sábado, 1 de agosto de 2009

Palavrões

Leio no Globo.com que uma revista distribuída para escolas na Bahia causou grande furor. Tudo teria acontecido graças ao erro de uma funcionária da Secretaria de Educação que retirou uma historinha do Chico Bento de um site. O problema é que o diálogo teria sido alterado, incluindo ali um "foda-se". Pelo menos foi o que consegui ler, já que o Governo baiano colocou um carimbo em cima, e o site da Globo, pudico que é (exceto pelas fotos de mulheres famosas em ensaios seminus ou pelos flagras de celebridades com os seios de fora), não explicitou qual teria sido a palavra.

Sinceramente, acho esse pavor a palavrões uma imensa frescura. Uma hipocrisia abismal. O palavrão é apenas a sintetização de uma imagem, mental ou não, em algum tipo de expressão que possa ser comumente utilizada. O palavrão está por todos os lados.

O palavrão está no futebol (ou vão colocar tarjas pretas na boca dos jogadores quando eles chamam o juiz de filho da puta, ou quando mandam um sonoro "vai tomar no cu" quando um companheiro não toca a bola?), está na boca dos pais (a menos que sejam pais de propaganda de margarina ou de provedor de internet), está na tv nos domingos à tarde ou de dias de semana mesmo, com apresentações do É o Tchan, ou de piadas grotescas e sem graça do Zorra Total, ou ainda na "banheira com chantilly" de uma Luciana Gimenez da vida. O palavrão está, ora pois, na boca das próprias crianças!

Claro que há escalas de palavrão e momentos para a utilização dos mesmos. Mas esse timing a experiência acaba dando para cada um. É o tipo de coisa que a gente vai adequando, com a maturidade, aos ambientes que frequentamos. É um aprendizado quase que "natural", por assim dizer.

Outra coisa: preocupar-se com o falar palavrões deveria ser a menor das preocupações em relação às nossas crianças. Mais importante é fazer com que elas não sejam OS PRÓPRIOS palavrões, como por exemplo, grande parte dos digníssimos (sic) senadores. Existem pessoas de enorme caráter que falam palavrões a torto e a direito. Do lado oposto, temos gloriosos filhos da puta (engravatados, geralmente) que não falam um sequer. Devem assistir a jogos de seus times chamando o juiz de "filho de moça de boa vida". Fico até imaginado eles xingando o perna de pau do time, furiosos: "ah, vai inserir um objeto fálico no orifício anal!"

Fato é que, enquanto filhos da puta continuarem fodendo com a vida do povo, os palavrões continuarão, sim ou sim, disseminados por aí, falados, escritos ou em pensamento. E mais na moda do que nunca.

Um comentário:

GS. disse...

Isso aê, por isso esses merdas são o que são, fodendo o futebol de cada dia, esses filhos da puta devem morrer, porra.
Ah, desabafei (=
aiojeoiajepaijeajoiejae
:D Palavrões são legais e muito úteis :]