segunda-feira, 27 de julho de 2009

Uma manhã fria

São 6 horas de uma manhã fria. O despertador toca. Estou debaixo de dois edredons e um cobertor. Mas o invólucro de qualquer tecido que seja possui menos efeito do que o invólucro do frio. Cabeça coberta e a maior das vontades de não fazer rigorosamente nada. Fico ali, pensando, tentado um último e derradeiro descanso, torcendo para que, talvez, lá fora, o mundo tenha acabado, e que eu pudesse estender um pouco mais o meu sono.

Mas eis que uma força interior me faz levantar. Tenho que levantar. E assim o faço. Levanto, dirijo-me ao banheiro, observo-me um pouco, como sempre, e escovo os dentes. A água é gélida, a escovação dos dentes e o ato de lavar o rosto tornam-se torturas quase que indescritíveis. Ligo o som e coloco um rock. O som é meu companheiro de todas as manhãs.

Arrasto-me de um lado ao outro, primeiro para fazer a barba. Fazer a barba com temperaturas próximas do zero é terrível. As mulheres reclamam em vão da dor do parto. Dor esporádica e quase que opcional. Nós, homens, e nossas barbas, sofremos os males da lâmina no frio compulsoriamente. É uma tortura da qual não podemos escapar, e cujos efeitos não podemos ludibriar. A água gelada, o barbeador pra lá e pra cá, raspando a pele convictamente, sem dó, sem piedade qualquer.

A barba feita, busco entre as pilhas, a roupa do dia, a toalha, tudo em slow motion. Tomo o banho morno-frio, os dentes quase chegam a bater na saída do banheiro aquecido pelo vapor d'água. Faço os retoques pós-banho, ajeito o cabelo, observo-me mais um pouco em frente ao espelho, e saio de casa. Na rua, o vento cortante lambe meu rosto e meu pescoço, como se fosse um segundo barbear, uma Gillette malvada grudando em minha pele, castigando-a inapelavelmente. E o dia começa. Mais um dia de julho. Mais um dia frio.

Nenhum comentário: