quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Chiaroscuro

Ontem foi lançado oficialmente o terceiro álbum de estúdio da Pitty, intitulado Chiaroscuro. Desde 2005 a banda não lançava um álbum de estúdio, e a relativa demora foi muito bem justificada: Chiaroscuro possui uma coleção de músicas espetaculares, bem acabadas, bem produzidas, com a banda como um todo muito bem sintonizada, e com uma Pitty cantando tudo o que sabe, e mais um pouco.

O disco me causou uma ótima impressão, sendo, na minha humilde e franciscana opinião, o melhor de Priscilla Leone. Se vai emplacar tantos hits quanto os outros dois, só o tempo, o trabalho em cima do álbum, e a recepção do grande público vão dizer. O fato é que, pelo menos eu, já estou viciadíssimo, ouvindo no mínimo uma vez por dia.

Chiaroscuro é o disco mais nivelado da banda. Ali, todas as músicas estão em altíssimo nível, e cada uma tem a sua própria graça, o seu próprio charme, a sua própria força. Ao mesmo tempo em que o álbum possui o já característico estilo existencialista da roqueira, ele se revela como o disco mais feminino da cantora, com temáticas e ambientes bem ao estilo Sex and The City. Chiaroscuro aparece como a consagração definitiva de Pitty, colocando-a de uma vez por todas no primeiro escalão da história do rock nacional. Faixa a faixa, comento minhas impressões.

1. 8 ou 80: Ótimos arranjos instrumentais, bela linha de baixo, excelente letra; talvez tenha faltado apenas um refrão mais forte. Destaque para o solinho de guitarra na metade final da música, simplesmente sensacional.

2. Me adora: A música mais pop do álbum, tem boa letra e um bom refrão.

3. Medo: Uma música-texto ao estilo "Malditos cromossomos", com frases de efeito estético e psicológico, retratando maravilhosamente bem uma sensação quase que intrínseca à existência. Achei desnecessária a quebra do meio para o final da música: "se corre o bicho pega, se fica o bicho come" soou um pouco clichê demais. Sem esse trecho, a canção teria uma melhor fluidez. Apesar disso, ótima música.

4. Água contida: Um rock com elementos de tango, que contou com a participação de Hique Gomez, da peça "Tangos e tragédias". Experiência extremamente feliz, com destaque para a metade final, que incorpora um trecho bem construído, pesado, e que ficou perfeito no contexto da música.

5. Só agora: Uma deliciosa baladinha melacueca.

6. Fracasso: A melhor letra do álbum, com um pré-refrão lindo e forte.

7. Desconstruindo Amélia: Um hino da mulher ocidental moderna. É preciso dizer algo mais?

8. Trapézio: A música mais animada do álbum, ao melhor estilo The Strokes. É a faixa mais gostosa de ouvir, daquelas canções que simplesmente trazem uma sensação boa, quase que inexplicável.

9. Rato na roda: A atmosfera tensa e sombria dessa música serve como fundo perfeito para uma feliz analogia entre a vida de um ramster e aquilo que configura a existência da maioria dos seres humanos.

10. A sombra: Linda e melancólica canção, daquelas perfeitas pra ouvir sozinho em casa, durante um porre violento de vinho.

11. Todos estão mudos: A melhor faixa de Chiaroscuro: a letra é muito forte, e o refrão, simplesmente explosivo, tudo isso com um jeitão de Queens of The Stone Age. Destaque também para o solo de guitarra, muito bom.

Resumindo toda esta ópera: recomendo, e muito. Discografia obrigatória para quem curte um rock de qualidade, com boas letras, e tirado do fundo da alma.

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