terça-feira, 15 de setembro de 2009

1 ano de Dilemas Cotidianos- 2ª posição: A última curva

A segunda posição do especial de 1 ano do Dilemas Cotidianos trata da frustrante e dramática perda do título mundial de Fórmula 1 de 2008 de Felipe Massa para Lewis Hamilton, em uma ultrapassagem do inglês sobre Timo Glock nos últimos metros da corrida em Interlagos.

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Os deuses da velocidade aprontaram das suas ontem. Foram brincalhões e cruéis com Felipe Massa. Nas últimas voltas, Massa conquistava o mundial. Na última curva, Massa perdeu o mundial. Foi dolorido. Dolorido demais. O improvável quase aconteceu. Quase. Porque lá, na última curva de Interlagos, nosso sonho foi soterrado. Estávamos emocionados. E como não estaríamos? Estávamos diante do mais impossível. Delirávamos com Vettel. Mas, quiseram os deuses da velocidade que o delírio fosse trucidado e destruído ali, na última curva de Interlagos. Choramos. Sim, choramos por dentro. Era melhor que tudo aquilo nem tivesse acontecido. Era melhor que Hamilton tivesse ficado numa tranqüila segunda ou terceira posição. Mas os deuses da velocidade tiveram seu dia de Joselito. Riram da nossa cara. Escarneceram da nossa dor. E presenciamos a vitória mais dolorida da história da Fórmula 1. Não merecíamos isso. A última curva. Aquela última curva. A sepultura da alegria de uma nação que não consegue comemorar nada fora do esporte. A sepultura de um sonho abortado. Perdemos com Massa.
De uma coisa, não resta dúvida: foi a decisão de título mais eletrizante da história da Fórmula 1. Esse ano propiciou momentos ímpares na categoria. Mas o de ontem foi mais. Não se poderia ser cardíaco. Hamilton ganhou. Mas Massa é o grande vencedor. Às vezes, esses momentos trágicos possuem sua grandeza exatamente por serem trágicos. É aquela história que sempre vamos lembrar. Com dor. As lágrimas desses momentos lavam a alma. Lavam as páginas da história. Dão uma moldura dourada aos momentos. A dramaticidade da derrota lhe dá um ar mais charmoso do que de qualquer vitória fácil e sem graça, emoldurada como um porta-retrato chinfrin ganho em um amigo secreto na firma. Foi algo grandioso. Não foi humano. Foi uma crueldade divina. Crueldade inesquecível. A corrida de ontem foi mitologia pura, mitologia de deuses gregos brincando com os sonhos humanos. Vivenciamos o toque do transcedental em uma curva. Estática? Parada? Imparcial? Não! Definitivamente não! Aquela última curva estava viva. Ela foi tocada e foi uma traidora da nação. Fez um complô com as divindades, e deu o título a Hamilton, grande piloto, diga-se de passagem. Mas, contou sim, com aquela última curva, enfeitiçada pelos deuses da velocidade.

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