quarta-feira, 16 de setembro de 2009

1 ano de Dilemas Cotidianos- 1ª posição: O bobo

O grande campeão do especial de 1 ano do Dilemas Cotidianos é o texto "O bobo", originalmente publicado no dia 7 de abril deste ano.

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O bobo é aquele que acorda todos os dias esperando que o universo conspire a seu favor. O bobo é aquele que acredita nos sentimentos e em alguma nobreza humana. O bobo é aquele que passa esperançoso de que o amanhã pode ser diferente. O bobo é aquele que olha sem querer, sem poder, para aquilo que o mundo não lhe oferece. Ah, o bobo...
O mesmo bobo que acha que dinheiro não é nada na vida. Bobo, bobo, e bobo, que não vê que dinheiro e status são, sim, tudo na vida. A vida mostra para o bobo toda a sua bobice, mas ele continua assim, bobo. E o bobo acredita na honestidade. O bobo acredita que, ao ser sincero nas relações humanas, um dia vai se dar bem. O bobo não percebe a maldade do mundo. O bobo pisa fora de sua porta esboçando um sorriso largo de quem vai ter um dia feliz. O bobo, bobo que é, acredita que todos tem o direito de serem felizes. O bobo não vê que a felicidade é um privilégio que tem na etiqueta um preço que ele não pode pagar.
E o bobo continua. O bobo também chora. O bobo vive dando de cabeça na parede. Bobo e tonto. Bobo e tolo. Acima de tudo, bobo. Cada lágrima do bobo precede uma expectativa que apenas seus pulmões bobos respiram, que só seus olhos bobos antevêem, e que tão somente seu coração bobo sente. É essa a essência do bobo. Merece uns tabefes na cara pra deixar de ser bobo. Mas o bobo não cansa de apanhar da vida. Apanhar, levantar, e bobamente repetir os erros. Repetir os erros e bobamente submergir em suas imaginações bobas. Mas o bobo não consegue deixar de ser bobo. O bobo continua bobo. Por mais que doa ser bobo. E para sempre ele será bobo. Quando não mais for bobo, não mais será nada. Ora, quanta bobagem!

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