sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Uma guerra sem mocinho

Está declarada a guerra entre Globo e Record, agora de forma mais acirrada do que nunca. Nos últimos dias, a emissora do plim plim passou a sistematicamente apresentar acusações e reportagens intermináveis com denúncias à Igreja Universal, do Bispo Edir Macedo. A Record, do mesmo Edir Macedo, então, veiculou pelo seu telejornal sua longa e forte réplica, fazendo uma série de acusações acerca do no mínimo obscuro passado da empresa da família Marinho.

Essa é uma guerra sem mocinho. Na minha opinião, não há anjinho nenhum nessa história toda. A Rede Globo tem um reconhecido histórico de conchavo com a ditadura militar do país, além de alguns episódios inusitados e marcantes, como o mais que tendencioso compacto do debate entre Lula e Collor às vésperas das eleições de 1989 (impossível não sugerir o documentário "Muito Além do Cidadão Kane).

E não é por ser uma defensora dos fracos e oprimidos que a Globo chama a Igreja Universal e o Bispo Macedo pra briga de forma tão explícita. É por causa dos seus interesses empresariais. A Globo está utilizando as acusações contra a igreja de forma a desestabilizar o crescimento absurdo que a Rede Record vem tendo, começando a travar um duelo de audiência de igual pra igual com a toda-poderosa. A emissora carioca está sentindo ameaçada sua hegemonia, como talvez nunca tenha acontecido durante a sua existência até os dias de hoje.

Isso coloca Record, Bispo Macedo e Igreja Universal como coitadinhos injustiçados? É óbvio que não. E longe disso. Muito longe. As acusações sobre a igreja sinalizam para aquilo que é muito sentido, percebido, por quem está fora daquela organização. Ao que tudo parece indicar, a fé das pessoas é utilizada lamentavelmente para benefícios pessoais. Muita grana rola nessa brincadeira, tenham certeza. É realizada uma espécie de lavagem cerebral que parece cegar os sujeitos, que se veem impelidos a contribuir com o que tem e o que não tem, na esperança de um futuro melhor.

Em suma, algumas coisas tem de ficar bem claras. Primeiramente: as acusações contra a Igreja Universal fazem bastante sentido dentro de uma perspectiva lógica. Em segundo lugar: o espaço destinado pela Rede Globo a tudo isso é bastante desproporcional, dentro daquilo que conhecemos da linha editorial e jornalística da emissora. Por último, é sabido e notório que a Globo também não pode se colocar como a defensora da ética, da moral, dos bons valores e da democracia, principalmente quando se leva em conta tudo aquilo que permeou a sua constituição enquanto empresa e império da comunicação no país.

Aguardemos os próximos rounds. Muita coisa ainda há por rolar nesse Freddy contra Jason.

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