sábado, 15 de agosto de 2009

Passos e pensamentos

Ele caminhava. Seus passos não eram exatamente determinados. Eram passos incertos. Encontrava-se imerso em seus pensamentos. Eram lembranças, recortes do passado, recortes do que acontecera, projeções de um futuro nebuloso.

Talvez tudo fosse um remake, uma versão nova, mais moderna, das mesmas passagens, de mesmos personagens, jeitos. Mesmo final, talvez. Alguns remakes, entretanto, merecem um final diferente. Tudo o que pode ser melhorado, assim o deve ser feito.

Há, na atmosfera, um pouco de esperança, um pouco de vontade de mudar a própria história, o próprio destino que fora traçado unilateralmente, sem acordo. Há, contudo, também a já costumeira preocupação com sabe-se-lá-o-que. O medo de perder aquilo que jamais possuiu. A autodeterminação e o livre arbítrio humanos parecem mitológicos quando ele, aquele personagem andante, verifica tudo o que se passou.

Existem determinações mais fortes. Tudo na vida é interação, afinal. Uns sabem interagir melhor, outros menos, talvez nem mesmo saibam. A interação com os ambientes e com as pessoas, a coadunação dos desejos com os ambientes e as pessoas: eis a arte de ser humano. Difícil arte.

Mas ele continua andando, conjecturando, traçando um futuro que dele não depende. Ele trata de imaginar todas as potenciais ameaças ao dia de amanhã. E caminha, quase decompromissadamente, como se em algum passo, em algum canto, em algum pedaço de chão pudesse encontrar as suas respostas e o seu alívio. Quem sabe, pudesse até mesmo encontrar a si mesmo.

Passos mais apressados não podem fazer o relógio andar. E, mesmo que ande, mesmo que os ponteiros marquem um novo fuso, mesmo que as folhas do calendário voem todas até algum (in) certo dia, ele simplesmente se pergunta: pra quê?

Nenhum comentário: