sábado, 11 de julho de 2009

Herói

Eu era um pré-adolescente qualquer, de cerca de 10 anos de idade, voltando de ônibus de sei-lá-onde com a minha mãe. Naquele ônibus, um moleque levava nas mãos uma revista, com um desenho que começava a ser febre em meados da década de 90. Me chamou a atenção. Pedi pra minha mãe verificar o preço daquela revista na banca. E ela me comprou a revista. Chamava-se "Herói".

A partir daquela edição, aquela revistinha de R$ 1,95 fez parte de um ou dois anos da minha vida. Até hoje tenho a coleção completa, do número 1 ao 55. A minha mãe trabalhava buscando revistas nas distribuidoras para a dona Eva, então dona da banquinha da esquina. Como elas tinham bom relacionamento, toda a semana dona Eva me regalava o número mais atual da Herói.

Era uma revista bem legal. Tinha como grande carro-chefe os Cavaleiros do Zodíaco. Ao final da série de tv, a revista continuou por mais uns dois ou três anos, sem ter, no entanto, nem um terço do fôlego de outrora, e acabou sendo extinta (pelo menos, nunca mais a vi em lugar nenhum). Havia outras revistas paralelas, no embalo da Herói. Me recordo da Japan Fury, que tinha uma linguagem bem mais voltada para o público mangá/anime, e da Heróis do Futuro, uma espécie de Herói engomadinha. Era bem bonita, com ótimo papel e acabamento. Mas era extremamente superficial, distante, fria. E trazia uns "recorte e faça" dos santuários dos cavaleiros. Certa feita, me aventurei a tentar fazer aquela porra. Ficou um lixo, toda molenga. Nas fotos da contracapa até parecia de verdade! É, as aparências enganam.

O fato é que os Cavaleiros do Zodíaco criaram um mercado todo próprio à sua época. E com o final da era Cavaleiros, este mercado, se não se extinguiu, pelo menos enfraqueceu deveras. Os Cavaleiros tinham uma força como série, um carisma tão extraordinário, que coloca qualquer desses desenhos insossos de hoje em dia no chinelo. Mesmo aqueles que foram contemporâneos seus, como Dragon Ball, Samurai Warriors e Shurato, juntos, não tinham nem metade de sua potência.

Os Cavaleiros do Zodíaco marcaram uma época, com suas revistas e seus bonecos de 45 reais com os quais não se podia brincar, sob pena de desmanchar toda a sua armadura (o meu primeiro, Scylla, foi comprado graças a uma rifa que fiz de um minigame da Copa de 94, que, diga-se de passagem, ninguém ganhou). Aliás, só hoje compreendo que aqueles bonecos não eram para crianças. Não eram bonecos de brincar. Eram peças de colecionador. Daquelas que você monta numa tarde monótona, admira por meia hora, desmonta e guarda na caixa.

O seriado protagonizado por Seiya, Ikki e seus companheiros foi um divisor de águas. Pelo menos na tv brasileira, o enfoque sobre as produções japonesas saiu completamente dos live action e se transportou para os desenhos. Nada que se compare, é bem verdade, pois os desenhos subsequentes, salvo raras exceções, não tiveram o mesmo apelo nem de Cavaleiros, nem dos Super-Sentai (live actions de heróis "coletivos", tipo Changeman e Flashman) e Tokusatsu (heróis individuais, e em sua maioria, metálicos, como Jaspion e Jiban). Mas o fato é que Naruto, Yu Yu Hakusho, Pokémon e outros tantos são herdeiros diretos da trama de Masami Kurumada.

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