segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Quando a tecnologia se torna perversa

O caso da professora demitida graças a um vídeo em que ela aparece dançando na internet traz à tona um questionamento muito sério: a liberalização tecnológica vigente não está indo longe demais?

Não quero aqui colocar a tecnologia como um mal em si mesmo, porque, de fato, não o é. O que questiono é a forma absolutamente desregrada com que essas ferramentas são utilizadas. O caso da referida professora é emblemático. Um vídeo publicado no You Tube, que não foi feito por ela, e em que ela figura em um ambiente não-profissional, provavelmente tenha arruinado a carreira da mulher.

O grande (e múltiplo) olho expõe as pessoas de forma absurda e arbitrária. Não cabe aqui qualquer juízo de valor a respeito do duvidoso gosto musical da moça. Isso não tem nada a ver com a raiz filosófica da questão. Importa é refletir sobre a espantosa supressão do livre arbítrio das pessoas. A professorinha tem o direito de ir à festa que lhe der na telha e dançar a música que quiser. A tecnologia passa a ser, então, incrivelmente perversa. Divertir-se foi o grande pecado cometido por ela? A tecnologia, nesse caso, constrange e obriga as pessoas a adotarem posturas que podem não ser exatamente as suas.

Todas as pessoas passam a ser, em maior ou menor medida, pessoas públicas. A escolha, a alternativa do anonimato, diluem-se em um ambiente em que tudo é olho, tudo é câmera. Vivemos um desastroso show de Truman.

Uma coisa me parece certa: a tecnologização exacerbada possui uma faceta absurdamente cruel. Todos veem-se espreitados, vigiados, e, em meio a essa paranoia nem tão conspiratória assim, autolimitam-se, perdendo muito daquilo que é talvez o mais prezado valor humano: a liberdade. A tecnologia desenfreada e ilimitada nos torna prisioneiros de atos superficiais de um ser público permanente, e, por isso mesmo, quase insuportável.

Luxo

A atuação do Inter diante do Goiás foi absolutamente luxuosa. O time colorado envolveu o adversário do primeiro ao último minuto, jogando de maneira praticamente perfeita em todos os setores, marcando quatro gols e podendo ter feito outros tantos. Saiu ganhando logo no início, e depois, com a expulsão do bom moço Fernandão, simplesmente passou por cima do bom time goiano. Aqui, cabe um parêntese: o cartão vermelho para Fernandão foi justíssimo, uma vez que ele maldosamente "procurou" o rosto de Magrão com os braços. Foi, portanto, uma agressão. O capitão planeta anda assim, meio destemperado, tomando atitudes estranhas, a começar pela famosa e infeliz postagem em seu blog, quando de seu acerto com o esmeraldino.
Mas voltemos ao Inter, que é o que realmente importa. O esquema 3-5-2 foi uma escolha extremamente feliz de Tite. A zaga, com três jogadores, sendo um deles o estupendo Fabiano Eller, foi absoluta, mesmo desentrosada (a última partida que Índio, Eller e Bolívar jogaram juntos foi justamente o empate com o São Paulo que tornou o Inter Campeão da América em 2006!). O ataque do Goiás nem ciscou por ali. No meio, o destaque ficou por conta de Giuliano, que foi a grande fonte de criatividade da equipe. Nas alas, Danilo foi razoável e Kléber, extraordinário. Livre para apoiar, o ala-esquerdo jogou muita bola, foi o melhor em campo e acabou premiado com um golaço. No ataque, Edu, ainda desembocado, mostrou que tem bola no corpo, e proporcionará muitas alegrias quando estiver totalmente integrado e entrosado com o grupo. Por fim, Marquinhos demonstrou muita personalidade, fazendo gol e se movimentando bastante. Promete, e muito.
A vitória de ontem serviu para recolocar o Inter definitivamente na briga pelo título brasileiro. Se o colorado vencer no meio da semana, ficará a apenas um ponto do já cambaleante Palmeiras. O Atlético de Roth será um adversário duríssimo. Tem sérias limitações técnicas, mas está em busca de recuperação, e jogará a vida no Gigante. Entretanto, o Inter tem que encarar essa partida com muita concentração e vontade, por mais óbvio que isso possa parecer. Se igualar na raça, o colorado é melhor que o galo na técnica. E aí, a vitória fica muito mais próxima.

domingo, 30 de agosto de 2009

Reencontro

A partida do final dessa tarde no Beira-Rio marca o reencontro da torcida colorada com Fernandão. O capitão planeta foi o maior jogador da história do Inter, o líder da era mais vitoriosa do clube. É um ídolo intocável na galeria de grandes nomes do Sport Club Internacional.

Mas Fernandão é passado para o Inter. E o Inter é passado para Fernandão. E ele deixou isso bem claro quando declarou que comemorará se marcar gols contra o colorado. Por isso, hoje é dia de a torcida deixar qualquer sentimentalismo em relação a Fernandão de lado. Não há porque ovacioná-lo antes do jogo. Talvez depois, e se o Inter ganhar, a torcida deva fazer algum tipo de manifestação carinhosa. E só. Certa feita, o colorado prestou uma homenagem a Gamarra quando este jogava no Corinthians, antes de uma partida entre Inter e os amigos de Zveiter. E depois, no jogo, adivinhem: um a um, e o gol deles marcado por Gamarra!

O Internacional é maior do que qualquer indivíduo. A paixão da torcida colorada é pelo Inter. Pessoas são pura e simplesmente meios para elevar o Internacional. É o clube que deve ser valorizado, acima de qualquer personalismo. E hoje Fernandão é adversário. Está do outro lado da trincheira. No jogo de hoje, Fernandão nos é hostil, e nós, colorados, devemos ser hostis a Fernandão. O jogo de hoje não é festa comemorativa de nada. Vale três pontos contra um adversário direto.

Ocasiões para saudar Fernandão não faltarão. Mas hoje, principalmente antes e durante o jogo, ele é o outro, o intruso, o hóspede indesejado. E assim terá de ser tratado. Ou alguém acha que se Fernandão se encontrar cara a cara com Lauro vai hesitar, um segundo que seja, em fuzilar a meta colorada?

Hoje Fernandão estará de verde. E o Inter, caros leitores, é vermelho.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Embriaguez

Estou embriagado. Com isso, sinto-me absolutamente livre de erros de digitação ou de incongruências teóricas. Que bom, afinal!

O trago me deixa assim, um tanto livre, um tanto sem ter o que dizer, outro tanto com tudo para dizer. É da vida. Vou simplesmente relaxar e gozar, tal qual uma Marta Suplicy violentada nos recôncavos de um mato qualquer.

Não há necessidade alguma de ser coerente. É quase um exercício de livre associação. Bundas, Inter, desafios profissionais, futuro: tudo isso povoa minha mente, não necessariamente nessa ordem.

O álcool não me deixa escrever nada que seja minimamente lógico. Mas isso é bom!

Devo ser sincero. Estou tão somente enchendo linguiça. Talvez por algum motivo moral. Talvez por algum tipo de satisfação pessoal inconsciente. Mas estou aqui, leve, um tanto feliz, um tanto lento, uma tanto sonolento.

Amanhã é um novo dia.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Meio amargo

O empate do Inter com o Santos me causa sentimentos um tanto paradoxais. Mesmo analíticamente, o resultado é dúbio. Uma espécie de chocolate meio amargo. Foi bom, mas poderia ser melhor. Foi ruim, mas poderia ser pior. É mais ou menos isso o que sinto.

Do ponto de vista histórico, empatar com o Santos na Vila não é mau resultado, uma vez que o colorado jamais ganhou lá. Na tabela, o resultado coloca o Inter de volta ao G4, com um jogo a menos, o que não é nem um pouco desastroso. Do ângulo relativo ao panorama atual, porém, o empate demarca uma dura realidade: dos últimos nove pontos disputados, o Inter fez um.

Em relação ao histórico do jogo em si, a sensação torna-se ainda mais controversa. Por um lado, empatamos um jogo que perdíamos por 2 a 0. Por outro, deixamos de ganhar uma partida em que perdíamos de 2 a 0 e viramos para 3 a 2. Foi bom ou ruim, afinal? Sinceramente, não sei.

Sei, isso sim, que do jeito que tá o Inter não será campeão. Talvez nem mesmo se classifique para a Libertadores. Bolívar foi desastroso na zaga, assim como Índio vinha sendo antes de se machucar, e como Danny Morais foi ao substituir Índio. Urge a entrada de Eller no time. A zaga titular é Sorondo e Eller. E estamos conversados.

O meio de campo novamente foi mal. Sandro anda saindo demais da proteção da zaga, e por isso mesmo, por esse posicionamento equivocado, está cometendo muitas faltas. Giuliano foi fraco, errando praticamente tudo o que tentou. Andrezinho esteve displiscente, apesar do decisivo passe para o terceiro gol colorado. Só Guiñazu se salvou naquele setor.

Foi no ataque que residiram as boas notícias para o Inter na partida de ontem. Taison se movimentou bastante, e teve uma entrega absolutamente louvável. Jogou muito bem. E Alecsandro, ontem, esqueceu seus delírios ibrahimovicianos. Limitou-se a fazer o que sabe. E fez bem. Três vezes.

O Inter tem agora dois jogos de seis pontos no Gigante, contra Goiás e Atlético Mineiro. Temos que ganhar os dois, e encostar de vez nos líderes. Se o colorado não aproveitar esses dois confrontos decisivos em casa pra entrar de vez na briga, adeus tia Chica. São dois jogos fundamentais. OS DOIS. Ouvi nos discursos de vestiário uma supervalorização do duelo contra o galo pelo fato de valer o título do primeiro turno. Paremos com essa balela: título de turno não vale absolutamente nada. O Inter tem, isso sim, que se focar na sequência que vem pela frente para chegar ao título lá no final do ano, esquecendo essa baboseira de primeiro turno.

Se começarmos a comemorar título de turno, qual será o próximo passo? Festejar vaga ou vitórias épicas sobre poderosos times pernambucanos? Não, melhor não.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Jogo difícil na Vila

Se eu dissesse que estou minimamente otimista para a partida desta noite entre Inter e Santos, estaria mentindo. A inhaca em cima do time colorado está forte. Falta uma sequência de vitórias e boas atuações. E o Inter vai, apaticamente, perdendo terreno no Campeonato Brasileiro. Vejam bem, hoje, com o que o time vem demonstrando em campo, fica complicado até mesmo sonhar com vaga na Libertadores, dada outrora por mim mesmo como certa.

Entretanto, na ausência, o Inter pode estar começando a achar alguma solução. Sem o irregular Danilo Silva, sem Índio, e com o péssimo desempenho de Danny Morais, abre-se a possibilidade de, aleluia, escalar-se um lateral-direito na lateral-direita, com Bolívar sendo colocado na zaga. Nesse caso, entraria Daniel. Não que eu ache que o jogador vá ser a solução de todos os problemas. Trata-se de um jovem, e é até natural que não tenha um desempenho brilhante em um primeiro momento. Mas é da função. Conhece o ofício. E isso já é um bom começo.

Contudo, não sei se Tite terá coragem para escalar Daniel, de fato. Pelo que já se conhece do Adenor, é mais lógico que ele coloque Bolívar na lateral, e mantenha Danny Morais, o molengão, na zaga. Com esse desenho, as chances de até mesmo empatar com o Santos tornam-se ínfimas, mais do que já seriam com uma escalação racional. Não que o time da Vila Belmiro seja algo espetacular. É um time não mais do que mediano. Mas, em seu estádio, jogando contra uma equipe que hoje está insegura, como a colorada, e que geralmente vem jogando um tanto despretensiosamente fora dos seus domínios, o time de Luxa certamente partirá pra cima.

Com bons zagueiros já seria complicado suportar a pressão do alvinegro praiano. Se tiver Danny, então, torna-se praticamente impossível.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Refeição

Já é noite. Paulo chega em casa. Mais um dia havia se passado. Estafante. Os pés, calejados, doíam após a caminhada que durou um dia inteiro. Cansado, vai ao banho, que alivia um pouco do cansaço físico. O trabalho levava-o até o limite de cada múscuo do corpo, diariamente.

Após o banho, Paulo liga a televisão e senta-se à mesa, à espera do jantar. Joana, sua esposa, termina o que ainda havia por fazer na cozinha. Os filhos de Paulo e Joana, Pedro e Manoela, o primeiro com 8, a segunda com 5 anos, sentam-se. Joana então serve aquilo que tem de servir. Duas colheradas de arroz em cada prato. Este é o jantar daquela família. Nada mais do que isso. Apesar de todo o desgaste e entrega diária de Paulo, nada mais do que isso.

O ambiente na mesa é silencioso. Não porque houvesse algo de novo. Sempre era assim. Tão somente escuta-se, mas não se ouve de fato, a televisão. Também já não havia ali o silêncio de uma tristeza surpreendente. Toda a dor estava de um jeito ou de outro, contida, internalizada para Paulo, Joana, Pedro e Manoela. Era uma tristeza latejante, quieta. Era uma tristeza conformada, quase transformada em apatia para as crianças e a esposa de Paulo. Mas não para ele, embora ele também se mantivesse silencioso. Nele, aquela dor era um tanto mais aguda.

Paulo observa as inocentes fisionomias de suas crianças, comendo até com certo gosto aqueles escassos grãos de arroz, e fitando a mulher guerreira que lhe acompanhara durante toda a vida, seus olhos um tanto cansados, abatidos, surrados por uma vivência sempre um tanto difícil, privada de toda a dignidade que um ser humano deveria ter. Joana era uma supermulher. Uma companheira na mais completa acepção da palavra.

Paulo, o incansável trabalhador de todos dias e horas, olhava o cenário, tomado por uma angústia fatalista. Impotente por saber que faz tudo o que pode dia após dia, e que esse tudo não significa praticamente nada no frio cálculo monetário que faz o mundo girar. Paulo abaixa a cabeça, como quem ora, para na verdade esconder de filhos e esposa a lágrima que corre inevitável, temperando o arroz de seu prato. Amargurado, tinha que manter-se forte, esconder aquele momento de fragilidade de sua família. Afinal, amanhã seria mais um dia de luta, e ele tinha que parecer sempre o lutador indestrutível, o pai de família forte, másculo, digno, merecedor inconteste do respeito de sua mulher e de suas crianças.

E na tv, naquele momento, a figura de Sarney discursando sobre inocências e corruptelas, fazia o pano de fundo daquela cena tão singela.

Eis o país do futuro. Um futuro que nunca chega. Um futuro que nunca se torna presente.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Renascimentos

A graça da vida reside na sua irregularidade. Fosse tudo regular e dentro do esperado, sempre, e viver seria uma interminável modorra. Mesmo que as coisas fossem regulares para o bem (ou aquilo que se reputa ser o mesmo), perderiam a graça. O bom, o agradável, tornar-se-ia chato, indesejável, intragável. A presença e a ausência somente são sentidos quando se tem bem presente aquilo que representa seus opostos simétricos.
Um pedaço de nós, e nem sempre o mesmo, constantemente morre e renasce diferente, talvez melhorado, talvez piorado. Mas nos renovamos. Mesmo que pelas mais tortas vias. E de pedaços em pedaços, de micromudança em micromudança, quando nos damos conta, não somos mais absolutamente nada do que um dia fomos.
Tal fenômeno é inelutável. Somos permanente mudança. Somos, sim e sim, e constantemente, morte de nós mesmos. Somos o renascer de nossas próprias almas, valores e amores. Somos outra coisa, um pouquinho ou um poucão diferentes a cada segundo. Somos, acima de tudo, renovação.
De alguma forma, tudo reinicia. Novamente reinicia, e sabe-se-lá como, com toda a energia renovada, quase como num passe de mágica. Viver é isso, afinal. É lidar com nossas mortes e nossas ressurreições, aprendendo a sempre tirar o que há de melhor nesses períodos cortantes.
Heráclito estava certo.

domingo, 23 de agosto de 2009

Desastroso

O resultado de ontem no Palestra Itália foi absolutamente desastroso para as pretensões coloradas no Campeonato Brasileiro. Em uma competição que praticamente implora que o Inter seja campeão, o clube finalmente vai conseguir a façanha de sair do G4. Agora, nem vencendo as duas partidas de defasagem o time chega à liderança. E, sejamos minimamente honestos: com a bola que o Inter vem jogando, alguém aposta um pacote de Trakinas que vai vencer as duas?

Coletivamente, o time colorado não foi mal contra o Palmeiras. Fez um primeiro tempo pobre, mas sem perder o controle do jogo. E no segundo, quando já perdendo de 2 a 0, partiu pra cima, fazendo o que devia ter feito desde o início da partida. A falta de apetite ofensivo da equipe colorada longe do Beira-Rio é assustadora. E, geralmente, quando o time passa a jogar o que sabe e pode fora dos seus domínios, já é tarde demais. A vaca já tá atoladinha no brejo.

A esta atitude cagalhona e às reações retardadas do time, some-se algumas atuações individuais deprimentes. E chega-se à einsteiniana fórmula do fracasso. Danny Morais foi ridículo. Comprometeu o tempo todo: fez um pênalti de juvenil, falhou gritantemente no segundo gol, perdeu uma infinidade de lances mano a mano e teve grande parcela de culpa na derrota. O zagueiro ser lento é uma coisa. O zagueiro ser molengão é outra completamente diferente. Danny Morais é molengão.

Alecsandro, que é bom centroavante, tem um sério defeito. De tempos em tempos ele esquece que é Alecsandro e pensa que é Ibrahimovic. E aí, caros leitores, ele se torna uma verdadeira nulidade. Ontem ele jogou fazendo todas as funções ofensivas, menos a única que ele sabe fazer: ser centroavante. O cara jogou na ponta-direita, deu toquezinho de letra, de calcanhar, mas não resolveu absolutamente nada. Teve uma atuação patética, pra dizer o mínimo. E Taison... Bem, Taison eu larguei de mão.

Agora, o Inter fará a primeira das partidas atrasadas, contra o Santos, na Vila Belmiro. Repetindo a atitude que vem tendo na maior parte dos jogos longe do Beira-Rio, vai perder novamente. Não estou nem um pouco otimista. E, se perder, comecemos a nos despedir, mais uma vez, das chances de título brasileiro. Tomara que eu esteja errado.

sábado, 22 de agosto de 2009

Calados, eles são poetas

Certa feita, quando envolvido em uma polêmica com Pelé, o baixinho Romário decretou: "Pelé calado é um poeta". E tinha razão. O Edson sempre foi pródigo em falar bobagens. E tem alguns seguidores, bem menos brilhantes com a bola nos pés, como Souza, meia do Grêmio, por exemplo. Na última semana, esses dois poetas do bico calado soltaram algumas asneiras sensacionais.

Pelé, o rei do palpite furado, falando do Campeonato Brasileiro, disse que a taça ficará entre Atlético Mineiro e São Paulo. Bom, no galo, nunca acreditei muito mesmo: a fala de Pelé simplesmente coloca a última pá de cal nas pretensões de título do clube mineiro. Mas, em relação ao São Paulo, confesso, Pelé me proporcionou um alívio imenso: favorito para Pelé, finalmente o time do Morumbi terá sua hegemonia quebrada. E eu estava preocupado com a reação são-paulina. Agora estou tranquilo. O time que tem o nome aclamado por Pelé está condenado ao fracasso. Pelé é um tremendo pé-frio. Um Flávio Obino com grife. Ao não ser citado pelo rei do futebol, o Inter, e também o Palmeiras, protagonistas do duelo dessa tarde, ganham muita força na disputa do título.

Souza é um caso mais sério ainda. Esse jogador, que não passa de um jogador mediano, não joga nem 10% do que pensa que joga. Fala pelos cotovelos, talvez para tentar compensar sua mediocridade como futebolista. E fala muita merda, desde os tempos em que jogava no São Paulo. Ele deve ter tido algum problema na infância, ou quando estava sendo gestado, que ensejou uma espécie de atrofia cerebral. Souza seria incapaz de distinguir uma bergamota de um telefone. E com toda essa capacidade intelectual, veio fazer uma analogia bizarra. Segundo ele, o Grêmio vai brigar pelo título. E a base para fazer tal afirmação vem em forma de choramingo: porque no ano passado, o Inter estava em situação parecida e a imprensa dizia que tinha chances. Souza, o filósofo, não percebe aquilo que cintila e grita aos olhos e ouvidos: o Inter do ano passado era bom. o Grêmio desse ano é ruim. Simples como abrir uma caixa de Bis.

Entonces, meus caros leitores, o que sobra de lição das declarações dessas mentes brilhantes do nosso futebol?

Primeiro, que Souza fala muito e pensa pouco. É o típico caso de verborreia. Não faz a menor ideia das imbecilidades que diz, mas sofre dessa espécie de incontinência. Não deve jamais ser levado a sério em qualquer entrevista que seja. Tem muito talento para bobo da corte. E só.

Já o "king of the soccer", o mesmo que certa vez decretou a Colômbia (isso mesmo, a Colômbia!) favorita a uma Copa do Mundo, é um Nostradamus bizarro. Ele prevê o futuro, só que ao contrário. Tudo o que ele fala que vai acontecer, escrevam: não vai acontecer. Dizem que a Disney até estuda uma versão tupiniquim para "As visões da Raven": chamar-se ia "As visões de Pelé". Não seria nada demais, para quem já se aventurou como cantor e ministro, encarar essa empreitada, aproveitando esse seu dom ao contrário. Seria bem divertido.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Overdose de ódio

Doses homeopáticas de ódio fazem bem, de vez em quando. É bem verdade que o ódio é um remédio digno de tarja preta. Deve ser usado com certo cuidado, com alguma cautela.

O ódio pode matar e causar certa destruição. Talvez por isso ele seja expressamente proibido pelos órgãos internacionais de saúde. Mas, afinal, qualquer coisa em excesso pode matar. Inclusive o amor. Então, o ódio, em alguns casos, deve ser utilizado. Por que não?

Às vezes consumo um punhado dessa droga. Ela causa certo ardor interno. Mas essa espécie de queimação, paradoxalmente, acaba por combinar um tanto de mal-estar com outro tanto de um prazer um pouco mórbido, um pouco agitado.

Enquanto o amor é uma droga que nos domina, que nos subjuga, o ódio nos dá a sensação de sermos dominadores. O ódio liberta, mesmo que apenas dentro dos nossos pensamentos alucinógenos. O ódio, caros amigos, nos torna um pouco mais senhores de nós mesmos.

É incrivelmente tênue a linha entre o prazer e a overdose. O ódio nos atraiçoa. Mas eu gosto da adrenalina do ato de comprar as sensações libertadoras e os riscos inerentes a esta droga. Preciso de mais e mais pílulas. Antes que isso passe. Antes que eu volte ao jugo da vida real.

Farei uma passeata solitária, se preciso for, pela liberalização definitiva do ódio. Para fins medicinais e psiquiátricos, é claro. Mesmo que o fígado se debilite um pouco, quero mais. Quando não mais houver ódio, nem amor, nem ópio, nem utopia, estarei vegetando e morrendo. Talvez aí, e só nesse momento, me sinta um pouco em paz comigo mesmo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A volta do apito amigo

O Inter perdeu para o Corinthians em uma partida em que um homem fez a diferença: Wagner Tardelli. O juizão fez a diferença a favor do time do Parque São Jorge (novidade, né?), validando dois gols irregulares do clube paulista, e deixando de marcar dois pênaltis em favor do Inter, mais escandalosos que o vídeo da Daniela Cicarelli copulando na praia. Com uma arbitragem dessas, fica difícil até pro Manchester United vencer o Cerâmica; imaginem, então, como fica a situação num duelo entre dois grandes clubes do futebol brasileiro.

Mas passemos à bola rolando, e aquilo que se viu do time colorado.

A defesa teve momentos de instabilidade, muito mais em virtude dos velozes contragolpes corintianos do que por suas deficiências. Danilo Silva foi muito bem, especialmente no segundo tempo, apesar de um ou outro descuido defensivo. A dupla de zaga não comprometeu, tendo atuação razoável. A pereba, não só do sistema defensivo, mas do time colorado, foi Marcelo Cordeiro. Esse lateral é simplesmente ridículo e comprometedor. É um anão que não marca ninguém e apoia bastante em quantidade e pouquíssimo em qualidade. Não tem condições de vestir a camiseta colorada.

O meio também não esteve exatamente bem. Sandro esteve abaixo da média, assim como Guiñazu. Andrezinho jogou muito pouco, não foi nem sombra do que vinha sendo nas últimas partidas. Giuliano, por sua vez, foi a melhor figura do setor, muito participativo, rápido em raciocínio, e inteligente no planejamento das jogadas ofensivas. Esse jogador tem sérios problemas de execução, erra muitos passes e finalizações: mas tem bola no corpo, sabe do jogo. Aprimorando os fundamentos (e tem tudo pra melhorar, e muito, visto que possui apenas 19 anos), tem tudo para dar muitas alegrias à torcida colorada.

No setor ofensivo, Bolaños foi discreto, apesar de uma ou outra boa jogada, e Alecsandro, a despeito de ter marcado o gol da equipe, perdeu muitos outros. Mas centroavante é isso. Ele tava lá. Simplesmente ontem não esteve em seu dia. Simples assim.

É óbvio que o resultado foi horroroso. Primeiro, porque deixa o Inter estagnado na tabela, com o crescimento do São Paulo e as partidas de Goiás e Atlético Mineiro por realizar na rodada. Segundo, porque foi no Beira-Rio, e perder em casa é um prejuízo imenso num campeonato parelho como o Brasileirão. E, por último, porque é extremamente irritante perder para o Corinthians. É inegável que se criou uma certa rixa com relação a esse time. Assim, ser derrotado pelo mesmo, ainda por cima nos minutos finais, cria um mal estar que só é capaz de ser superado por uma derrota em Gre-Nal.

Contudo, o Inter agora tem que tratar de se remobilizar rapidamente. Não há tempo para lamúrias. O jogo do Corinthians passou. Agora, o colorado tem que se focar no jogo importantíssimo contra o Palmeiras no Parque Antártica. Tivesse ganho ontem, e o empate seria um resultado interessante e aceitável. Mas, com a derrota no Gigante, o Inter tem que lutar pelos três pontos, para recuperar o terreno perdido nesta rodada. Há ainda, é bem verdade, os jogos atrasados que o colorado tem que jogar: entretanto, isso apenas plasmará uma vantagem à medida que o Inter ganhe tais jogos. Por isso, tento manter certa prudência ao abordar esse fato.

Agora, é pensar em se recuperar quase que instantaneamente. A vitória em São Paulo tem que ser uma obsessão colorada. Viria em ótima hora, não apenas no raciocínio frio e cru da tabela, mas também no sentido anímico, de ganhar de um adversário direto pelo título. Que siga o campeonato, afinal.

Gostinho especial

A partida de hoje contra o Corinthians não é uma revanche. Não há nada, absolutamente nada, que remeta ao ambiente da final da Copa do Brasil. Hoje, há uma diferença abissal entre as duas equipes. Inegavelmente.

O Inter vai desfalcado, é bem verdade. Principalmente Kléber é um desfalque a se sentir, já que Marcelo Cordeiro até hoje não se afirmou como um reserva confiável, embora tenha lá seus bons momentos. Mas em relação aos outros desfalques, os mesmos permitem inclusive um acréscimo na média geral do time. Taison, apesar do crescimento, não está em boa fase, e será bem substituído por Bolaños. E Índio lesionado, com todo o respeito que me merece o zagueiro campeão do mundo, não é desfalque: é reforço.

O Corinthians, glorioso campeão da não menos gloriosa Copa do Brasil, é um verdadeiro arremedo de time. Perdeu jogadores importantes, não está com Ronaldo adoro-um-traveco-pauzudo Fenômeno, e ainda não contará com o goleiro/imbecil Felipe e com o bom zagueiro William. São desfalques consideráveis.

Mesmo não sendo exatamente uma revanche (quem sabe aconteça na Libertadores do próximo ano?), e considerando o enfraquecimento corintiano, não posso negar que vencer hoje terá um gostinho especial. Se der pra tocar uns quatro, tanto melhor. Em futebol não existe peninha. Muito menos daqueles que levaram um Campeonato Brasileiro na mão grande.

Então, se der pra passar por cima do Corinthians, que assim seja. Caso não seja possível, que pelo menos o Inter leve os três pontos, com gol de mão em impedimento, aos 48 do segundo tempo. Pra mim, tá perfeito.

Afinal, ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Só ouvindo e escrevendo...

Cada um de vocês tem um sistema digestivo. Cada um, um por um, possui um sistema digestivo. Cada um está funcionando, incessantemente. Cada um com seu metabolismo, seu tempo, suas substâncias.

Cada um é um só, e cada um é a mesmíssima coisa. Engraçado, muito engraçado. E daí? Quero mais do mesmo. Grande coisa! Simplesmente quero mais e mais, e ainda por cima quero sobreviver.

Quero sorrir. Adoro sorrir, quando o sorriso é sincero e do fundo do coração. Quero rir! É muito bom rir! Hahahahaha!

Fugir não adianta. Fugir nunca adianta. Quero estar e ser algo. Quero ser alguém ou alguma coisa. Tendo uma função qualquer, que seja.

Talvez eu pare e simplesmente olhe para a lâmpada. A lâmpada pode ser bem legal. Depende do ângulo. Todos estão calados e pensando, ou vomitando pensamentos inúteis do cérebro. É assim que funciona.

Eu, daqui, de mim mesmo, não assimilo nada. Sou um ente cenográfico. Simplesmente estou, sem ser. E daí? Nunca fui mesmo. Ah, só mais um pouquinho de hahaha. É necessário. É bom. É orgásmico.

Tudo parece inútil, mas sei que não é. É algo, algo que não compreendo, é verdade. Mas é algo. Algo que paira. Algo que se sobrepõe à minha humilde existência.

Calem as bocas e os cérebros! Parem de pensar! Preciso de um pouco de silêncio!

domingo, 16 de agosto de 2009

De Yin para Yang

Sente-se um pouco, amigo. Coloque-se ali, na poltrona. Isso. Relaxe, vamos conversar um pouco. Ou melhor: apenas me ouça. Ouça o que tenho a dizer com toda a atenção que puder. É coisa rápida. Você não irá assimilar tudo. Não tenho essa ilusão. Talvez inclusive você contrarie completamente minhas recomendações. Conheço você melhor do que ninguém, afinal. É da vida. Você é humano, e não posso interferir na sua humanidade.

Mas, entenda, às vezes é necessário ter um pouco de racionalidade. Você se entrega facilmente às suas ilusões, aos seus pensamentos. Para o bem e para o mal. Mas isso é um erro. Ah, tolo erro repetitivo. Você sabe muito bem o quanto se autorreprisa. O quanto se autorrepisa.

Sou seu companheiro, seu amigo, aquele que está com você em toda e qualquer circunstância. Você sabe disso. Por isso, peço mais uma vez: apenas me ouça. Saiba que há armadilhas nesse caminho. Só pode haver. Parece bastante evidente que há. Fuja, ou pelo menos contorne-as.

Quer tentar mais uma vez? Pois bem, tente. Não vou me opor às suas vontades, por mais estúpidas que elas me pareçam. Mas não se esqueça de você mesmo. Não se esqueça de sua dignidade, do seu orgulho.

Ame, se tiver que amar. Mostre novamente a paixão que nunca deixou de existir desde o primeiro e inigualável beijo, se assim tiver que ser. Mas, por favor, faça a coisa certa, na hora certa e do jeito certo. Não erre de novo. Não entregue mais do que deve ou do que é necessário. Seja o mais doce príncipe, ou o mais canalha dos sapos, de acordo com o que a situação melhor lhe indicar. Sofra, chore se precisar. Mas depois. Sozinho. Silenciosamente.

Não faça papel de idiota mais uma vez, caro amigo.

16 de agosto de 2006

Há exatos 3 anos o Sport Club Internacional escrevia uma das mais gloriosas páginas de sua história, ao conquistar a Taça Libertadores da América. Os gols de Tinga e Fernandão em Porto Alegre, no empate de dois gols com o São Paulo, então Campeão do Mundo, levaram o colorado àquele inesquecível título.

A campanha como um todo beirou à perfeição. Na primeira fase, o time colorado passou invicto. Claro, houve desacertos, desconfianças, como no empate na estreia contra o Maracaibo. Mas também, naquela primeira fase, tivemos uma vitória maiúscula contra o Nacional por 3 a 0. Emblemáticas vitórias de virada sobre o Pumas, lá no México e no Beira-Rio, este último, um dos jogos mais marcantes daquela campanha, em que perdíamos inacreditavelmente por 2 a 0 e viramos para 3 a 2, com gols de Michel, Fernandão e Gabiru (sim, ele, o predestinado, o eterno camisa 16).

Diga-se de passagem que em meio àquela campanha colorada, não me recordo exatamente a que altura dela, perdemos o Gauchão para o Grêmio. Bendita derrota! Ali, naquela festa tricolor, desencadeava-se de uma vez por todas a Libertadores colorada, porque ali Abel Braga parou com o descalabro de escalar o time num ridículo 4-2-4 para atuar com um meio mais consistente, povoado, e um sistema tático racional. Tivéssemos ganho aquele título, muito provavelmente a Libertadores não teria sido conquistada. Se os gremistas pudessem voltar no tempo, tenho quase certeza, abririam mão daquele título, daquele (pra eles) amaldiçoado gol de nuca de Pedro Júnior.

Mas voltemos à Libertadores. Nas oitavas-de-final, a passagem heróica, ganhando em Montevidéu do Nacional, com duas expulsões, com gol antológico do Saci Renteria. Fossem outros times destas plagas, seria uma prova de "imorribilidade", seria para todo o sempre lembrado como "A Batalha de Montevidéu". Mas como era o Inter, foi só mais uma vitória.

Nas quartas-de-final, o mais dramático dos confrontos, contra a LDU, quando perdemos lá (única derrota da campanha colorada, por sinal) e vencemos no Beira-Rio, dramaticamente, com direito a milagre de Clemer em uma falta no finzinho.

Veio a semifinal contra o Libertad, time respeitável que havia eliminado o River Plate; time que tinha um certo meio-campista argentino, careca, de cavanhaque, que corria alucinadamente e, lá, era articulador da equipe. Sim, o Guiñazu do Libertad era meia esquerda. Fazia papel de camisa 10 do time. Mesmo assim, se sobressaía também na marcação. E mais um adversário fora abatido no caldeirão vermelho. 2 a 0, gols de Alex e Fernandão.

As finais foram um capítulo à parte. Enfrentamos o São Paulo, tido como favoritaço, time que estraçalhava os adversários, que no Morumbi passava por cima dos rivais, atual Campeão Mundial. E lá foi o Inter. Em Porto Alegre, a atmosfera era inesquecível. Camisas vermelhas se proliferavam. Bandeiras eram vistas em muitas janelas, e tremulavam com uma espécie de vida própria, como avisando que aqui, aqueles seguidores que para sempre amarão o Inter, estavam prontos para a batalha, mesmo que à distância.

E o jogo de Morumbi foi uma verdadeira epopeia. Duas expulsões no primeiro tempo, uma do Inter, outra do São Paulo. Jogo lá e cá, e o time colorado também impunha seu futebol, mostrava que ali não estava um coadjuvante. O Inter mostrava que queria vencer. No segundo tempo, o Inter foi sensacional. Sobis fez dois gols. Era o paraíso. A maravilha futebolística concretizada no gramado do Morumbi. Ali, a nação colorada vivia a realização de um sonho, genuíno e mais puro sonho, que até então acalentava-se somente nos corações vermelhos. Tomamos ainda um gol, mas vencemos. Estávamos a 90 minutos do título da Libertadores. No Beira-Rio.

E o Gigante lotado sediou aquela partida final, recebendo e protegendo o Inter. Foi uma partida cheia de dificuldades. O São Paulo jogou melhor o tempo todo, essa é a verdade. Mas aquele título tinha que ser do Inter. Fernandão abriu o placar, em falha do grande Rogério Ceni. No segundo tempo, o time paulista empatou. Nervos à flor da pele. Mas Tinga, o colorado Paulo César, fez o gol mais importante de sua vida, e fora expulso na comemoração, por ter levantado a camisa. Com um jogador a menos, o Inter resistia bravamente. Abel entulhou o time de zagueiros, e o colorado defendia o resultado leoninamente. Depois dos 40 minutos, Lenílson empatou novamente para o tricolor paulista. E o São Paulo veio pra cima. O Inter bicava a bola para onde o nariz apontava. O time do Morumbi, deseperadamente, atacava. A zaga se virava, assim como Clemer, que fez um milagre sobrenatural em cabeceio de Alex Dias.

Mas o jogo acabou. O Inter era Campeão da América. O apito de Horácio Elisondo encerrava uma era, uma angústia que trancava a garganta de cada colorado, que até então ouvia ironias arrogantes de quem nunca soube verdadeiramente ser vencedor.

A América conhecia um novo campeão. Nunca vi o Beira-Rio tão lindo como naquela noite de 16 de agosto de 2006. Os fogos de artifício sobre o Gigante eram o emblema de redenção, e, por que não, da libertação de um povo.

A partir dali, o Inter iniciou uma nova era em sua história, a era mais vencedora de sua linda existência. A partir dali, o Inter empilhou títulos internacionais, legítimos, homologados com todos os selos de qualidade que os grandes títulos exigem. A partir dali, o Inter tornou-se o grande Campeão de Tudo. Fez rivais engolirem, a seco, todas as baboseiras ditas, e passarem por um merecido inferno astral, penando no ostracismo, mergulhando numa seca associada a uma profusão de títulos colorados num castigo com jeito divinal. Vão pagando, com juros e correção monetária, toda a presunção e empáfia características dos maus vencedores.

Tomar só cafezinho deve dar uma azia danada!

sábado, 15 de agosto de 2009

Passos e pensamentos

Ele caminhava. Seus passos não eram exatamente determinados. Eram passos incertos. Encontrava-se imerso em seus pensamentos. Eram lembranças, recortes do passado, recortes do que acontecera, projeções de um futuro nebuloso.

Talvez tudo fosse um remake, uma versão nova, mais moderna, das mesmas passagens, de mesmos personagens, jeitos. Mesmo final, talvez. Alguns remakes, entretanto, merecem um final diferente. Tudo o que pode ser melhorado, assim o deve ser feito.

Há, na atmosfera, um pouco de esperança, um pouco de vontade de mudar a própria história, o próprio destino que fora traçado unilateralmente, sem acordo. Há, contudo, também a já costumeira preocupação com sabe-se-lá-o-que. O medo de perder aquilo que jamais possuiu. A autodeterminação e o livre arbítrio humanos parecem mitológicos quando ele, aquele personagem andante, verifica tudo o que se passou.

Existem determinações mais fortes. Tudo na vida é interação, afinal. Uns sabem interagir melhor, outros menos, talvez nem mesmo saibam. A interação com os ambientes e com as pessoas, a coadunação dos desejos com os ambientes e as pessoas: eis a arte de ser humano. Difícil arte.

Mas ele continua andando, conjecturando, traçando um futuro que dele não depende. Ele trata de imaginar todas as potenciais ameaças ao dia de amanhã. E caminha, quase decompromissadamente, como se em algum passo, em algum canto, em algum pedaço de chão pudesse encontrar as suas respostas e o seu alívio. Quem sabe, pudesse até mesmo encontrar a si mesmo.

Passos mais apressados não podem fazer o relógio andar. E, mesmo que ande, mesmo que os ponteiros marquem um novo fuso, mesmo que as folhas do calendário voem todas até algum (in) certo dia, ele simplesmente se pergunta: pra quê?

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Uma guerra sem mocinho

Está declarada a guerra entre Globo e Record, agora de forma mais acirrada do que nunca. Nos últimos dias, a emissora do plim plim passou a sistematicamente apresentar acusações e reportagens intermináveis com denúncias à Igreja Universal, do Bispo Edir Macedo. A Record, do mesmo Edir Macedo, então, veiculou pelo seu telejornal sua longa e forte réplica, fazendo uma série de acusações acerca do no mínimo obscuro passado da empresa da família Marinho.

Essa é uma guerra sem mocinho. Na minha opinião, não há anjinho nenhum nessa história toda. A Rede Globo tem um reconhecido histórico de conchavo com a ditadura militar do país, além de alguns episódios inusitados e marcantes, como o mais que tendencioso compacto do debate entre Lula e Collor às vésperas das eleições de 1989 (impossível não sugerir o documentário "Muito Além do Cidadão Kane).

E não é por ser uma defensora dos fracos e oprimidos que a Globo chama a Igreja Universal e o Bispo Macedo pra briga de forma tão explícita. É por causa dos seus interesses empresariais. A Globo está utilizando as acusações contra a igreja de forma a desestabilizar o crescimento absurdo que a Rede Record vem tendo, começando a travar um duelo de audiência de igual pra igual com a toda-poderosa. A emissora carioca está sentindo ameaçada sua hegemonia, como talvez nunca tenha acontecido durante a sua existência até os dias de hoje.

Isso coloca Record, Bispo Macedo e Igreja Universal como coitadinhos injustiçados? É óbvio que não. E longe disso. Muito longe. As acusações sobre a igreja sinalizam para aquilo que é muito sentido, percebido, por quem está fora daquela organização. Ao que tudo parece indicar, a fé das pessoas é utilizada lamentavelmente para benefícios pessoais. Muita grana rola nessa brincadeira, tenham certeza. É realizada uma espécie de lavagem cerebral que parece cegar os sujeitos, que se veem impelidos a contribuir com o que tem e o que não tem, na esperança de um futuro melhor.

Em suma, algumas coisas tem de ficar bem claras. Primeiramente: as acusações contra a Igreja Universal fazem bastante sentido dentro de uma perspectiva lógica. Em segundo lugar: o espaço destinado pela Rede Globo a tudo isso é bastante desproporcional, dentro daquilo que conhecemos da linha editorial e jornalística da emissora. Por último, é sabido e notório que a Globo também não pode se colocar como a defensora da ética, da moral, dos bons valores e da democracia, principalmente quando se leva em conta tudo aquilo que permeou a sua constituição enquanto empresa e império da comunicação no país.

Aguardemos os próximos rounds. Muita coisa ainda há por rolar nesse Freddy contra Jason.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O pandemônio da pandemia

Não existe mais saída! O mundo vai acabar! Peguem suas máscaras e aguardem o fim dos tempos em casa! Fujam das pessoas! Fujam de qualquer contato! Virem de uma vez os meninos da bolha de plástico! Não é paranoia! Salve-se quem puder!

A televisão diz, eu acredito! Não tenho pensamento crítico! Não quero tê-lo! Pensar dói! Por isso, me rendo solenemente às verdades ditas pelo Jornal Nacional! Por que eu haveria de duvidar da isenção da Rede Globo e dos meios de comunicação de massa em geral? Eles estão certos! Eles detém a informação!

Sejamos, cada vez mais, gosmas acríticas! Entreguemo-nos de uma vez! Ninguém vai fugir do pandemônio da pandemia! Esterilizem tudo! Esterilizem todos! Tomem banho de álcool! Construam passagens subterrâneas! Gritem e sapateiem!

Espalhem mais, acreditem no alarme que soa infernalmente! O apocalipse chegou! Escondam-se embaixo das mesas! Gritem um pouco mais! Chorem! Chorem todos os pecados cometidos! Batam com a cabeça na parede, peçam perdão aos céus! O fim está próximo!

E numa bela segunda-feira, lá pelas oito e meia da noite, William Bonner arregala os olhos para a câmera e grita: "Ráááá! Pegadinha do Mallandro!"

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Chiaroscuro

Ontem foi lançado oficialmente o terceiro álbum de estúdio da Pitty, intitulado Chiaroscuro. Desde 2005 a banda não lançava um álbum de estúdio, e a relativa demora foi muito bem justificada: Chiaroscuro possui uma coleção de músicas espetaculares, bem acabadas, bem produzidas, com a banda como um todo muito bem sintonizada, e com uma Pitty cantando tudo o que sabe, e mais um pouco.

O disco me causou uma ótima impressão, sendo, na minha humilde e franciscana opinião, o melhor de Priscilla Leone. Se vai emplacar tantos hits quanto os outros dois, só o tempo, o trabalho em cima do álbum, e a recepção do grande público vão dizer. O fato é que, pelo menos eu, já estou viciadíssimo, ouvindo no mínimo uma vez por dia.

Chiaroscuro é o disco mais nivelado da banda. Ali, todas as músicas estão em altíssimo nível, e cada uma tem a sua própria graça, o seu próprio charme, a sua própria força. Ao mesmo tempo em que o álbum possui o já característico estilo existencialista da roqueira, ele se revela como o disco mais feminino da cantora, com temáticas e ambientes bem ao estilo Sex and The City. Chiaroscuro aparece como a consagração definitiva de Pitty, colocando-a de uma vez por todas no primeiro escalão da história do rock nacional. Faixa a faixa, comento minhas impressões.

1. 8 ou 80: Ótimos arranjos instrumentais, bela linha de baixo, excelente letra; talvez tenha faltado apenas um refrão mais forte. Destaque para o solinho de guitarra na metade final da música, simplesmente sensacional.

2. Me adora: A música mais pop do álbum, tem boa letra e um bom refrão.

3. Medo: Uma música-texto ao estilo "Malditos cromossomos", com frases de efeito estético e psicológico, retratando maravilhosamente bem uma sensação quase que intrínseca à existência. Achei desnecessária a quebra do meio para o final da música: "se corre o bicho pega, se fica o bicho come" soou um pouco clichê demais. Sem esse trecho, a canção teria uma melhor fluidez. Apesar disso, ótima música.

4. Água contida: Um rock com elementos de tango, que contou com a participação de Hique Gomez, da peça "Tangos e tragédias". Experiência extremamente feliz, com destaque para a metade final, que incorpora um trecho bem construído, pesado, e que ficou perfeito no contexto da música.

5. Só agora: Uma deliciosa baladinha melacueca.

6. Fracasso: A melhor letra do álbum, com um pré-refrão lindo e forte.

7. Desconstruindo Amélia: Um hino da mulher ocidental moderna. É preciso dizer algo mais?

8. Trapézio: A música mais animada do álbum, ao melhor estilo The Strokes. É a faixa mais gostosa de ouvir, daquelas canções que simplesmente trazem uma sensação boa, quase que inexplicável.

9. Rato na roda: A atmosfera tensa e sombria dessa música serve como fundo perfeito para uma feliz analogia entre a vida de um ramster e aquilo que configura a existência da maioria dos seres humanos.

10. A sombra: Linda e melancólica canção, daquelas perfeitas pra ouvir sozinho em casa, durante um porre violento de vinho.

11. Todos estão mudos: A melhor faixa de Chiaroscuro: a letra é muito forte, e o refrão, simplesmente explosivo, tudo isso com um jeitão de Queens of The Stone Age. Destaque também para o solo de guitarra, muito bom.

Resumindo toda esta ópera: recomendo, e muito. Discografia obrigatória para quem curte um rock de qualidade, com boas letras, e tirado do fundo da alma.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A volta do bom futebol

O bom futebol retornou ao Beira-Rio, depois de alguns momentos titubeantes da equipe colorada nos últimos meses. O Inter ontem venceu e convenceu no confronto contra o Sport. Jogou um futebol de alta qualidade, não dando chances para o adversário, sufocando o tempo todo, trocando passes em velocidade e criando muitas oportunidades de gol.

A defesa não teve nenhum tipo de problema. O Inter se impôs tanto que o time pernambucano inexistiu ofensivamente. No meio de campo, quatro grandes atuações. Guiñazu sendo Guiñazu; Sandro jogando grande partida, fazendo gol; Andrezinho novamente aparecendo muito bem, dando passes verticais e sendo o grande articulador da equipe; e Giuliano, fazendo um belo gol e sendo o melhor em campo. Aliás, o jovem meia é o maior exemplo de como os fatores psicológicos influenciam uma atuação. Até o gol, Giuliano jogava uma partida horrorosa, errava muitos passes e ensejava um princípio de vaias no Gigante. Depois do gol, jogou uma enormidade, driblou, deu bons passes e se movimentou muito. No ataque, Alecsandro teve apenas uma chance de gol, e Taison se esforçou bastante, mas não conseguiu guardar o seu.

O saldo para o time colorado ao final da rodada é mais do que positivo. Mesmo com duas partidas a menos que os rivais, mantém-se no G4, e o melhor, apresentando um futebol absolutamente alentador. Ainda há acréscimos consideráveis por encaixar na equipe, com Edu e Fabiano Eller, recém contratados. O Inter mantém-se, assim, convicto na busca pelo título brasileiro. Estou muito esperançoso.

Vencer é fundamental

Hoje às 21 horas, mais importante do que qualquer outra coisa para o Inter, é vencer o Sport Recife no Beira-Rio. O título da Copa Suruga Bank certamente dá um novo gás à equipe no Campeonato Brasileiro, que acabou tendo os danos minimizados em sua ausência, depois da qual permaneceu inclusive no G4.

Há dois jogadores voltando a ser relacionados, reintegrados ao grupo: Lauro, que estava lesionado, e D'alessandro, que estava, digamos, "na geladeira". A volta do goleiro é quase que natural. Faz ótima temporada e está afirmadíssimo como titular da camisa 1. Já o meia argentino vai ter que lutar pra reconquistar o seu lugar na equipe.

Andrezinho está jogando muita bola naquela função. Sua entrada traria como requisito recuar novamente o carioca para a terceira função do meio campo, onde ele não joga tanto quanto na quarta função. Portanto, D'ale vai ter que voltar a jogar, no mínimo, a bola que jogou na Sul-Americana do ano passado e em algumas partidas do início deste ano. Nessas condições ele é, inapelavelmente, melhor que o muito bom Andrezinho.

Vencer é a palavra de ordem desta noite no Gigante. Ganhando as partidas atrasadas, o Inter fica muito forte na briga pelo Brasileirão, principalmente se considerarmos os acréscimos de qualidade que devem se agregar ao elenco nos próximos dias.

Não se enganem, esse jogo de hoje tem tudo pra ser enjoado, encardido. O Sport é o típico time "murrinha": vai marcar bem, fazer uma retranquinha amiga e sair em alguns contra-ataques pontuais. Mas o time colorado tem que superar isso e ganhar, por meio a zero que seja. Esta noite é uma noite para o pragmatismo.

domingo, 9 de agosto de 2009

Dia dos pais

É domingo de dia dos pais. Sou, ainda, apenas um filho. Por isso, é muito complicado falar do ser pai. Tudo que se tem quando não se é, de fato, pai, é teoria, imaginação e projeção. Mas me parece que ser pai é um exercício de extremas dificuldades, ao passo que também pode ser bastante compensatório, no sentido moral da palavra, ao ver o resultado do sacrifício inerente à criação de um filho.

Os pais tendem a ser mais doces e bobalhões com meninas. Filhos do sexo masculino pedem o papel de durão por parte do pai. Filhas do sexo feminino pressupõem uma relação mais disciplinatória das mães, que conhecem, e por isso, podem interferir mais objetivamente nos descaminhos morais que uma menina pode encontrar. E não sejamos hipócritas: vivemos, sim, ainda, numa sociedade machista, em que as exigências morais são maiores junto às meninas.

É claro que hoje a coisa caminha para uma crescente desvalorização da dimensão moral, e a mulher está se inserindo nesse contexto de forma até um pouco, digamos, drástica demais, confundindo independência e sensualidade com vulgaridade e sexualidade explícita. Aqui falo, obviamente, do muito que observo que não é, porém, o todo. Felizmente, existem mulheres, em boa quantidade, diga-se de passagem, que conquistaram uma genuína independência, e que tem personalidade suficiente para não trocar as bolas e criar uma auto-imagem de boneca inflável.

O fato é que, na maioria das vezes, meninos possuem maior afinidade com a mãe, e meninas, com o pai. Claro, existem casos de pais-propaganda-da-Gelol. Mas o que se espera do pai de filho homem é realmente, a princípio, uma postura mais rígida, equilibrando com a permissividade materna. E da mãe de filha mulher, o mesmo tipo de rigidez, fazendo um balanço com os pais bobalhões e babões com suas filhotas. Aliás, eu mesmo assumo: tenho certeza que se tiver uma filha no futuro, serei ultra-mega-super-bobalhão. Daqueles meio insuportáveis, mesmo.

Tenho consciência desse tipo de fator, dessas relações quase que matemáticas, pré-científicas, das relações humanas ocidentais, e tenho orgulho do pai que tenho, que sempre se matou trabalhando pra prover da melhor maneira possível o meu sustento, com o seu jeito próprio de demonstrar amor, e fazendo, à sua maneira, o papel de pai. Aprendemos com o tempo que existem diversas formas de demonstrar apreço e carinho, que as mesmas relacionam-se diretamente com o jeito de cada um, e que não podemos esperar sempre atitudes à nossa maneira como se estas fossem universais.

Um feliz dia dos pais a todos.

sábado, 8 de agosto de 2009

Fabiano Eller

O Inter estaria, segundo o Clicrbs, fechado com Fabiano Eller, zagueiro campeão da América e do Mundo pelo clube em 2006. Tecnicamente, é um grande reforço, sem dúvida nenhuma. Representa também que o Inter passa a ver Índio mais como uma figura histórica do que como jogador de futebol. Também representa que o colorado vê Bolívar, realmente, como lateral.
Justificar
Gosto muito do futebol de Fabiano Eller. Um dos melhores zagueiros da história colorada. Parece muito mais uma contratação de ocasião do que qualquer outra coisa. Louvável, de qualquer forma, desde que o colorado não negligencie as maiores carências do elenco.

Fica claro que o Inter é um dos times que estão conseguindo ficar mais fortes durante a tal da janela. De fundamental mesmo, perdeu somente Nilmar. Conseguiu se livrar do mongovante Leandrão, e está trazendo reforços de peso, como Eller e Edu (há ainda Cléber Santana por confirmar).

Estabelece-se, dessa maneira, como o grande time para o segundo turno do Brasileirão, mesmo considerando as dificuldades de entrosamento inerentes à recolocação de certas peças na equipe. Mas os ganhos são visivelmente alentadores. Afinal, é mais fácil entrosar jogadores bons do que jogadores ruins. Aliás, vou mais longe: é melhor ter jogadores bons desentrosados do que jogadores ruins entrosadíssimos. Estes últimos apenas conseguem perder organizadamente.

Eis então a grande notícia do momento: o Inter vem mais forte do que nunca. Mais candidato do que em qualquer outro dia que tenha passado até agora no ano.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Edu

O Inter está por confirmar a contratação do atacante Edu, ex Betis da Espanha. Estaria aí o substituto de Nilmar.

Edu pode não ser o nome de impacto que se esperava para o lugar do "golden boy colorado". Mas é, sim, até prova em contrário, um belo reforço. Não o vi jogar nos últimos tempos. Mas a recordação que tenho do seu futebol dos tempos de São Paulo é das melhores. Jogador inteligente, bom finalizador, e extremamente técnico. Vai dar um grande acréscimo de qualidade à equipe colorada, com certeza.

A contratação de Edu é um bom começo. Mas há mais peças importantes que o colorado ainda deve trazer. Um jogador para o meio de campo seria excelente, uma vez que Giuliano ainda é uma incógnita e Magrão está em situação indefinida. E urge a contratação de um lateral. Bolívar, por ali, vem sendo desastroso. Não tem qualidade para o apoio, e anda muito mais preocupado em brigar com os adversários do que em jogar bola.

Com esses ajustes, o Inter pode retomar com força o objetivo de ser Campeão Brasileiro. Agora, é recuperar as rodadas de ausência com vitórias consistentes e voltar a uma posição destacada na tabela da competição. Esta jornada começa segunda-feira, contra o Sport no Gigante. Nesta partida, mais do que qualquer outra coisa, o fundamental é vencer. Daí por diante, e com os reforços prometidos por Vitorio Píffero, a tendência é decolar de vez.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Mais um título internacional do Internacional

O Inter sagrou-se, na manhã desta quarta-feira, Campeão da Copa Suruga Bank. Com esta conquista, o clube chega à impressionante marca de seis títulos internacionais em quatro anos. De 2006 pra cá, o time colorado conquistou Libertadores, Mundial, Recopa, Copa Dubai, Copa Sul-Americana, e agora, a Copa Suruga Bank. É a consagração do Inter como o mais famoso time brasileiro no Mundo, onde somente o São Paulo e o Santos, graças à Pelé, possuem reconhecimento parecido.

O time colorado fez um bom primeiro tempo. Criou oportunidades, liberou Kléber, de ótima atuação, que apoiou muito e com muita qualidade , e pressionou o time do Oita Trinita, Campeão da Copa da Liga Japonesa. Só faltou o gol. Na segunda etapa, a equipe deslanchou: Alecsandro, depois Andrezinho, em uma obra de arte, marcaram os gols da vitória colorada. Depois disso, o time japonês, em desvantagem no marcador, descontou (aliás, como tá fácil driblar o Índio, hein?), e tentou pressionar o Inter, que administrou a partida até o seu final, com raça, e com o regulamento embaixo do braço.

Ao apito final do juiz, festa colorada no Japão, mais uma vez. O Inter ganha mais um título internacional para sua farta galeria, e consegue finalmente igualar o feito do arquirrival Grêmio, ganhando uma disputa em jogo único no Japão, a exemplo da Copa Toyota, conquistada pelo lado azul do Rio Grande em 1983.

O Inter estabelece-se, cada vez mais como um clube vencedor, conquistador de taças internacionais. É, indubitavelmente, o Clube de Todas as Copas.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A polêmica sobre Fernandão

Fernandão é o maior jogador da história do Inter. Não tenho um centímetro de dúvida em relação a isso. Pode não ter sido o melhor. Mas foi o mais importante, o capitão das maiores conquistas coloradas.

Ontem, ao ler o post em seu blog, em que ele afirma que o Inter lhe fechou as portas, fiquei bastante chateado. Com o Inter. Afinal de contas, mesmo que Fernandão não seja mais aquele jogador do auge, sua contratação seria um fato de impacto tão positivo que daria uma nova vida às perspectivas coloradas no ano de seu centenário.

Eis que, então, surgem as declarações de Fernando Carvalho e a nota oficial do clube sobre o caso. Carvalho afirma, categoricamente, que enviou três e-mails demonstrando interesse em negociar com Fernandão. Partindo da premissa que o eterno presidente esteja falando a verdade, e haveria, com os e-mails, prova irrefutável do interesse colorado no atleta, chego a uma singela conclusão: Fernandão simplesmente não quis voltar ao Inter. O que é um direito dele, de querer encerrar a carreira no seu clube de origem.

O que é questionável na atitude do Capitão Planeta é dar aquela declaração de que o Inter lhe fechou as portas. Se realmente existiram tais e-mails, Fernandão foi, no mínimo, injusto. Para legitimar sua atitude de escolher o clube goiano, tentou jogar a torcida colorada contra a direção do clube, atitude muito estranha vinda de um sujeito que até então sempre demonstrou imenso caráter.

Fato é que a vida de Fernandão continua, sem o Inter, e a vida do Inter continua, sem Fernandão. E amanhã o time colorado tem a possibilidade de agregar mais uma taça internacional à sua imensa galeria, ao disputar a Copa Suruga Bank. Se o título não é lá o mais conhecido e prestigioso, o jogo de amanhã representa a imensa oportunidade comercial de o clube promover ainda mais a sua marca no Japão, apresentando-se como um time vencedor e bem-sucedido. Por isso, o Inter tem que aproveitar.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A hipótese Cléber Santana

Não sei até que ponto é verídica a informação de que o Inter estaria contratando Cléber Santana, do Atlético de Madri. Mas, se tal hipótese se confirmar na prática, seriá um excelente reforço, pra fazer principalmente a função do Magrão que, ao que consta, está de partida.

Cléber Santana é um meio-campista que alia, muito bem, força e enorme capacidade técnica. Este jogador apareceu bem no Vitória, e ganhou destaque nacional jogando pelo Santos, fazendo muitos gols e sendo um dos principais destaques da equipe. Depois, foi para o futebol espanhol, onde no último ano foi destaque no Mallorca. Está com uma idade ótima (28 anos), aquela em que o jogador está maduro, bem fisicamente, e ainda com fome de títulos e de mostrar bom futebol. Entraria como uma luva no meio de campo colorado, sem dúvida nenhuma.

Por enquanto, vamos voltando nossas atenções para o Japão, onde o Inter disputa, na quarta-feira, a final da Copa Suruga Bank, contra o Oita Trinita. Conquistar essa competição significa garantir o quarto ano consecutivo em que o colorado conquista títulos internacionais. E sempre é bom lembrar: o último time brasileiro a ganhar título internacional, exceto o Inter, foi o São Paulo, lá em 2005. Faz tempo...

domingo, 2 de agosto de 2009

Meios de comunicação

O advento da gripe suína, toda essa mobilização da imprensa, o exercício de promoção do pânico público feito diariamente pelos telejornais, trazem à tona novamente as discussões e reflexões acerca dos meios de comunicação.

É indubitável que, hoje em dia, as fontes de informação se proliferaram, graças à internet. Entretanto, essa ferramenta, tão aberta, tão democrática, configura, simultaneamente, e talvez graças à sua própria abertura, uma imensa confusão, a mistura, a hibridização do confiável e do não confiável, de coisas lógicas com teorias conspiratórias absurdas e ridículas. Com isso, sobram, em última análise, as mesmas e velhas fontes de informação, uma vez que os portais informativos, sérios e independentes atingem um público bastante limitado, recortado.

As mesmas e velhas fontes de informação são mais do que conhecidas. São as mesmas que, por exemplo, tiveram amplo acordo e conchavo com as ditaduras no Brasil, e que hoje se travestem de defensoras da democracia. Não só no Brasil, mas no mundo, o monopólio, ou oligopólio da informação tornam a mesma um ente vulnerável e extremamente manipulável.

As grandes corporações da informação mundial possuem interesses bastante semelhantes. São empresas privadas, ora pois pois, e por isso mesmo, terão caminhos políticos parecidos, orientações que vão mais ou menos para o mesmo lado. Acima de tudo, enquanto empresas privadas, elas objetivam o lucro, acima de qualquer outra coisa, e utilizando todos os dispositivos que estejam ao seu alcance.

Dessa maneira, só é informação aquilo que essas empresas acham conveniente que seja informação. Simples assim. E mais: há formas e formas de se dizer a mesmíssima coisa. A opinião escondida nas entrelinhas sempre dará uma ou outra tonalidade àquilo que é dito. Não precisamos ir muito longe para verificar como isso funciona: basta olhar um dia de horário político. Ali, a situação mostra o local como maravilhoso, em constante progresso. Já a oposição mostra o mesmíssimo lugar como um horror, apresenta índices negativos que são de seu interesse, faz duras críticas. Alguém está, necessariamente, mentindo? Não! Os mesmos fatos, as mesmas circunstâncias, podem ser vistos de uma ou outra maneira, dependendo do ângulo, dependendo do prisma, dependendo da ontologia de quem vê.

E com a imprensa não é diferente. Ela dá o ângulo que é de seu interesse sobre os fatos. E se quiser, esconde, eficazmente, fatos tão ou mais gritantes que aqueles apresentados. Notícia só é notícia quando os grandes meios de comunicação assim acham conveniente. A imprensa, definitivamente, não é neutra. Eu mesmo, aqui, escrevendo o DC, não sou neutro. Eu tenho uma opinião, uma visão de mundo, que sempre estarão, inevitavelmente, às vezes inconscientemente, presentes na forma como escrevo sobre os diversos assuntos.

Acreditem: é assim que funciona. Isso significa se fechar para as informações, deixar de saber as coisas, mesmo que pela ótica visivelmente interessada deste ou daquele veículo? Claro que não. A chave, por assim dizer, é tentar enxergar o que está por trás desta ou daquela notícia. Vislumbrar a ótica, o ângulo, o enfoque, tentar imaginar quais os interesses que podem estar subliminarmente colocados quando se diz isso ou aquilo, sobre este ou aquele outro assunto. Só assim podemos nos libertar um pouco de algumas correntes, ver o mundo e suas informações com um mínimo de independência. É um exercício difícil. Mas necessário.

sábado, 1 de agosto de 2009

Palavrões

Leio no Globo.com que uma revista distribuída para escolas na Bahia causou grande furor. Tudo teria acontecido graças ao erro de uma funcionária da Secretaria de Educação que retirou uma historinha do Chico Bento de um site. O problema é que o diálogo teria sido alterado, incluindo ali um "foda-se". Pelo menos foi o que consegui ler, já que o Governo baiano colocou um carimbo em cima, e o site da Globo, pudico que é (exceto pelas fotos de mulheres famosas em ensaios seminus ou pelos flagras de celebridades com os seios de fora), não explicitou qual teria sido a palavra.

Sinceramente, acho esse pavor a palavrões uma imensa frescura. Uma hipocrisia abismal. O palavrão é apenas a sintetização de uma imagem, mental ou não, em algum tipo de expressão que possa ser comumente utilizada. O palavrão está por todos os lados.

O palavrão está no futebol (ou vão colocar tarjas pretas na boca dos jogadores quando eles chamam o juiz de filho da puta, ou quando mandam um sonoro "vai tomar no cu" quando um companheiro não toca a bola?), está na boca dos pais (a menos que sejam pais de propaganda de margarina ou de provedor de internet), está na tv nos domingos à tarde ou de dias de semana mesmo, com apresentações do É o Tchan, ou de piadas grotescas e sem graça do Zorra Total, ou ainda na "banheira com chantilly" de uma Luciana Gimenez da vida. O palavrão está, ora pois, na boca das próprias crianças!

Claro que há escalas de palavrão e momentos para a utilização dos mesmos. Mas esse timing a experiência acaba dando para cada um. É o tipo de coisa que a gente vai adequando, com a maturidade, aos ambientes que frequentamos. É um aprendizado quase que "natural", por assim dizer.

Outra coisa: preocupar-se com o falar palavrões deveria ser a menor das preocupações em relação às nossas crianças. Mais importante é fazer com que elas não sejam OS PRÓPRIOS palavrões, como por exemplo, grande parte dos digníssimos (sic) senadores. Existem pessoas de enorme caráter que falam palavrões a torto e a direito. Do lado oposto, temos gloriosos filhos da puta (engravatados, geralmente) que não falam um sequer. Devem assistir a jogos de seus times chamando o juiz de "filho de moça de boa vida". Fico até imaginado eles xingando o perna de pau do time, furiosos: "ah, vai inserir um objeto fálico no orifício anal!"

Fato é que, enquanto filhos da puta continuarem fodendo com a vida do povo, os palavrões continuarão, sim ou sim, disseminados por aí, falados, escritos ou em pensamento. E mais na moda do que nunca.