domingo, 2 de agosto de 2009

Meios de comunicação

O advento da gripe suína, toda essa mobilização da imprensa, o exercício de promoção do pânico público feito diariamente pelos telejornais, trazem à tona novamente as discussões e reflexões acerca dos meios de comunicação.

É indubitável que, hoje em dia, as fontes de informação se proliferaram, graças à internet. Entretanto, essa ferramenta, tão aberta, tão democrática, configura, simultaneamente, e talvez graças à sua própria abertura, uma imensa confusão, a mistura, a hibridização do confiável e do não confiável, de coisas lógicas com teorias conspiratórias absurdas e ridículas. Com isso, sobram, em última análise, as mesmas e velhas fontes de informação, uma vez que os portais informativos, sérios e independentes atingem um público bastante limitado, recortado.

As mesmas e velhas fontes de informação são mais do que conhecidas. São as mesmas que, por exemplo, tiveram amplo acordo e conchavo com as ditaduras no Brasil, e que hoje se travestem de defensoras da democracia. Não só no Brasil, mas no mundo, o monopólio, ou oligopólio da informação tornam a mesma um ente vulnerável e extremamente manipulável.

As grandes corporações da informação mundial possuem interesses bastante semelhantes. São empresas privadas, ora pois pois, e por isso mesmo, terão caminhos políticos parecidos, orientações que vão mais ou menos para o mesmo lado. Acima de tudo, enquanto empresas privadas, elas objetivam o lucro, acima de qualquer outra coisa, e utilizando todos os dispositivos que estejam ao seu alcance.

Dessa maneira, só é informação aquilo que essas empresas acham conveniente que seja informação. Simples assim. E mais: há formas e formas de se dizer a mesmíssima coisa. A opinião escondida nas entrelinhas sempre dará uma ou outra tonalidade àquilo que é dito. Não precisamos ir muito longe para verificar como isso funciona: basta olhar um dia de horário político. Ali, a situação mostra o local como maravilhoso, em constante progresso. Já a oposição mostra o mesmíssimo lugar como um horror, apresenta índices negativos que são de seu interesse, faz duras críticas. Alguém está, necessariamente, mentindo? Não! Os mesmos fatos, as mesmas circunstâncias, podem ser vistos de uma ou outra maneira, dependendo do ângulo, dependendo do prisma, dependendo da ontologia de quem vê.

E com a imprensa não é diferente. Ela dá o ângulo que é de seu interesse sobre os fatos. E se quiser, esconde, eficazmente, fatos tão ou mais gritantes que aqueles apresentados. Notícia só é notícia quando os grandes meios de comunicação assim acham conveniente. A imprensa, definitivamente, não é neutra. Eu mesmo, aqui, escrevendo o DC, não sou neutro. Eu tenho uma opinião, uma visão de mundo, que sempre estarão, inevitavelmente, às vezes inconscientemente, presentes na forma como escrevo sobre os diversos assuntos.

Acreditem: é assim que funciona. Isso significa se fechar para as informações, deixar de saber as coisas, mesmo que pela ótica visivelmente interessada deste ou daquele veículo? Claro que não. A chave, por assim dizer, é tentar enxergar o que está por trás desta ou daquela notícia. Vislumbrar a ótica, o ângulo, o enfoque, tentar imaginar quais os interesses que podem estar subliminarmente colocados quando se diz isso ou aquilo, sobre este ou aquele outro assunto. Só assim podemos nos libertar um pouco de algumas correntes, ver o mundo e suas informações com um mínimo de independência. É um exercício difícil. Mas necessário.

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