sexta-feira, 11 de setembro de 2009

1 ano de Dilemas Cotidianos- 6ª posição: Orkut

Empresas acessando perfil de potenciais candidatos a empregos no Orkut? Eis o real absurdo abordado na sexta posição do especial do Dilemas Cotidianos.

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Li uma notícia fantástica e ao mesmo tempo estarrecedora no site globo.com. Algumas empresas acessam o Orkut e blogs para verificar o perfil de candidatos. Incrível! Genial! Não bastasse isso, eles ainda "orientam" sobre o que seria um bom perfil: profissional, com qualidades e competências, sem opiniões pessoais que possam causar danos à imagem. Mais, eles definem o que se deve escrever em blogs! Meu Deus!
As empresas, principalmente as maiores, se acham donas do mundo. Que cargas d'água um perfil de Orkut pode interferir na competência de um sujeito? Gostar de tomar umas biritas, como é o meu caso, ou não gostar de segunda-feira, como também é o meu caso, não me faz menos competente do que alguém que está numa comunidade "eu amo meu chefinho querido". Talvez essas empresas desconheçam a palavra profissionalismo, que elas tanto apregoam. Ser bom profisisonal é não beber? Ou é ser um baba-ovo? Ser profissional é simplesmente saber das suas obrigações e cumpri-las, simples assim. Agora, o que o cara faz fora do serviço, se enche a cara, se fica vagando pelas ruas, é problema dele. A empresa só tem o direito de se preocupar com isso a partir do momento em que esses atos interfiram, efetivamente, no desempenho do profissional.
Isso sem contar que a confiabilidade de sites do tipo Orkut é mais ou menos a mesma de deixar um gato cuidando do aquário. Hoje mesmo tive que fazer uma faxina nas minhas comunidades! Elas aparecem, ou são mudadas ao bel-prazer de moderadores ou de hackers, não sei ao certo. Tinha comunidade do Santos! Pior, tinha uma comunidade "Eu já dei o cu/buceta". Nem preciso responder que não sou torcedor do Santos, e muito menos que eu tenha dado o meu, digamos, anel. Respeito quem o faz, mas a minha praia é outra.
Enfim, esses absurdos se proliferam, e algumas empresas abusam do poder de barganha que é oferecer um emprego num país com altos índices de desempregados, querendo interferir na vida pessoal dos sujeitos, covardemente. E se não é interferência, e é simples questão da imagem que o candidato passa, querem interferir na liberdade de expressão das pessoas, querem que elas escondam seus gostos ou preferências. Algo do tipo, "pode fazer, desde que eu não saiba". Meio ridículo. Eu continuo adorando minhas biritas, continuo detestando segunda-feira, e isso jamais vai interferir no meu profissionalismo, nem no de muitas e muitas pessoas. Mas, que fique claro, eu nunca dei o cu!

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