quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Desprezo

Noticia-se que o Inter deve ir a campo hoje à noite contra a Universidad do Chile com time misto, praticamente reserva. Confesso: não consigo entender tal postura. Não condiz com a principal característica colorada dos últimos anos, a de valorizar as competições internacionais, de ter uma sede incessante de títulos.

O Inter despreza a Copa Sul-Americana, sua única possibilidade atual de título. Sim, porque levando em consideração a completa falta de organização e sequência da equipe, ninguém vai me fazer acreditar no título do Brasileirão. Para conquistar o certame nacional, o Inter precisa engatilhar uma bela sequência de vitórias associada a consecutivos fracassos de seus adversários. Para isso, seria necessário, no mínimo dos mínimos, o colorado ter uma escalação racional e definida. Não tem. E São Paulo e Palmeiras teriam que fazer cagadas em proporção industrial. Dificilmente farão.

Reitero o que sempre disse: o Internacional tem o melhor elenco do Brasil. Mesmo faltando lateral direito, mesmo com as saídas de Nilmar e Magrão, o elenco colorado é fortíssimo. Mas Tite não conseguiu transformar este belo elenco num time. Sem um time, sem uma espinha dorsal, o Inter não vai conquistar vitórias em sequência. Nunca vi um time ganhar cinco, seis jogos seguidos, mudando de escalação freneticamente como Adenor Bachi vem fazendo. Seria, no mínimo, uma aberração.

A Sul-Americana seria muito mais palpável de conquistar a essas alturas dos acontecimentos. Mata-mata não exige a mesma regularidade que os pontos corridos. Em mata-mata, ganhando de dois aqui e perdendo de um lá, passamos, vivos como qualquer outra equipe. Mas o Inter não quer a Sul-Americana. Não está nem um pouco focado, trata a competição continental como um incômodo. Por isso, atrevo-me a afirmar: será eliminado esta noite. Espero estar errado. Mas esta é uma tendência cabal no confronto com a equipe chilena.

E aí, amigos, nos restará, melancolicamente, repetir o patético gesto sobre o qual tripudiamos sobre a vizinhança no ano passado: comemorar vaga em campeonato do próximo ano. Infelizmente, o Inter sozinho fez com que o outrora promissor ano do centenário se tornasse um ano muito menos significativo do que poderia ser. Ao que tudo indica, esta noite será escrita mais uma triste página desse 2009, que transformou um lindo e sensual sonho com a Aline Morais num horrendo pesadelo com o Zé Mayer. Tudo o que quero, por hora, é acordar logo.

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