quarta-feira, 1 de julho de 2009

O texto que eu quero escrever amanhã

É campeão! Grite, vibre, chore, torcedor colorado! O nosso time é Bicampeão da Copa do Brasil! Que vitória! Que espetáculo! Que maravilha! Como é bom ser colorado! O Inter socou três no Corinthians. Com amor. Com ódio. Com paixão. Com raiva. Com um Beira-Rio delirante na noite de uma quarta-feira de julho. Mas não foi fácil. O time precisou se doar muito, do primeiro ao último minuto. Foi dramático toda vida. Mas ao fim e ao cabo, tivemos o prazer orgásmico de ver Guiñazu levantando a taça.

Assim que a partida começou, um Gigante enlouquecido gritava até os recôncavos da intensidade da voz de cada colorado ali presente. A 3 minutos de jogo, Kléber chega na linha de fundo e cruza. A bola bate na perna de Alessandro e vai a escanteio. D'alessandro cruzou no primeiro pau, Danny Morais se adiantou aos defensores, e deu um testaço que entrou alto, definitivo, no ângulo direito de Felipe. O Beira-Rio fervilha. O Gigante de concreto incendeia de vez. E o "vamo, vamo Inter" ecoa pelo Brasil. O Inter está convicto. Forte. Grande. Imponente. E o Corinthians de São Paulo parece atordoado. Sim, aquele gol colorado no início desestruturou o time do Parque São Jorge. O time colorado continuava a pressionar. Combinações, jogadas de velocidade de Taison e Nilmar, D'alessandro envolvendo os volantes adversários. Era questão de tempo. E eis que, aos 30 minutos, D'alessandro, em tabela com Nilmar na entrada da área, chuta forte, seco, no canto direito de Felipe. A bola quase mordisca a trave e entra. São 2 a 0 no placar e 50.000 almas clamando aos céus e agradecendo o milagre. Mais um daqueles milagres que essa torcida se acostumou a presenciar nos últimos anos. Era quase uma reedição daquele Inter e Paraná. Como se estivesse escrito nas estrelas, como se fosse o roteiro de uma obra cinmatográfica. A pressão colorada arrefeceu um pouco. Talvez tenha sido estratégico. No segundo tempo, o rolo compressor viria para esmagar de vez.

Na volta do intervalo, os jogadores corintianos fecharam uma rodinha no meio do campo. Pareciam mobilizados. Pareciam decididos a reverter aquilo que o destino lhes havia traçado: a coadjuvância de mais uma epopeia colorada. A segunda etapa começou, e o Inter continuou amassando. Por mais que tentasse escapulir em contragolpes, o time do Corinthians não conseguia. O sistema defensivo colorado marcava de forma adiantada, abafava toda e qualquer vã tentativa alvinegra. A torcida colorada também, com sua energia inesgotável, atucanava um perplexo time paulistano. O gol não saía. Um certo receio tomava conta de um agora tenso Beira-Rio. Pênaltis? E se sai, por algum acidente, por alguma aberração da natureza, um gol do Corinthians de São Paulo? Mas aqueles onze guerreiros de vermelho e branco dentro do campo pareciam não estar nem aí pra nada. Seguiam, inabaláveis, em suas tentativas de colocar a bola na caixinha corintiana. Então, a genialidade de D'alessandro, aos 30 do segundo tempo, novamente prevaleceu. Um passe em diagonal, curto, milimétrico, no único espaço que havia entre os zagueiros do time adversário, deixou Nilmar frente a frente com Felipe. Frio, o atacante deu um toquezinho por cima do goleiro. A bola, safada, sem vergonha, danadinha, ainda bateu na trave e entrou mansinha, calminha, sabendo exatamente seu destino, a finalidade para a qual ela entrou determinada na inesquecível noite colorada. 3 a 0.

O Corinthians tentou uma pressão final, meio desesperada. Cruzava bolas na área. A zaga do Inter se virava, Lauro dava socos na bola, Índio, Glaydson, Bolívar, enchiam a tadinha de bicudas. Logo ela, que tão carinhosa e eficiente havia sido em sua missão. Mas a bola tinha consciência. Ela sabia que estava ali, apanhando, levando pontapés por uma boa causa. Por uma causa que a faria rainha por toda a eternidade em fotos, lembranças e choros de uma torcida apaixonada. Porque outrora uma parente sua não fora tocada por um certo goleiro corintiano em uma tarde ensolarada no Pacaembu, fato que gerou a maior injustiça da qual se tem notícias no futebol tupiniquim. Era, definitivamente, aquela bola branquinha, uma justiceira, uma vingadora disposta a tudo, até mesmo a tomar uns bicos, pela causa maior de uma justiça esquecida pelos tribunais, e que somente ela poderia resgatar.

No apito final do árbitro, o Gigante explodiu da mais genuína emoção. Alguns jogadores do time paulista reclamavam de não-sei-o-quê com o juiz. Talvez dos 3 minutos de acréscimo. Troféu Renê Simões pra eles. Inocentes, ingênuos, não sabiam que, mesmo que o juiz desse 5 dias de acréscimos, não adiantaria nada. Estava escrito nas estrelas. O Inter teria de ser o campeão. Uma espécie de punição ao futebol feito por homens de gravata, em mesas de madeira, sem bola, sem gramado, sem chuteiras. O Inter é campeão da Copa do Brasil. As contas estão acertadas. Zero a zero, bola ao centro.

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