opções. O que El cabezón fará, afinal?
D'alessandro, exatamente por ser D'alessandro, chuta. Fosse um Andrezinho da vida, daria um passe burocrático para o lado. Mas era D'alessandro. E ele desconhece improbabilidades futebolísticas. Simplesmente joga. Simplesmente faz. Tanto faz se o goleiro adversário é Van der Sar ou Gatti. Tanto faz se o zagueiro adversário é Cannavaro ou Odvan. Tanto faz se o time adversário é o Manchester United ou o Grêmio. Qué mierda le importa?
O chute entrou. É D'alessandro. Só podia ser ele. Não espere dele simpatia, sorrisos, entrevistas faustônicas. Também não queira que D'ale seja o bom moço que une todo o grupo de jogadores. Não, definitivamente ele não será isso. Não espere razão de D'alessandro, ele é, acima de tudo, emoção. Não queira que ele seja lúcido. D'alessandro é louco, mesmo. Não espere que ele corra igual e se mate em campo tal qual um Guiñazu. Ele tem que estar a fim. Tem que estar com sangue nos olhos. Tem que estar com estádio lotado.
D'alessandro não tem vocação para anjo ou santo. Ele é um adorável anti-herói. O caubói fora-da-lei colorado. El cabezón não quer ser mais um. Quer ser, e é, apenas ele, com seus defeitos e virtudes. D'ale não foi feito para fazer sorrir. D'ale não sabe ser populista. D'ale é um renegado do inferno que veio a Porto Alegre ser uma espécie de vingador alvirrubro. Sua arma, o pé esquerdo. Sua bala, a bola Nike, venenosa, que quica sorrateiramente à frente do ótimo Victor.
Missão cumprida. Quinto Gre-Nal do ano, quarta vitória colorada. O Internacional venceu 80% dos clássicos jogados no ano de seu centenário. Tudo está em seu lugar. O time colorado, apesar de todos os tropeços e equívocos, briga pelo título. A vizinhança, mais uma vez terá que se contentar em comemorar vagas. Agora, na outrora desdenhada Copa Sul-Americana, vejam só que ironia do destino. A vida é assim mesmo. A nós colorados, somente resta cantar por aí: d'ale, d'ale, d'ale, d'ale, d'ale ô, d'ale, d'ale ô, colorado eu sou, ôô...

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