domingo, 9 de agosto de 2009

Dia dos pais

É domingo de dia dos pais. Sou, ainda, apenas um filho. Por isso, é muito complicado falar do ser pai. Tudo que se tem quando não se é, de fato, pai, é teoria, imaginação e projeção. Mas me parece que ser pai é um exercício de extremas dificuldades, ao passo que também pode ser bastante compensatório, no sentido moral da palavra, ao ver o resultado do sacrifício inerente à criação de um filho.

Os pais tendem a ser mais doces e bobalhões com meninas. Filhos do sexo masculino pedem o papel de durão por parte do pai. Filhas do sexo feminino pressupõem uma relação mais disciplinatória das mães, que conhecem, e por isso, podem interferir mais objetivamente nos descaminhos morais que uma menina pode encontrar. E não sejamos hipócritas: vivemos, sim, ainda, numa sociedade machista, em que as exigências morais são maiores junto às meninas.

É claro que hoje a coisa caminha para uma crescente desvalorização da dimensão moral, e a mulher está se inserindo nesse contexto de forma até um pouco, digamos, drástica demais, confundindo independência e sensualidade com vulgaridade e sexualidade explícita. Aqui falo, obviamente, do muito que observo que não é, porém, o todo. Felizmente, existem mulheres, em boa quantidade, diga-se de passagem, que conquistaram uma genuína independência, e que tem personalidade suficiente para não trocar as bolas e criar uma auto-imagem de boneca inflável.

O fato é que, na maioria das vezes, meninos possuem maior afinidade com a mãe, e meninas, com o pai. Claro, existem casos de pais-propaganda-da-Gelol. Mas o que se espera do pai de filho homem é realmente, a princípio, uma postura mais rígida, equilibrando com a permissividade materna. E da mãe de filha mulher, o mesmo tipo de rigidez, fazendo um balanço com os pais bobalhões e babões com suas filhotas. Aliás, eu mesmo assumo: tenho certeza que se tiver uma filha no futuro, serei ultra-mega-super-bobalhão. Daqueles meio insuportáveis, mesmo.

Tenho consciência desse tipo de fator, dessas relações quase que matemáticas, pré-científicas, das relações humanas ocidentais, e tenho orgulho do pai que tenho, que sempre se matou trabalhando pra prover da melhor maneira possível o meu sustento, com o seu jeito próprio de demonstrar amor, e fazendo, à sua maneira, o papel de pai. Aprendemos com o tempo que existem diversas formas de demonstrar apreço e carinho, que as mesmas relacionam-se diretamente com o jeito de cada um, e que não podemos esperar sempre atitudes à nossa maneira como se estas fossem universais.

Um feliz dia dos pais a todos.

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