sábado, 22 de agosto de 2009

Calados, eles são poetas

Certa feita, quando envolvido em uma polêmica com Pelé, o baixinho Romário decretou: "Pelé calado é um poeta". E tinha razão. O Edson sempre foi pródigo em falar bobagens. E tem alguns seguidores, bem menos brilhantes com a bola nos pés, como Souza, meia do Grêmio, por exemplo. Na última semana, esses dois poetas do bico calado soltaram algumas asneiras sensacionais.

Pelé, o rei do palpite furado, falando do Campeonato Brasileiro, disse que a taça ficará entre Atlético Mineiro e São Paulo. Bom, no galo, nunca acreditei muito mesmo: a fala de Pelé simplesmente coloca a última pá de cal nas pretensões de título do clube mineiro. Mas, em relação ao São Paulo, confesso, Pelé me proporcionou um alívio imenso: favorito para Pelé, finalmente o time do Morumbi terá sua hegemonia quebrada. E eu estava preocupado com a reação são-paulina. Agora estou tranquilo. O time que tem o nome aclamado por Pelé está condenado ao fracasso. Pelé é um tremendo pé-frio. Um Flávio Obino com grife. Ao não ser citado pelo rei do futebol, o Inter, e também o Palmeiras, protagonistas do duelo dessa tarde, ganham muita força na disputa do título.

Souza é um caso mais sério ainda. Esse jogador, que não passa de um jogador mediano, não joga nem 10% do que pensa que joga. Fala pelos cotovelos, talvez para tentar compensar sua mediocridade como futebolista. E fala muita merda, desde os tempos em que jogava no São Paulo. Ele deve ter tido algum problema na infância, ou quando estava sendo gestado, que ensejou uma espécie de atrofia cerebral. Souza seria incapaz de distinguir uma bergamota de um telefone. E com toda essa capacidade intelectual, veio fazer uma analogia bizarra. Segundo ele, o Grêmio vai brigar pelo título. E a base para fazer tal afirmação vem em forma de choramingo: porque no ano passado, o Inter estava em situação parecida e a imprensa dizia que tinha chances. Souza, o filósofo, não percebe aquilo que cintila e grita aos olhos e ouvidos: o Inter do ano passado era bom. o Grêmio desse ano é ruim. Simples como abrir uma caixa de Bis.

Entonces, meus caros leitores, o que sobra de lição das declarações dessas mentes brilhantes do nosso futebol?

Primeiro, que Souza fala muito e pensa pouco. É o típico caso de verborreia. Não faz a menor ideia das imbecilidades que diz, mas sofre dessa espécie de incontinência. Não deve jamais ser levado a sério em qualquer entrevista que seja. Tem muito talento para bobo da corte. E só.

Já o "king of the soccer", o mesmo que certa vez decretou a Colômbia (isso mesmo, a Colômbia!) favorita a uma Copa do Mundo, é um Nostradamus bizarro. Ele prevê o futuro, só que ao contrário. Tudo o que ele fala que vai acontecer, escrevam: não vai acontecer. Dizem que a Disney até estuda uma versão tupiniquim para "As visões da Raven": chamar-se ia "As visões de Pelé". Não seria nada demais, para quem já se aventurou como cantor e ministro, encarar essa empreitada, aproveitando esse seu dom ao contrário. Seria bem divertido.

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