sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Overdose de ódio

Doses homeopáticas de ódio fazem bem, de vez em quando. É bem verdade que o ódio é um remédio digno de tarja preta. Deve ser usado com certo cuidado, com alguma cautela.

O ódio pode matar e causar certa destruição. Talvez por isso ele seja expressamente proibido pelos órgãos internacionais de saúde. Mas, afinal, qualquer coisa em excesso pode matar. Inclusive o amor. Então, o ódio, em alguns casos, deve ser utilizado. Por que não?

Às vezes consumo um punhado dessa droga. Ela causa certo ardor interno. Mas essa espécie de queimação, paradoxalmente, acaba por combinar um tanto de mal-estar com outro tanto de um prazer um pouco mórbido, um pouco agitado.

Enquanto o amor é uma droga que nos domina, que nos subjuga, o ódio nos dá a sensação de sermos dominadores. O ódio liberta, mesmo que apenas dentro dos nossos pensamentos alucinógenos. O ódio, caros amigos, nos torna um pouco mais senhores de nós mesmos.

É incrivelmente tênue a linha entre o prazer e a overdose. O ódio nos atraiçoa. Mas eu gosto da adrenalina do ato de comprar as sensações libertadoras e os riscos inerentes a esta droga. Preciso de mais e mais pílulas. Antes que isso passe. Antes que eu volte ao jugo da vida real.

Farei uma passeata solitária, se preciso for, pela liberalização definitiva do ódio. Para fins medicinais e psiquiátricos, é claro. Mesmo que o fígado se debilite um pouco, quero mais. Quando não mais houver ódio, nem amor, nem ópio, nem utopia, estarei vegetando e morrendo. Talvez aí, e só nesse momento, me sinta um pouco em paz comigo mesmo.

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