quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O pandemônio da pandemia

Não existe mais saída! O mundo vai acabar! Peguem suas máscaras e aguardem o fim dos tempos em casa! Fujam das pessoas! Fujam de qualquer contato! Virem de uma vez os meninos da bolha de plástico! Não é paranoia! Salve-se quem puder!

A televisão diz, eu acredito! Não tenho pensamento crítico! Não quero tê-lo! Pensar dói! Por isso, me rendo solenemente às verdades ditas pelo Jornal Nacional! Por que eu haveria de duvidar da isenção da Rede Globo e dos meios de comunicação de massa em geral? Eles estão certos! Eles detém a informação!

Sejamos, cada vez mais, gosmas acríticas! Entreguemo-nos de uma vez! Ninguém vai fugir do pandemônio da pandemia! Esterilizem tudo! Esterilizem todos! Tomem banho de álcool! Construam passagens subterrâneas! Gritem e sapateiem!

Espalhem mais, acreditem no alarme que soa infernalmente! O apocalipse chegou! Escondam-se embaixo das mesas! Gritem um pouco mais! Chorem! Chorem todos os pecados cometidos! Batam com a cabeça na parede, peçam perdão aos céus! O fim está próximo!

E numa bela segunda-feira, lá pelas oito e meia da noite, William Bonner arregala os olhos para a câmera e grita: "Ráááá! Pegadinha do Mallandro!"

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