sábado, 4 de julho de 2009

Laranja

Ontem tive a oportunidade de assistir, pela primeira vez inteirinho, na sequência, bonitinho, o filme "Laranja Mecânica", de Stanley Kubrick. Trata-se de uma obra cinematográfica absolutamente estupenda. Parece ser um filme, se não atemporal, pelo menos muito atual. Qualquer um que admire o bom cinema tem a obrigação de ver a trama de Alex e seus drugues.
Justificar
A começar pela trilha sonora, ao mesmo tempo tensa e deliciosa, o filme se desenrola envolvendo o espectador com cenas de ultra-violência e covardia intensas e revoltantes. Por ultra-violência, leia-se aqui algo mais psicológico do que visual. Não há maiores sanguinolências no filme. Pelo menos não quando o parâmetro for "O Albergue" e outros do gênero. As covardias tanto se acumulam que, inevitavelmente, passamos a torcer para Alex se ferrar. E muito.

Depois de 2 anos preso, o protagonista passa pelo então revolucionário Tratamento Ludovico, que prometia eliminar o instinto criminoso. Tal tratamento consistia em gerar associações de cenas de violência com um intenso mal-estar físico provocado por um soro experimental aplicado no paciente/cobaia antes de cada "bateria de cenas". A partir daí, Alex perde toda a sua capacidade de fazer escolhas. Por mais que fosse impelido a agir com violência, não mais conseguia, graças à associação violência-mal-estar físico.

De volta às ruas, muita gente passou a cobrar dívidas passadas. Alex se ferrou. E muito. Sem conseguir reagir a nada. Tal é a reviravolta do filme, de agressor covarde a vítima absolutamnte indefesa, que torna-se praticamente inevitável o sentimento de certa piedade pelo protagonista. Ali já não está mais o fdp de outrora. Está uma pessoa que não possui mais escolhas nem defesas. Uma pessoa condicionada a um bem meio forçado, é bem verdade. Mas acima de tudo, ali está um ser humano exposto e passivo a todas as violências que anteriormente tinha praticado.

Deixo minha mais alta recomendação para que, quem ainda não assistiu, assista a este filme. É simplesmente sensacional. Cheio de nuances psicológicas internas e externas. O espectador interage diretamente com o jogo psíquico proposto por Kubrick. "Laranja Mecânica" é mais do que um entretenimento de duas horas e pouco. É uma experiência inesquecível.

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