domingo, 16 de agosto de 2009

16 de agosto de 2006

Há exatos 3 anos o Sport Club Internacional escrevia uma das mais gloriosas páginas de sua história, ao conquistar a Taça Libertadores da América. Os gols de Tinga e Fernandão em Porto Alegre, no empate de dois gols com o São Paulo, então Campeão do Mundo, levaram o colorado àquele inesquecível título.

A campanha como um todo beirou à perfeição. Na primeira fase, o time colorado passou invicto. Claro, houve desacertos, desconfianças, como no empate na estreia contra o Maracaibo. Mas também, naquela primeira fase, tivemos uma vitória maiúscula contra o Nacional por 3 a 0. Emblemáticas vitórias de virada sobre o Pumas, lá no México e no Beira-Rio, este último, um dos jogos mais marcantes daquela campanha, em que perdíamos inacreditavelmente por 2 a 0 e viramos para 3 a 2, com gols de Michel, Fernandão e Gabiru (sim, ele, o predestinado, o eterno camisa 16).

Diga-se de passagem que em meio àquela campanha colorada, não me recordo exatamente a que altura dela, perdemos o Gauchão para o Grêmio. Bendita derrota! Ali, naquela festa tricolor, desencadeava-se de uma vez por todas a Libertadores colorada, porque ali Abel Braga parou com o descalabro de escalar o time num ridículo 4-2-4 para atuar com um meio mais consistente, povoado, e um sistema tático racional. Tivéssemos ganho aquele título, muito provavelmente a Libertadores não teria sido conquistada. Se os gremistas pudessem voltar no tempo, tenho quase certeza, abririam mão daquele título, daquele (pra eles) amaldiçoado gol de nuca de Pedro Júnior.

Mas voltemos à Libertadores. Nas oitavas-de-final, a passagem heróica, ganhando em Montevidéu do Nacional, com duas expulsões, com gol antológico do Saci Renteria. Fossem outros times destas plagas, seria uma prova de "imorribilidade", seria para todo o sempre lembrado como "A Batalha de Montevidéu". Mas como era o Inter, foi só mais uma vitória.

Nas quartas-de-final, o mais dramático dos confrontos, contra a LDU, quando perdemos lá (única derrota da campanha colorada, por sinal) e vencemos no Beira-Rio, dramaticamente, com direito a milagre de Clemer em uma falta no finzinho.

Veio a semifinal contra o Libertad, time respeitável que havia eliminado o River Plate; time que tinha um certo meio-campista argentino, careca, de cavanhaque, que corria alucinadamente e, lá, era articulador da equipe. Sim, o Guiñazu do Libertad era meia esquerda. Fazia papel de camisa 10 do time. Mesmo assim, se sobressaía também na marcação. E mais um adversário fora abatido no caldeirão vermelho. 2 a 0, gols de Alex e Fernandão.

As finais foram um capítulo à parte. Enfrentamos o São Paulo, tido como favoritaço, time que estraçalhava os adversários, que no Morumbi passava por cima dos rivais, atual Campeão Mundial. E lá foi o Inter. Em Porto Alegre, a atmosfera era inesquecível. Camisas vermelhas se proliferavam. Bandeiras eram vistas em muitas janelas, e tremulavam com uma espécie de vida própria, como avisando que aqui, aqueles seguidores que para sempre amarão o Inter, estavam prontos para a batalha, mesmo que à distância.

E o jogo de Morumbi foi uma verdadeira epopeia. Duas expulsões no primeiro tempo, uma do Inter, outra do São Paulo. Jogo lá e cá, e o time colorado também impunha seu futebol, mostrava que ali não estava um coadjuvante. O Inter mostrava que queria vencer. No segundo tempo, o Inter foi sensacional. Sobis fez dois gols. Era o paraíso. A maravilha futebolística concretizada no gramado do Morumbi. Ali, a nação colorada vivia a realização de um sonho, genuíno e mais puro sonho, que até então acalentava-se somente nos corações vermelhos. Tomamos ainda um gol, mas vencemos. Estávamos a 90 minutos do título da Libertadores. No Beira-Rio.

E o Gigante lotado sediou aquela partida final, recebendo e protegendo o Inter. Foi uma partida cheia de dificuldades. O São Paulo jogou melhor o tempo todo, essa é a verdade. Mas aquele título tinha que ser do Inter. Fernandão abriu o placar, em falha do grande Rogério Ceni. No segundo tempo, o time paulista empatou. Nervos à flor da pele. Mas Tinga, o colorado Paulo César, fez o gol mais importante de sua vida, e fora expulso na comemoração, por ter levantado a camisa. Com um jogador a menos, o Inter resistia bravamente. Abel entulhou o time de zagueiros, e o colorado defendia o resultado leoninamente. Depois dos 40 minutos, Lenílson empatou novamente para o tricolor paulista. E o São Paulo veio pra cima. O Inter bicava a bola para onde o nariz apontava. O time do Morumbi, deseperadamente, atacava. A zaga se virava, assim como Clemer, que fez um milagre sobrenatural em cabeceio de Alex Dias.

Mas o jogo acabou. O Inter era Campeão da América. O apito de Horácio Elisondo encerrava uma era, uma angústia que trancava a garganta de cada colorado, que até então ouvia ironias arrogantes de quem nunca soube verdadeiramente ser vencedor.

A América conhecia um novo campeão. Nunca vi o Beira-Rio tão lindo como naquela noite de 16 de agosto de 2006. Os fogos de artifício sobre o Gigante eram o emblema de redenção, e, por que não, da libertação de um povo.

A partir dali, o Inter iniciou uma nova era em sua história, a era mais vencedora de sua linda existência. A partir dali, o Inter empilhou títulos internacionais, legítimos, homologados com todos os selos de qualidade que os grandes títulos exigem. A partir dali, o Inter tornou-se o grande Campeão de Tudo. Fez rivais engolirem, a seco, todas as baboseiras ditas, e passarem por um merecido inferno astral, penando no ostracismo, mergulhando numa seca associada a uma profusão de títulos colorados num castigo com jeito divinal. Vão pagando, com juros e correção monetária, toda a presunção e empáfia características dos maus vencedores.

Tomar só cafezinho deve dar uma azia danada!

Nenhum comentário: