sexta-feira, 31 de julho de 2009

14 afirmações sobre a gripe suína e adjacências

1. A taxa de mortalidade da gripe normal é de cerca de 0,1%.

2. A taxa de mortalidade da gripe suína é de cerca de 0,004%.

3. O número de casos e de mortes da gripe suína são atualizados diariamente pela imprensa.

4. O número de casos e de mortes da gripe normal não são atualizados diariamente pela imprensa.

5. O número de casos da gripe suína vai aumentar a cada dia. Por uma simples questão de lógica matemática.

6. O número de mortes pela gripe suína também vai aumentar a cada dia. Também por uma simples questão de lógica matemática, vejam só!

7. Abrir a janela do coletivo com temperaturas próximas de zero grau não vai resolver nada.

8. Olhar para uma pessoa que espirra como se ela estivesse com lepra, também não.

9. A vitória do Palmeiras sobre o Corinthians pode ser anulada pelo STJD. Motivo: o porco poderia ter jogado infectado, deixando os atletas do time do Parque São Jorge temerosos.

10. Luiz Zveiter rapidamente se manifestou sobre o caso: "Não só este, mas todos os jogos que o Corinthians perdeu no Campeonato Brasileiro desse ano devem ser anulados. Meu cunhado me ligou afirmando que há grandes possibilidades de que pelo menos um atleta de cada adversário tenha ingerido carne de porco ou seus derivados durante os últimos 12 meses. Logo, essas partidas estavam contaminadas."

11. Quando questionado sobre o fato de o consumo de carne suína não transmitir a doença, o mesmo afirmou categoricamente: "Todos estes jogos que o Corinthians perdeu estão contaminados e sob suspeita. Portanto, todos deveriam ser jogados novamente."

12. Branca de Neve e seis anões que vivem com ela estão internados com suspeita de gripe suína. Especula-se que o contágio teria ocorrido pelo contato com Atchim, outro morador da casa.

13. Os três porquinhos e Babe, o porquinho atrapalhado, aparecem como suspeitos, e estão sob investigação por terem supostamente iniciado a proliferação da nova gripe de forma intencional. Babe está foragido.

14. Alguém deve estar ganhando, e muito, como todo esse alarde sobre a gripe suína.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

No sufoco

O que fica de principal do jogo de ontem contra o Barueri, é que o Inter ganhou. Marcou mais três pontos na tabela. Fez o que tinha de ser feito. O time colorado se dedicou, se entregou verdadeiramente ao jogo, e arrancou, no sufoco, a vitória contra o muito bom time paulista.

O jogo começou com o Inter em ritmo alucinante. O primeiro gol veio em jogada de linha de Justificarfundo (sim, elas ainda existem no Beira-Rio!) de Andrezinho, que Alecsandro concluiu certeiro, de cabeça, como bom centroavante. O segundo gol veio em cobrança magnífica de falta por parte de Andrezinho, no cantinho, no único espaço em que poderia tirar a bola da barreira e do goleiro. Eram 2 a 0 no placar. Eram os enigmáticos 2 a 0 no placar...

Então, entrou em campo o medo, a preocupação, quando quase no fim da primeira etapa, o Barueri descontou depois de falha de Michel Alves. No segundo tempo, o Inter manteve seu ímpeto. O time paulista nada conseguia criar. E o time colorado perdeu ótima chance com Giuliano, que ontem jogou muito bem, mas continua com o incômodo hábito de perder gols absurdos. Eis então que, já quase no finzinho do jogo, o Barueri cobra uma falta, Michel Alves novamente falha (agora de forma bem mais grave) e André Luis, aos trancos e barrancos faz o gol do empate.

Era o inferno astral do time do Inter de volta. Será que dessa vez demitiriam Tite? Sairíamos, finalmente, do G4? Mais pontos ganhos seriam inacreditavelmente jogados pelo ralo, em pleno Gigante? Daí, lá pelos quarenta e picos, o árbitro marca falta para o Inter. Exatamente na mesma posição em que Andrezinho marcou o histórico gol contra o Flamengo. Algo no ambiente dizia que dos pés do iluminado meia sairia coisa boa naquela cobrança. E lá foi ela. A redonda viajou solenemente do pé direito de Andrezinho até chocar-se, num movimento perfeito, com a divisa da trave esquerda e do travessão de Renê. Não era o gol. Mas ela, a pelota, a gorduchinha, jogou-se ao pé direito de Sorondo, gigante Sorondo, que empurrou-a para a rede. É gol. É vitória. É fim da inhaca.

Nesse tipo de jogo, e na situação em que o Inter se encontrava, não interessa muito jogar bem ou ter brilhaturas de cinema. Importa a vitória. Importam os três pontos. E o Inter os conseguiu. Merecem destaque no time colorado o zagueiro Sorondo, de grande atuação, sempre impondo respeito na defesa; o lateral Kléber que, talvez pela sua não convocação, foi um jogador vivo, alerta, e que inclusive apoiou bastante pelo flanco esquerdo; Giuliano, que fez talvez sua melhor partida com a camisa vermelha, com ampla movimentação; Andrezinho, o melhor do jogo, participando dos três gols colorados; e Alecsandro, que mais uma vez deixou sua marca, e prova que realmente é um camisa 9 de carteirinha.

Por fim, quero deixar, em nome da nação colorada, o imenso pesar pelo falecimento do pai do técnico Tite, Genor Bachi, que estava internado há quase um mês em Caxias do Sul, devido a problemas renais. Força, Tite!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Reação

Hoje à noite veremos a reação do elenco colorado após a sacudida de Fernando Carvalho. Espera-se uma nova atitude do time, com muito mais disposição, interesse e concentração durante os 90 minutos.

O ambiente para se verificar a situação é o melhor, pelas condições positivas e negativas impostas pelo jogo. De positivo, o fato de jogar em casa (e nem me venham falar em pressão: jogar em casa é e sempre será melhor que jogar fora). De dificuldade, o adversário, o bom time do Barueri, que vem surpreendendo a todos no Campeonato Brasileiro, aparecendo em boa posição na tabela, apesar de ser um time novato no certame.

Esses dois elementos sugerem a dificuldade na medida certa. Não estamos pegando um adversário fortíssimo fora de casa, o que, em caso de derrota, e adotado o jogo como parâmetro, poderia significar fazer terra arrasada. Mas também não estamos enfrentado uma galinha morta, o que poderia gerar uma euforia descabida e enganosa em caso de vitória. O Barueri vem provando ao longo da competição que é um time extrememamente perigoso, e dessa forma, respeitável.

Assim, teremos hoje à noite o jogo ideal, o nível de dificuldade certo, nem muito ao céu, nem muito ao inferno, para analisarmos se realmente as medidas internas tomadas pela direção surtirão suficiente efeito para que o Inter se ajuste novamente como time, jogando com segurança, toque de bola, segurança defensiva e eficiência ofensiva.

É óbvio que não podemos esperar uma partida magnífica nem do ponto de vista tático, nem do ponto de vista técnico. Não é da noite para o dia que o Inter se tornará novamente um supertime temido, como era no primeiro semestre. Mas as mudanças no sentido anímico já devem aparecer hoje, sim. O time colorado pode jogar mal, errar passes, perder gols, ter um ou outro problema de posicionamento defensivo. Mas não pode deixar de correr, de marcar, de lutar em cada dividida, em cada palmo do campo. São essas as grandes novidades esperadas para o jogo desta noite.

terça-feira, 28 de julho de 2009

O afastamento de D'ale

Começou a sacudida prometida por Fernando Carvalho junto ao vestiário colorado. O afastamento de D'alessandro surge como uma espécie de punição exemplar para os demais medalhões do time. É, sem dúvida nenhuma, uma atitude forte. Talvez no lado psiquíco, tal atitude repercuta positivamente no elenco. Avisados pelo caso do colega, os outros atletas verão que, se não "arrastarem a bunda no chão", podem também chegar a essa situação inegavelmente constrangedora.

D'alessandro é o maior expoente técnico do time colorado. É um craque de bola. Um jogador de talento inquestionável. A maior grife do Inter. Talvez por ser tudo isso é que a direção escolheu ele como primeira "vítima" da varredura no vestiário. Se um cara como ele foi afastado, os outros jogadores sabem que podem, sim, serem os próximos.

Em relação ao time, os efeitos tendem a ser positivos. Esse puxão de orelha no companheiro deve servir como agente de uma mudança na postura de um time que parece preguiçoso, displiscente e desinteressado nos jogos. O Inter faz, dessa forma, uma ampla reflexão interna, fundamental para a retomada do rumo colorado no Campeonato Brasileiro.

Já no que tange a D'ale, a situação é mais complicada. Por se tratar de um jogador de personalidade extremamente forte, as coisas vão se encaminhar ou para um pólo, ou para outro: ou o meia argentino degringola de vez, ou ele volta com todo o gás, jogando toda a bola que sabemos que ele é capaz de jogar. Torço, e muito, para que a segunda opção seja confirmada na prática. D'alessandro é um grande jogador, e a sua qualidade agregaria muito mais potência ao motor colorado no Brasileirão. O Inter terá que ajudar o atleta a se recuperar, pelo bem do próprio Inter. Mas D'alessandro também terá que se ajudar. Tomar consciência de que não estava fazendo aquilo que dele é de se esperar. Se dedicar nos treinamentos, se reciclar, e voltar revigorado física, técnica e mentalmente. Ele pode. Ele sabe que pode.

Que D'ale se recupere logo, pois então. Pela sua carreira. Pela torcida colorada. Para que todos sejam felizes para sempre.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Uma manhã fria

São 6 horas de uma manhã fria. O despertador toca. Estou debaixo de dois edredons e um cobertor. Mas o invólucro de qualquer tecido que seja possui menos efeito do que o invólucro do frio. Cabeça coberta e a maior das vontades de não fazer rigorosamente nada. Fico ali, pensando, tentado um último e derradeiro descanso, torcendo para que, talvez, lá fora, o mundo tenha acabado, e que eu pudesse estender um pouco mais o meu sono.

Mas eis que uma força interior me faz levantar. Tenho que levantar. E assim o faço. Levanto, dirijo-me ao banheiro, observo-me um pouco, como sempre, e escovo os dentes. A água é gélida, a escovação dos dentes e o ato de lavar o rosto tornam-se torturas quase que indescritíveis. Ligo o som e coloco um rock. O som é meu companheiro de todas as manhãs.

Arrasto-me de um lado ao outro, primeiro para fazer a barba. Fazer a barba com temperaturas próximas do zero é terrível. As mulheres reclamam em vão da dor do parto. Dor esporádica e quase que opcional. Nós, homens, e nossas barbas, sofremos os males da lâmina no frio compulsoriamente. É uma tortura da qual não podemos escapar, e cujos efeitos não podemos ludibriar. A água gelada, o barbeador pra lá e pra cá, raspando a pele convictamente, sem dó, sem piedade qualquer.

A barba feita, busco entre as pilhas, a roupa do dia, a toalha, tudo em slow motion. Tomo o banho morno-frio, os dentes quase chegam a bater na saída do banheiro aquecido pelo vapor d'água. Faço os retoques pós-banho, ajeito o cabelo, observo-me mais um pouco em frente ao espelho, e saio de casa. Na rua, o vento cortante lambe meu rosto e meu pescoço, como se fosse um segundo barbear, uma Gillette malvada grudando em minha pele, castigando-a inapelavelmente. E o dia começa. Mais um dia de julho. Mais um dia frio.

domingo, 26 de julho de 2009

A sacudida

O Inter vive uma fase depressiva. Não há como negar que nos últimos tempos, desde a derrota para o Coritiba no Couto Pereira, pela Copa do Brasil, o time colorado vem decaindo, perdendo títulos e pontos no certame nacional.

Há quem possa profundamente lamentar a saída de Nilmar, e a partir dela, decretar uma espécie de apocalipse colorado. Não é nada disso. Nilmar foi muito bem vendido. E a reposição de alto nível virá. Píffero e Carvalho são dois campeões do mundo. E sabem que a defecção do "golden boy colorado" deve ser suprida. Há informações de que inclusive já existem negociações em andamento. Há questões anteriores e mais profundas a serem analisadas.

Então, o que está acontecendo?

Tite perdeu a mão do time colorado. Está visivelmente perdido. Sua demissão agora, vistas as alternativas existentes no mercado, não resolveria absolutamente nada. O cavalo passou encilhado, e a direção não montou. Luxa e Muricy estão empregados. Nelsinhos, Mancinis, dentre outros, não me parecem mais treinadores do que Tite. Temos, então, um dado: Tite é o técnico do Inter. O segundo dado: o grupo de jogadores é esse. Virá apenas o substituto de Nilmar que, por ser um substituto, nada acrescentará a um panorama que já vinha preocupante desde muito antes da concretização da venda do atacante.

Com grupo e treinador praticamente definidos, e com a crise instaurada no ambiente colorado, a direção tem que tomar as rédeas da situação. E vai fazê-lo. Vitório Píffero e Fernando Carvalho mudaram radicalmente o tom das entrevistas ao final do jogo de ontem. Mudou-se das justificativas vazias e das tentativas de acomodação para um discurso indignado, de que há, sim, algo errado no Inter. O vice de futebol prometeu uma sacudida.

Esta sacudida primeiramente deverá ocorrer junto ao elenco. Os jogadores ganham muito bem para jogar no time colorado, e são cotados como a nata do futebol brasileiro. Possuem uma estrutura invejável para trabalhar. Eles tem a obrigação de comer a grama. De se entregar ao máximo. De adotar uma postura correta e profissional não só dentro de campo, mas também fora dele. Quem não o fizer, que não jogue, ora pois pois.

Do treinador, deve-se exigir que tire desse grupo tudo o que este possa produzir. É inaceitável a falta absoluta de mecânica de jogo desse time, da distribuição equivocada do meio de campo, de uma zaga indolente que não conta com a ajuda de laterais que não atacam, nem tampouco fecham a marcação. Tite tem que transformar o amontoado de jogadores perdidos que é o atual Inter num time organizado, posicionado corretamente, com uma defesa atenta, com boa marcação do meio, passagem dos laterais e movimentação ofensiva.

Não podemos nos desesperar. O primeiro passo para a virada de expectativas foi dado ontem, nos microfones. A direção está inconformada. Píffero e, principalmente Carvalho, chegam a estar irritadiços. O Inter saiu de sua desesperadora inércia para uma mudança de atitude, que tem de sair das entrevistas para chegar à prática cotidiana do clube, com cobranças fortes que tirem dos profissionais do Beira-Rio o máximo que eles possam produzir. Se o Inter, desde sua direção, passando pela comissão técnica e pelos atletas, produzir tudo o que pode, tenham certeza, seremos campeões brasileiros. Bendita seja, pois então, a indignação colorada.

Agora, o negócio é esperar. E orar.

sábado, 25 de julho de 2009

O pós-Nilmar

Hoje o Inter inicia um novo momento em sua trajetória. Já não teremos mais Nilmar em campo. Primeiramente, deve ser ressaltada a necessidade de se contratar alguém que possa suprir a saída do atacante. O atual elenco do Inter não tem reposição à altura. Eis a atribuição da diretoria colorada.

Ao técnico Tite cabe mudar a forma de ocolorado atuar. Balão pra frente já não mais resolverá. Com Alecsandro no ataque, as jogadas de flanco serão vitais para o time. A retomada do envolvente toque de bola que o Inter possuía até o fim de maio também ajudaria bastante, a posse agressiva da redonda é fundamental.

A característica do ataque colorado muda bastante com Taison e Alecsandro. O primeiro é irregular, não se sabe ao certo o que esperar dele. O segundo é o chamado "9 de carteirinha". Exigir dele a mesma movimentação e velocidade de Nilmar é como exigir que Reinaldo Gianechini seja tão bom ator quanto Al Pacino. A ausência de Nilmar durante partidas decisivas de Copa do Brasil e Recopa só comprovam o quão desastrosa pode ser a estratégia de tratar Alecsandro como se este fosse Nilmar.

Na parte que cabe à direção resolver, acredito. O Inter trará, sim, a reposição qualificada para Nilmar. A incógnita fica por parte do Tite. Com todo o desgaste do seu trabalho, o treinador conseguirá transformar a imensa maçaroca que é o time colorado em algo competitivo, com jogadas pelos flancos, com toque de bola, com agressividade? Não sei.

Algumas dessas questões começarão a ser respondidas hoje no final da tarde. É jogo não só para se impor, mas para ganhar bem. O Botafogo é um time fraquíssimo. Um dos principais candidatos ao rebaixamento. Não há desculpas plausíveis para que a empreitada colorada no Engenhão não seja bem sucedida.

Ganhando, direção e Tite ganham um pouquinho de fôlego para fazer os reparos necessários para a reestruturação deste arremedo de time que é o atual Inter. Empatando, a pressão continua forte. Perdendo... Bom, aí não quero nem ver...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A venda de Nilmar

Era absolutamente esperada e previsível a venda de Nilmar para o futebol europeu. Trata-se de algo inelutável: uma hora, iria acontecer. Uma hora, teria de acontecer. Assim, aconteceu.

É óbvio que o momento para isso é de turbulência do time, o que torna a notícia mais incômoda. Perder Nilmar traz imensos prejuízos, que só poderão ser dirimidos com a contratação de um jogador de alto nível para o seu lugar. Ficar nas mãos de Taison, não dá. Alecsandro, embora em boa fase, está longe de ser unanimidade, e Bolaños é tão somente uma aposta.

Apesar dos últimos erros de avaliação cometidos pela direção, tenho convicção de que o Inter trará um atacante de ponta para tampar o desfalque de Nilmar. Esta vem sendo a política dos últimos anos. E talvez seja exatamente este o segredo do sucesso colorado nas últimas temporadas.

Com todas as dificuldades financeiras e disparidade econômica com os clubes europeus e até do Oriente Médio, não há como segurar os grandes jogadores. Tudo o que pode ser feito é tornar essas perdas o menos traumáticas possível. E isso se faz somente com uma estratégia: reposição qualificada.

E o Inter fará. Tenham certeza.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Imaginação fértil

Sou um homem de imaginação fértil. Ou um paranóico mesmo. Podem escolher a nomenclatura que julgarem mais adequada. Mas, realmente, as construções mentais por mim realizadas ganham o peculiar aspecto da paranoia. Talvez as duas coisas se confundam. Talvez não.

As pessoas tendem a ver o paranóico, ou aquele dotado com imaginação fértil, como um doido varrido, um sujeito que simplesmente imagina, do nada, coisas que inexistem. Não percebem que essa paranoia, essa loucura, é muito mais complexa do que possam pensar. O paranóico é um gênio às avessas. É o dono de uma criatividade indesejável, um tanto danosa.

As imaginações férteis de um paranóico nada possuem de absurdas. Elas são construídas por uma série de encaixes. Menos óbvios. Mas, nem por isso, menos perfeitos que os encaixes normais. São, isso sim, absolutamente factíveis quando vistos isoladamente. O que os torna malucos é o seu conjunto. O todo é um espetacular ridículo e viajante.

Entretanto, tão bem um pensamento paranóico é constituído, a partir de tantos e tantos enclaves consistentes, tão perfeitamente transmutáveis em realidade, que o pensador passa a crê-lo, como ninguém talvez possa entender. A grande e incompreensível fantasia de um absurdo pensado nada mais é do que o encadeamento de micro potenciais verdades, uma levando a outra verdade potencial, cada vez mais distanciada fisica e logicamente da "realidade real", mas a ela conectada por uma série de elos criados pelo sujeito.

O paranóico é um ser imaginativo e bem fundamentado, cheio de razões interiores. Nada é imaginado por imaginar. Eu, como bom paranóico que sou, vivo antevendo coisas, criando minhas próprias proteções contra um devir que apenas eu sou capaz de visualizar. Cá estou novamente, criando armaduras e escudos contra todos os malefícios que se insurgem, de dentro de mim para a realidade, estranha e distorcida realidade.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A derrota no Gre-Nal

A derrota colorada no Gre-Nal foi justa. O Inter fez um primeiro tempo razoável, em que não soube sustentar a vantagem conquistada. E fez um segundo tempo constrangedor, em que não criou nada. É triste, mas o Brasileirão vai se passando melancolicamente para o Inter. O time colorado embola com os concorrentes, que, a passos largos, tendem a atropelá-lo e derrubá-lo na tabela.

Já passou da hora de se mandar Tite para o Departamento de Recursos Humanos. Seu trabalho afundou de maneira que parece irreversível. Píffero e Carvalho, budisticamente, meditam, esperam, esperam, esperam... Fernando Carvalho reluta contra o orgulho próprio, por ter sido ele o homem que indicou Adenor Bachi para o Internacional. Ele não se dá conta de que acertou, mas que o trabalho de Tite chegou a um desgaste inelutável. Com Tite, o Inter não será Campeão Brasileiro.

A omissão da diretoria colorada é desalentadora. Não se vê um pingo de indignação com a situação. É inaceitável um elenco com a qualidade do elenco colorado render um futebol tão diminuto, como vem ocorrendo há pelo menos um mês e meio, e nenhuma mudança ocorrer. O time colorado parece uma massa indefinida em campo. Os laterais não atacam e tampouco defendem. Índio está jogando somente no nome. O meio campo é uma bagunça tão grande que até o Cholo Guiñazu está afundando junto. Nilmar é o oásis de inspiração do time, correndo e debatendo-se contra 759 zagueiros adversários, pois Taison é uma nulidade que se esconde quando o bicho faz cara feia.

O time colorado perdeu o sangue, a raça, a alma. Os adversários ganham gols pela bola aérea com a facilidade que uma mãe com criança de colo ganha um lugar de uma caridosa alma no ônibus lotado. O meio de campo corre desorganizada e desesperadamente atrás da bola como um bando de gurias jogando futebol na aula de educação física no primeiro grau. O ataque conta com balões e um ou outro brilhareco dos meias colorados.

Tite não confere um mínimo de organicidade que seja ao time do Inter. Fomos, pelo segundo ano consecutivo, solenemente enganados pelo Gauchão. E estamos patinando, os dirigentes aguardando alguma providência divina. Mas a fila anda, a tabela corre, os outros times somam seus pontos. O Inter dorme no esplêndido berço do G4. Até quando? Daqui a quantas rodadas sairemos de lá? São as perguntas que ficam. São as perguntas que muito em breve serão respondidas para uma direção inerte e anestesiada pela ilusão do futebol de um time que só existiu no Gauchão e nas fases mumuzinho da Copa do Brasil.

Só há uma certeza: sem uma ação forte agora, afundaremos. Perderemos o título. E vaga na Libertadores, SOMENTE vaga na Libertadores, NÃO ME SERVE. Quero a taça. Qualquer coisa menor que a taça é frustração.

domingo, 19 de julho de 2009

100 anos de Gre-Nal

Hoje Inter e Grêmio entram em campo para um duelo histórico. O Gre-Nal desta tarde marca os 100 anos do clássico. É um centenário de grandes emoções, desde os 10 a 0 de um time profissional experiente sobre um time ainda iniciante, que tinha correndo nas veias a pura e simples vontade de superar grandes desafios, até os dias de hoje, de larga vantagem do lado vermelho do Rio Grande.

Gre-Nal me traz lembranças melancólicas e felizes. Vi uma Sele-Inter sucumbir perante o talento de um Ronaldinho. Vi algumas equipes lamentáveis do Inter sofrerem derrotas doloridas. Vi um Gaciba, que por sinal hoje apita, validar um gol-voleibol de Ronaldo de Assis Moreira e no mesmo ano expulsar Fabiano sem nenhuma razão minimamente plausível, graças a uma certa "franga véia", assim definida pelo atacante colorado.

Mas também presenciei grandes momentos. O inesquecível 5 a 2 em pleno Olímpico, um dos maiores passeios da história do clássico. O título gaúcho de 1997, sofrido, quase raivoso, em meio a uma era de hegemonia tricolor. A era Fernandão, o gol 1000, as sequências de vitórias, os triunfos ao natural da segunda metade da década de 2000, e a goleada de 4 a 1, ainda fresca em nossas memórias. Muitas e muitas alegrias me foram proporcionadas pelo Gre-Nal.

Hoje, mais uma página desse evento cultural do Rio Grande do Sul será escrita, a partir das 16 horas, no Estádio Olímpico. O Inter busca os três pontos para tentar a liderança, contando com a combinação de um tropeço do Atlético Mineiro. O Grêmio lutará para se manter em boa posição na busca pela vaga na Copa Sul-Americana 2010. Não tenhamos dúvidas: o Gre-Nal Centenário promete muitas faíscas.

sábado, 18 de julho de 2009

Alice

Chamo-me Éverton. Sou um homem comum, com uma vida comum, com uma casa comum. Com horas, minutos e segundos comuns. Tudo seria tão mais comum não fossem dois, três dias, talvez um mês, talvez menos, em que estive ao lado de uma mulher chamada Alice. Agora lembro-me dela, ouço em algum lugar, dentro ou fora de mim, a bela "Elephunt Gun", que tanto me recorda aquela mulher e nossos momentos.

Alice, rápida e marcante como um furacão misterioso e devastador, mudou toda a estrutura da minha existência. Todinha. Divido-me em antes e depois de Alice. Ela e seu país das maravilhas me fizeram provar o melhor e o pior, o mais doce e o mais amargo que o paladar de uma vida humana pode provar.

Alice, de certa forma, desaparecera. Efeito tal qual ao de um anestésico paliativo, disfarçador de uma espécie de cancro emocional que somente faz crescer e agravar-se. Desaparecimento exercido pela força de uma natureza desconhecida. Pela força do orgulho próprio. Talvez ela brinque e faça graça de tudo o que passei e de tudo o que senti. Certa feita, no desespero de reacender uma chama que jamais havia sido acesa, disse para Alice que ela era a ausência que mais presente se fazia. O vácuo mais doloroso. O devir que nunca veio, mas já foi, e talvez jamais deveria ter sido.

Alice, com "a", com "b", com "c", com "n", com qualquer diferença que seja, existe. Somente em mim. Somente em um mundo paralelo, absurdo e alucinógeno do qual tento fugir dia após dia, minuto após minuto. Mantenho-me em meu vão esconderijo, em meu inútil fechamento, em uma mentirosa frieza. Alice é o pesadelo com mais jeito de sonho. E o sonho com mais jeito de pesadelo. Alice é um comprimido que me leva a outras dimensões, de sorrisos misturados com as mais angustiantes lágrimas. Alice é meu país doce e sombrio.

Alice matou um pedaço de mim, que apodrece, apodrece, e não posso amputar. Alice, em algum tempo, em algum espaço, ri e escarnece de mim. Brinca, brinca, brinca, e finge que nada sabe. Alice é o sonho de outubro, o pesadelo de novembro, e a redenção e esperança inútil de um pós-natal dezembrino.

Alice está me matando. De novo. E parece se deleitar com isso.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Yeda

Lamentável a reação imposta por Yeda Crusius, via Brigada Militar, contra professores, militantes e populares que protestavam em frente à sua casa. Foi mais um triste episódio de um governo desastroso.
Foi desrespeitado o princípio da liberdade de expressão e do direito de manifestação. A reação autoritária da polícia não é coisa que se possa aceitar num Estado democrático de direito. Pode-se discutir se o método de manifestação, em uma rua residencial, foi o mais apropriado (eu, particularmente, não vejo problema nenhum, pois a manifestação era diurna). Mas jamais se poderá deslegitimar o protesto dos professores.
Tem gente que tenta tirar das costas do governo do PSDB a responsabilidade pelo caos instaurado no Rio Grande do Sul, principalmente na educação. Realmente é verdade em parte, uma vez que historicamente os professores deste estado vem sofrendo com um lamentável e constrangedor descaso dos governos que se sucedem.
Entretanto, a crise no estado vai muito além da pontual questão da educação. Esta é apenas a cereja do bolo indigesto de um governo desastroso, truculento, atabalhoado, envolvido até o pescoço por um turbilhão de denúncias de corrupção e malversação de recursos públicos.
O governo de Yeda vem adotando, desde o início de seu mandato, a prática de destruição da máquina pública, de arrocho salarial e de desrespeito com os servidores públicos. Também, não seria de se esperar algo diferente da parte de um governo sustentado por uma elite gananciosa e privatista. Destrua-se e desligitime-se o Estado, ora pois!
O povo que elegeu o atual governo tem que rever alguns conceitos. Cada vez mais, é necessário fugir das amarras do discurso fácil e vazio de um horário eleitoral gratuito, para buscar informações sobre os partidos que sustentam este ou aquele candidato, em que programa se baseiam, quais grupos e interesses defendem, quais as suas práticas em diferentes esferas governamentais, e qual o passado de seus principais componentes. Esta é uma faceta da democracia que poucos até agora desvendaram.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Estudiantes campeão

Foi merecidíssima a vitória do Estudiantes sobre o Cruzeiro, no Mineirão. O time argentino mostrou muita personalidade, não se intimidou em momento algum, e em alguns períodos do jogo, inclusive deixou o Cruzeiro acuado. Jogou muita bola o time de La Plata, e por isso é um campeão mais do que legítimo, sobre o muito bom time mineiro.

Mas o merecimento do Estudiantes vai muito além das quatro linhas, do mero jogo de bola. Depois da final da Sul-Americana do ano passado, em que o Inter foi campeão sobre este mesmíssimo time, adquiri uma simpatia e um respeito muito grande por esse clube. Lembro-me, primeiramente, do sofrimento dos torcedores do Estudiantes ao perder aquele campeonato, quando estes assistiam ao jogo em telões e restaurantes espalhados pela Argentina. Ali estava a mais pura tristeza, daquelas realmente capazes de comover mesmo a quem, como no meu caso, torcia pelo adversário, feliz e triunfante. Ali eu também me via. Ali, eu via a torcida do Inter há pouco tempo atrás. A torcida de um clube muito grande que há muito tempo não conquista um grande título. No caso do time de La Plata, desde 1970 não era conquistado um título internacional. Me identifiquei com o Estudiantes. E muito. Mas não parou por aí.

O site do Estudiantes, na matéria sobre o jogo, descreveu um gol mal anulado da equipe argentina, o que era uma verdade. Motivo para chororô? Motivo para sair sapateando que nem umas bichas desvairadas, como seria de praxe de alguns clubes por aí? Não senhor. O site do time argentino, ao final, colocou que, mesmo com aquele benefício (teve também um pênalti pro Inter não marcado que não foi citado, mas tudo bem), o Inter mereceu e honrou o título de Campeão da Copa Sul-Americana. Achei aquela postura de uma nobreza que eu poucas vezes tinha visto na vida. Naquele momento, pensei: taí um clube que merece uma grande alegria em breve.

Hoje, o Estudiantes comemora um brilhante tetracampeonato da Libertadores. Um grande clube, vencedor, e merecedor da glória do dia de hoje. Saudações coloradas aos irmãos argentinos do Estudiantes.

Ah, só mais uma perguntinha pra deixar no ar: qual o único clube brasileiro que conquistou campeonatos internacionais de 2006 pra cá? Hein?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Aniversário

Hoje completo mais um ano de existência. Confesso, gosto de aniversariar. Tem gente que tem pavor de fazer aniversário. Não é o meu caso. Me sinto bem a cada 15 de julho. É um ano a mais, a revisão de tudo que se passou, dos erros, dos acertos, dos balanços. Acima de tudo, é uma espécie de passe livre pra meter o pé na jaca.

Mas com certeza eu não seria nada do que sou se não fosse pelas pessoas que fazem parte da minha vida. Tenho pais maravilhosos, batalhadores, pessoas que sempre deram o máximo por mim. Tenho amigos extraordinários, pessoas de fé, para os melhores e piores momentos. Tenho padrinhos que sempre me deram a orientação exata do que fazer e iluminaram algumas das minhas mais importantes decisões. Tenho aquelas pessoas que moram na mesma quadra, e que, por isso mesmo, tem a infelicidade de viverem tomando nós táticos no futebolzinho do videogame... E aqueles que tomam aquela ceva gelada, parceiros, tios, comparsas, drugues, chamem como quiserem.

Se alguma coisa boa eu sou hoje, devo ao contexto maravilhoso e às pessoas que me circundam cotidianamente, àquelas que já se foram, geográficamente, dimensionalmente, ou simplesmente pelo efeito perverso de um tempo que empoeira muito, mas nada destrói, aquelas que são, enfim, a minha construção, cada uma um tijolo da minha existência de cerca de 12.614.400 minutos. A cada um que tenha participado positivamente de um desses minutos que seja, devo um pouco de mim.

Se tudo pudesse ser diferente, se eu pudesse nascer novamente em qualquer tempo, lugar ou circunstância, tenham certeza: escolheria o mesmo dia, o mesmo mês, o mesmo ano, o mesmo lugar, a mesma mãe e o mesmo pai. A mesmíssima vida. As mesmíssimas pessoas. O dia de hoje só me serve para agradecer a todas as pessoas especiais que fizeram ou fazem parte da existência feliz deste humilde escrivinhador. Muito obrigado por tudo. Amo vocês.

terça-feira, 14 de julho de 2009

A palhaçada do STJD

O STJD protagonizou, ontem, mais uma palhaçada histórica, suspendendo D'alessandro por 60 dias. Uma punição por D'ale ter corrido atrás de um jogador do Corinthians. É a primeira vez que vejo punirem um jogador por ele correr. Joguemos pebolim, então, que lá os jogadores ficam parados no espeto. E o mesmo tribunal bonzão está prestes a fazer mais uma palhaçada, pedindo revisão da pena de Bolívar, que fora absolvido anteriormente por jogada perigosa contra o Cruzeiro.

Algumas perguntas ficam. Onde estavam os senhores moralistas engravatados do tribunal quando Dentinho agrediu Rafael Moura e levou três jogos, com direito a efeito suspensivo? Onde está o STJD para punir Ronaldo Viúvo depois que este incitou a torcida colorada à violência, mostrando o dedo médio para a arquibancada?

Tudo que parte deste tribunal está estranhamente conspirando contra os interesses do Inter. Seria uma leviandade afirmar que está tudo armado para prejudicar o colorado. Por isso, não vou cometer o despautério de afirmar que está tudo armado contra o Inter. Mas, que este excesso de rigor em relação ao time do povo tem um cheirinho estranho, meio "doismilecinqueano", ah, tem.

Esperemos os próximos números deste circo lamentável.

domingo, 12 de julho de 2009

A hora de mudar

Está na hora do Inter mudar. Não há como sustentar o atual panorama. O time colorado não consegue mais nada quando entra em campo, e perdeu ontem mais uma partida, agora para o fraco time do Atlético Paranaense, num jogo que era pra ganhar.

Tite fez um trabalho muito bom no Inter, conquistando um título continental e fazendo um muito bom primeiro semestre em 2009. Mas chegou ao seu limite. Com Adenor Bachi na casamata o colorado não conseguirá mais nada.

O Inter quer ser campeão brasileiro? Se quer, tem que criar o fato novo. Muricy e Luxemburgo estão desempregados. Qualquer um dos dois pode fazer do time colorado campeão brasileiro. Tite não pode. Não no contexto atual. Seu trabalho esgotou. Seu discurso chegou à exaustão. Seu tempo, ora pois, passou.

Não sei o que os dirigentes estão pensando. Mas não é possível que eles vejam perspectivas no trabalho do treinador colorado. Esperam o quê? Esperam o Inter cair pra quinto, sexto, sétimo no Brasileirão? Esperam Luxemburgo e Muricy ficarem empregados, pra de repente trazerem um grande nome, tipo Osvaldo de Oliveira, Cláudio Duarte ou Levir Culpi? Não sei. Só sei que estou vendo uma direção inerte assistindo à derrocada colorada em pleno centenário.

sábado, 11 de julho de 2009

Herói

Eu era um pré-adolescente qualquer, de cerca de 10 anos de idade, voltando de ônibus de sei-lá-onde com a minha mãe. Naquele ônibus, um moleque levava nas mãos uma revista, com um desenho que começava a ser febre em meados da década de 90. Me chamou a atenção. Pedi pra minha mãe verificar o preço daquela revista na banca. E ela me comprou a revista. Chamava-se "Herói".

A partir daquela edição, aquela revistinha de R$ 1,95 fez parte de um ou dois anos da minha vida. Até hoje tenho a coleção completa, do número 1 ao 55. A minha mãe trabalhava buscando revistas nas distribuidoras para a dona Eva, então dona da banquinha da esquina. Como elas tinham bom relacionamento, toda a semana dona Eva me regalava o número mais atual da Herói.

Era uma revista bem legal. Tinha como grande carro-chefe os Cavaleiros do Zodíaco. Ao final da série de tv, a revista continuou por mais uns dois ou três anos, sem ter, no entanto, nem um terço do fôlego de outrora, e acabou sendo extinta (pelo menos, nunca mais a vi em lugar nenhum). Havia outras revistas paralelas, no embalo da Herói. Me recordo da Japan Fury, que tinha uma linguagem bem mais voltada para o público mangá/anime, e da Heróis do Futuro, uma espécie de Herói engomadinha. Era bem bonita, com ótimo papel e acabamento. Mas era extremamente superficial, distante, fria. E trazia uns "recorte e faça" dos santuários dos cavaleiros. Certa feita, me aventurei a tentar fazer aquela porra. Ficou um lixo, toda molenga. Nas fotos da contracapa até parecia de verdade! É, as aparências enganam.

O fato é que os Cavaleiros do Zodíaco criaram um mercado todo próprio à sua época. E com o final da era Cavaleiros, este mercado, se não se extinguiu, pelo menos enfraqueceu deveras. Os Cavaleiros tinham uma força como série, um carisma tão extraordinário, que coloca qualquer desses desenhos insossos de hoje em dia no chinelo. Mesmo aqueles que foram contemporâneos seus, como Dragon Ball, Samurai Warriors e Shurato, juntos, não tinham nem metade de sua potência.

Os Cavaleiros do Zodíaco marcaram uma época, com suas revistas e seus bonecos de 45 reais com os quais não se podia brincar, sob pena de desmanchar toda a sua armadura (o meu primeiro, Scylla, foi comprado graças a uma rifa que fiz de um minigame da Copa de 94, que, diga-se de passagem, ninguém ganhou). Aliás, só hoje compreendo que aqueles bonecos não eram para crianças. Não eram bonecos de brincar. Eram peças de colecionador. Daquelas que você monta numa tarde monótona, admira por meia hora, desmonta e guarda na caixa.

O seriado protagonizado por Seiya, Ikki e seus companheiros foi um divisor de águas. Pelo menos na tv brasileira, o enfoque sobre as produções japonesas saiu completamente dos live action e se transportou para os desenhos. Nada que se compare, é bem verdade, pois os desenhos subsequentes, salvo raras exceções, não tiveram o mesmo apelo nem de Cavaleiros, nem dos Super-Sentai (live actions de heróis "coletivos", tipo Changeman e Flashman) e Tokusatsu (heróis individuais, e em sua maioria, metálicos, como Jaspion e Jiban). Mas o fato é que Naruto, Yu Yu Hakusho, Pokémon e outros tantos são herdeiros diretos da trama de Masami Kurumada.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O pesadelo de Quito

A final da Recopa foi um pesadelo colorado. Perdemos o título de forma constrangedora para a LDU. 3 a 0 fora o baile. Essa é a verdade.

O jogo de ontem foi o maior fiasco do Inter contemporâneo. Uma verdadeira vergonha. E o problema não é somente ter jogado um futebol horroroso. O Inter foi ridículo. Um time molengo, sem raça, sem vontade, sem fibra, sem nada. O colorado foi um nada absoluto. Perdeu a segunda final em 8 dias.

Ninguém se salvou. NINGUÉM. Lauro não comprometeu, mas também não fez os milagres costumeiros. Danilo é ridículo. Não joga nada. Esse sim comprometeu. De novo. Índio está mal. Danny consegue ser pior do que Álvaro. A bola aérea na defesa do Inter é um horror. Urge a entrada de Sorondo. Kléber está proibido por Tite de fazer o que mais sabe: apoiar. Glaydson foi insosso. Magrão esteve apático. Guiñazu (até tu Brutus) jogou muito pouco. D'ale fez sua pior partida desde que chegou ao Inter. Taison só se fardou. Nilmar tentou uma jogada ou outra, mas também não foi efetivo. E os jogadores que entraram, com a vaca já atolada no brejo, pouco ou nada acrescentaram.

Estou triste hoje, evidentemente. Sinto um profundo desgosto e desalento. Isso que se viu em campo no Equador não é o Inter. Não pode ser o Inter. Um time sem alma. Um time deprimido. Um time deprimente. Que estes jogadores que protagonizaram o fiasco em Quito tenham vergonha na cara e agora busquem mais do que nunca o Brasileirão, a Sul-Americana, e, se der, a Suruga Bank. Que a direção tome as providências que tenha que tomar AGORA. É o mínimo que se pode fazer. Antes que o outrora promissor e brilhante centenário colorado vire um ano de ostracismo e tristeza.

Buscando mais uma taça

Na noite de hoje, o Inter entra em campo em Quito para buscar mais uma taça para a sua coleção. A Recopa Sul-Americana estará em jogo contra a LDU. Depois da derrota na primeira partida, o Inter se vê obrigado a vencer a equipe equatoriana para buscar o bicampeonato.
Uma certeza eu tenho: é possível ganhar. É lógico que a partida será dificílima. O colorado, além da boa equipe de LDU, enfrentará os efeitos da altitude. Mesmo com tudo isso, dá pra ganhar. Há cerca de 7 anos atrás, o Inter enfrentava a seleção do Equador em partida que marcava a despedida da referida seleção do solo de seu país antes da Copa do Mundo de 2002. O time colorado estava em crise. Um dos principais destaques daquele time, Fernando Baiano, amargava a reserva, sob o comando do contestadíssimo treinador Ivo Wortmann. E não é que o Inter superou o Equador por 2 a 1, carimbando a passagem dos equatorianos para o Mundial? Os gols colorados foram de Cássio, de falta, em um chute forte, e de Diogo Rincón, marcando um belo gol por cobertura depois de saída estabanada do goleiro Cevallos.
Aquele Inter, então perdedor, contestado, venceu a seleção equatoriana, com altitude e tudo. É impossível pensar, então, que o Inter de hoje, vencedor, respeitado, recheado de grandes jogadores, possa vencer a LDU fora de casa? Claro que não! É absolutamente plausível uma vitória colorada hoje. É possível. E é um título que vai servir para exorcizar de vez os fantasmas da Copa do Brasil, tirando o gosto ruim de nossa boca tal qual uma balinha de caramelo depois da degustação de um prato de rúcula sem sal nem vinagre. Que venha logo a noite. E com ela, mais uma consagração continental do Campeão de Tudo. Amém.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Faz bem!

Estudos de um instituto de pesquisa espanhol afirmam: é recomendável para atletas beber cerca de 600 ml de cerveja por dia. Isso só comprova o que todos os cervejistas de plantão já afirmavam: tomar uma cervejinha é uma maravilha, Alberto! Eu já sabia! E olha que nem sou atleta...

Agora podemos beber a nossa loirinha gelada com a consciência de estarmos fazendo um bem ao nosso corpo. Que beleza! É bem verdade que o referido estudo também diz que não se deve ultrapassar o limite da moderação. Bem, nessa hora... Foda-se! Hehehe.

A verdade é que não há nada como uma boa cerveja, ou um chopp bem caprichado. As outras bebidas podem ser ou mais elegantes ou mais avassaladoras. Mas a cerveja é do povão, é aquela que realmente serve pra relaxar, rir, brincar e se divertir.

Cachaça, vinho, absinto, tudo tem o seu valor. Cada um serve para determinadas especificidades. A cachaça pra meter o pé na jaca. O vinho para aquele friozinho, um encontro íntimo a dois. O absinto pra meter o pé na jaca em grande estilo. E por aí vai. Mas, me perdoem todos estes itens. Ainda sou mais a brejola. Não tem tempo ruim para a nossa querida ceva. Ela é quase uma bebida universal. Serve pra reuniões de amigos, pra assistir aquele jogo de futebol, pra beber com a namorada num final de tarde ensolarado. Até pra velório vai bem.

Por essas e outras, que a recomendação positiva à cerveja é, quiçá, uma grande notícia para a humanidade. Ela sim, revolucionará as nossas vidas. Tecnologia, robótica, globalização? Que nada! Isso tudo é acessório para a santa birita. Ave, Polar! Ave, Skol! Ave, Brahma! Ave, Antárctica! Ave, Colônia! Ave, Bohemia! Ave, Schin! Ave, Norteña! Ave, Heineken! Ave, todas as cervejas desse mundo!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Limites

A vida é cheia de limites. Limites de tempo. Limites de recursos. Limites de capacidade. Limites físicos e mentais. Os limites são aquilo que de certa forma escultura a nossa vida. São a nossa moldura.

Elementar que não podemos viver folgados em relação a tudo o que nos limita, ao redor e em nós mesmos. Talvez o grande segredo seja estarmos sempre perto de nossos limites em tudo o que fazemos, sem, no entanto, tocá-los.

Quando chegamos perto de nossos limites, quando ultrapassamos momentos em que fomos desafiados, é inevitável sentir um certo alívio. Fugaz alívio, é bem verdade. Somos constantemente instigados, chamados a defrontarmos nossos limites.

Claro que desafio em cima de desafio é um tanto cansativo. Precisamos de um refresco. Em dosagem moderada, bem moderada, é bom sermos desafiados. É bom conhecermos um pouco melhor aquilo que somos e aquilo que não somos capazes de realizar. É algo que confere algumas tonalidades interessantes à vida. Somos guerreiros, ora pois, lutando dia a dia contra nossos limites.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Liderança isolada

A vitória de ontem sobre o Náutico devolveu ao Inter a liderança isolada do Campeonato Brasileiro. O colorado segue fazendo grande campanha na competição, considerando principalmente o fato de ter jogado várias partidas com time reserva.

O Inter não teve maiores dificuldades para vencer o timbu. Não fez uma partida primorosa. Mesmo assim, depois de uma pressão inicial da equipe pernambucana, dominou o jogo. Perdeu pênalti com D'alessandro, que não esteve bem, e continuou mandando na partida. Com as entradas de Andrezinho e Alecsandro na segunda etapa, o colorado cresceu ainda mais no jogo. Foi mais objetivo. Nilmar pode se soltar um pouco mais, centralizando Alecsandro e fazendo mais a do Taison, que novamente jogou muito mal. O atacante da seleção fez os dois gols da vitória do Inter no Recife.

Vencer é bom. Liderar o Brasileirão é melhor ainda. A equipe colorada fez o que tinha que fazer: ganhar. Enfrentou um adversário limitado e foi superior, da maneira que tinha que ser. Valeu, e muito, a vitória.

Agora, o Inter volta suas atenções para a finalíssima da Recopa. Encontra-se obrigado a vencer a LDU na altitude para conquistar a taça. É possível, sim. Obviamente que a partida no Equador reservará imensas dificuldades, não nos iludamos. Mas o time colorado tem bola pra ganhar da LDU. Ainda mais quando se trata de disputar um título continental. O Inter vai comer a grama em Quito, tenho certeza.

Acredito que é jogo para ser resolvido ainda no primeiro tempo. Porque no segundo, o cansaço e a falta de ar serão inevitáveis. Em suma: o primeiro tempo é o tempo da qualidade, da categoria, do futebol incisivo; o segundo tempo é o tempo da superação, de onze Guiñazus lutando em campo para manter uma boa vantagem. Esse é o desenho de jogo para o meio da semana. A Recopa será decidida no primeiro tempo dessa partida, para um ou para outro time. Escrevam o que estou dizendo.

domingo, 5 de julho de 2009

Erguer a cabeça

Futebol não dá tempo para lamber feridas. Não tem atestado nem licença. Por isso mesmo, o Inter tem que se voltar completamente para a partida desta tarde-noite contra o Náutico, nos Aflitos. É importante erguer a cabeça rapidamente e buscar estes três pontos.

Esse é o jogo que, para quem quer ser campeão, tem que ser ganho. O Náutico é uma equipe extremamente limitada. Tem a sua força jogando nos Aflitos. Mas, definitivamente, é partida para levar os três pontos. O Inter, na Copa do Brasil, tocou três lá sem maiores dificuldades. O Vitória ontem perdeu. Mas o Atlético hoje enfrenta o lanterna Botafogo. Por isso, a vitória é fundamental. Temos que nos manter disputando a competição palmo a palmo.

O único temor que eu tenho para a partida de hoje é o estado psicológico dos jogadores colorados. É humano abater-se um pouco depois da final de quarta-feira. O desgaste foi imenso. Não só físico, mas também nos aspectos psicológico e emocional. Entretanto, a Copa do Brasil e seus fantasmas devem ser exorcizados da cabeça dos atletas. O foco agora é o Brasileirão. E, neste certame, estamos muito bem, obrigado. Pra cima deles, colorado!

sábado, 4 de julho de 2009

Laranja

Ontem tive a oportunidade de assistir, pela primeira vez inteirinho, na sequência, bonitinho, o filme "Laranja Mecânica", de Stanley Kubrick. Trata-se de uma obra cinematográfica absolutamente estupenda. Parece ser um filme, se não atemporal, pelo menos muito atual. Qualquer um que admire o bom cinema tem a obrigação de ver a trama de Alex e seus drugues.
Justificar
A começar pela trilha sonora, ao mesmo tempo tensa e deliciosa, o filme se desenrola envolvendo o espectador com cenas de ultra-violência e covardia intensas e revoltantes. Por ultra-violência, leia-se aqui algo mais psicológico do que visual. Não há maiores sanguinolências no filme. Pelo menos não quando o parâmetro for "O Albergue" e outros do gênero. As covardias tanto se acumulam que, inevitavelmente, passamos a torcer para Alex se ferrar. E muito.

Depois de 2 anos preso, o protagonista passa pelo então revolucionário Tratamento Ludovico, que prometia eliminar o instinto criminoso. Tal tratamento consistia em gerar associações de cenas de violência com um intenso mal-estar físico provocado por um soro experimental aplicado no paciente/cobaia antes de cada "bateria de cenas". A partir daí, Alex perde toda a sua capacidade de fazer escolhas. Por mais que fosse impelido a agir com violência, não mais conseguia, graças à associação violência-mal-estar físico.

De volta às ruas, muita gente passou a cobrar dívidas passadas. Alex se ferrou. E muito. Sem conseguir reagir a nada. Tal é a reviravolta do filme, de agressor covarde a vítima absolutamnte indefesa, que torna-se praticamente inevitável o sentimento de certa piedade pelo protagonista. Ali já não está mais o fdp de outrora. Está uma pessoa que não possui mais escolhas nem defesas. Uma pessoa condicionada a um bem meio forçado, é bem verdade. Mas acima de tudo, ali está um ser humano exposto e passivo a todas as violências que anteriormente tinha praticado.

Deixo minha mais alta recomendação para que, quem ainda não assistiu, assista a este filme. É simplesmente sensacional. Cheio de nuances psicológicas internas e externas. O espectador interage diretamente com o jogo psíquico proposto por Kubrick. "Laranja Mecânica" é mais do que um entretenimento de duas horas e pouco. É uma experiência inesquecível.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Os anjinhos do Parque São Jorge

Ontem, ao final do jogo que sacramentou a eliminação gremista da Libertadores, o narrador/brinquedo assassino Luis Roberto proferiu, cheio de razão, algo como: o Grêmio foi eliminado, mas hoje se viu uma conduta desportiva. Como quem sugere que o Inter, na noite anterior, tivesse sido antidesportivo.
Todos sabemos que o Inter tocou numa ferida da Globo. Corinthians e Flamengo são as teteias da grade de programação futebolística da emissora. Por isso, os brados de Luis Roberto. Vai ver, atitude legal é uma torcida imitando macacos quando um jogador aquecia. Ah, mas o Cruzeiro não tem o poder midiático de um Coringão ou de um Mengão. Então, deixa pra lá.
Quanto ao jogo da quarta, realmente, o Inter foi incrivelmente antidesportivo. O Corinthians de São Paulo é um time de anjinhos, coitadinhos que foram maltratados pelos malvados jogadores colorados. Fair Play mesmo é o elef..., digo, centroavante Ronaldo mostrar o dedo médio para a torcida colorada. Seria muita apelação fazer qualquer piada contra o jogador de mais peso no futebol tupiniquim, a respeito de imaginar ele fazendo a festa com os travecos da Farrapos. Por isso, não vou, por mais que me provoquem, entrar nessa onda e sugerir que ele adoraria dar umas voltinhas em algum drivin com uns travecos bem pauzudos. Não mesmo. Eu não seria capaz dessa maldade.
Atitude desportiva deve ter sido a declaração do babaca do Felipe chamando o colorado de chororado, desrespeitando a instituição Internacional. Esse cara tem algum recalque, algo quase psicossexual, contra o Inter. Ele adora falar do colorado. Acho que ele se preocupa mais com o Inter do que com o time dele. Taí um goleirinho que eu jamais quero ver jogando no meu clube. Até mesmo porque ele tem uma urucubaca danada naquele corpo: todo time em que ele joga é rebaixado de divisão. E como o meu clube jamais frequentou o submundo do futebol, quero esse cara e sua pecha perdedora bem longes do Internacional.
Jogo limpo é o Cristian matando tempo no chão. Jogadorzinho medíocre. Mal-educado acima de tudo. Assim como o palhaço do André Santos, rindo debochadamente em sua saída de campo. Realmente, esse Corinthians é um exemplo de boa conduta dentro de campo (fora de campo, nem vou falar nada). São os anjinhos do Parque São Jorge.
Certo mesmo tá o D'ale. Tem horas em que um jogo de futebol é mais do que um jogo de futebol; há momentos em que se precisa mais do que jogadores em campo: precisa-se de homens, com brios, com dignidade, com orgulho próprio. D'alessandro defendeu o time dele. Defendeu a torcida dele, que estava sendo desrespeitada por um bando de imbecis que fardavam preto e branco. Na praça, surgem críticas moralistinhas ao D'ale. Inclusive de torcedores do Inter. Bom mesmo era o Alex, que sempre desaparecia na hora da pomada. Fique claro, tenho muita gratidão a ele, fez muito pelo Inter. Mas a verdade é que, quando chegavam os momentos de se ter e estrela, ele sucumbia. Não se tinha notícias de Alex em campo. Isso é fato.
Valorizem D'alessandro. Não cometam essa injustiça com alguém que simplesmente encarnou a paixão vermelha, que por ter sangue correndo nas veias não aceitou o imenso deboche corintiano que tinha virado o jogo no Gigante. Queiram D'alessandro, aplaudam D'alessandro. E quem não o fizer, que não venha nem se queixar quando se pegar tendo que esperar por grandes brilhaturas de Andrezinho ou Giuliano em um jogo decisivo de campeonato. Para alguns, bom mesmo sempre vai ser quem está fora. Lamentavelmente.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Caindo de pé

O Inter perdeu a Copa do Brasil. O time aquele, do tapetão, dos tribunais, foi campeão da competição nacional. Não houve muito o que fazer. O time colorado tomou um gol de cabeça de um anão. Depois, a coisa desandou, e o Inter tomou o segundo.

O segundo tempo, entretanto, foi exemplar. Não tecnicamente. O Inter não jogou uma boa partida. Mas o Inter mostrou que tem mais do que jogadores. O Inter tem homens que vestem a sua camisa. Buscou com muita dignidade o empate. Contra tudo. Contra todos. Contra um árbitro lamentável, que deixou de marcar um pênalti que até o Steve Wonder com os olhos vendados veria. Mas o homem do apito não viu. Nem ele, nem José Roberto Wright. A catimba do time paulistano foi algo fora do comum, contando com a benevolente acomodação do juiz.

D'alessandro, que por sinal não jogou bem, foi à loucura. O estádio foi à loucura. É impossível que o sangue não ferva. Confesso, vibrei muito com a atitude dos jogadores colorados. Exatamente porque foram colorados. Fizeram o que eu faria se estivesse no gramado do Beira-Rio. Lutaram, foram brigadores, como tinham que ser. Tiveram postura, acima de tudo.

O que fica, afinal, desta noite de quarta-feira? Fica que o mundo não acabou. É óbvio que cada colorado desejava o título. Mas o Gigante da Beira-Rio continua sendo gigante. O Inter continua sendo o Campeão de Tudo. D'alessandro continua sendo craque. Guiñazu continua sendo um extraordinário volante. Nilmar continua sendo um jogador diferenciado. Lauro continua sendo uma afirmação na meta colorada.

Atrevo-me a dizer que o Inter sai maior depois dessa disputa. Perdemos o título, sim. É da vida perder títulos. E o jogo de ontem era de dupla alnternativa entre o esperável e a epopeia. E epopeias não acontecem toda hora. O que importa é estar lá. Chegar às finais. Fazer papel principal em todas as competições. Quando o Inter parar de chegar nas finais, quando voltar a ser eliminado por Fortalezas e Remos da vida, aí sim, estarei preocupado. Acredito que estes obscuros tempos já tenham passado.

Estamos no centenário do clube. Fomos campeões gaúchos invictos fazendo 8 a 1 na final. Fomos finalistas da Copa do Brasil. Estamos em uma final em aberto de Recopa. Lideramos o Brasileirão junto com o galo. Temos uma Copa Sulamericana pra buscar o bicampeonato. E de lambuja temos uma Copa Suruga Bank a disputar no Japão contra o Oita Trinita. Há muita bola pra rolar até o final do ano. Há muitos sorrisos para compensar as lágrimas e a frustração dessa final.

O texto que eu quero escrever amanhã

É campeão! Grite, vibre, chore, torcedor colorado! O nosso time é Bicampeão da Copa do Brasil! Que vitória! Que espetáculo! Que maravilha! Como é bom ser colorado! O Inter socou três no Corinthians. Com amor. Com ódio. Com paixão. Com raiva. Com um Beira-Rio delirante na noite de uma quarta-feira de julho. Mas não foi fácil. O time precisou se doar muito, do primeiro ao último minuto. Foi dramático toda vida. Mas ao fim e ao cabo, tivemos o prazer orgásmico de ver Guiñazu levantando a taça.

Assim que a partida começou, um Gigante enlouquecido gritava até os recôncavos da intensidade da voz de cada colorado ali presente. A 3 minutos de jogo, Kléber chega na linha de fundo e cruza. A bola bate na perna de Alessandro e vai a escanteio. D'alessandro cruzou no primeiro pau, Danny Morais se adiantou aos defensores, e deu um testaço que entrou alto, definitivo, no ângulo direito de Felipe. O Beira-Rio fervilha. O Gigante de concreto incendeia de vez. E o "vamo, vamo Inter" ecoa pelo Brasil. O Inter está convicto. Forte. Grande. Imponente. E o Corinthians de São Paulo parece atordoado. Sim, aquele gol colorado no início desestruturou o time do Parque São Jorge. O time colorado continuava a pressionar. Combinações, jogadas de velocidade de Taison e Nilmar, D'alessandro envolvendo os volantes adversários. Era questão de tempo. E eis que, aos 30 minutos, D'alessandro, em tabela com Nilmar na entrada da área, chuta forte, seco, no canto direito de Felipe. A bola quase mordisca a trave e entra. São 2 a 0 no placar e 50.000 almas clamando aos céus e agradecendo o milagre. Mais um daqueles milagres que essa torcida se acostumou a presenciar nos últimos anos. Era quase uma reedição daquele Inter e Paraná. Como se estivesse escrito nas estrelas, como se fosse o roteiro de uma obra cinmatográfica. A pressão colorada arrefeceu um pouco. Talvez tenha sido estratégico. No segundo tempo, o rolo compressor viria para esmagar de vez.

Na volta do intervalo, os jogadores corintianos fecharam uma rodinha no meio do campo. Pareciam mobilizados. Pareciam decididos a reverter aquilo que o destino lhes havia traçado: a coadjuvância de mais uma epopeia colorada. A segunda etapa começou, e o Inter continuou amassando. Por mais que tentasse escapulir em contragolpes, o time do Corinthians não conseguia. O sistema defensivo colorado marcava de forma adiantada, abafava toda e qualquer vã tentativa alvinegra. A torcida colorada também, com sua energia inesgotável, atucanava um perplexo time paulistano. O gol não saía. Um certo receio tomava conta de um agora tenso Beira-Rio. Pênaltis? E se sai, por algum acidente, por alguma aberração da natureza, um gol do Corinthians de São Paulo? Mas aqueles onze guerreiros de vermelho e branco dentro do campo pareciam não estar nem aí pra nada. Seguiam, inabaláveis, em suas tentativas de colocar a bola na caixinha corintiana. Então, a genialidade de D'alessandro, aos 30 do segundo tempo, novamente prevaleceu. Um passe em diagonal, curto, milimétrico, no único espaço que havia entre os zagueiros do time adversário, deixou Nilmar frente a frente com Felipe. Frio, o atacante deu um toquezinho por cima do goleiro. A bola, safada, sem vergonha, danadinha, ainda bateu na trave e entrou mansinha, calminha, sabendo exatamente seu destino, a finalidade para a qual ela entrou determinada na inesquecível noite colorada. 3 a 0.

O Corinthians tentou uma pressão final, meio desesperada. Cruzava bolas na área. A zaga do Inter se virava, Lauro dava socos na bola, Índio, Glaydson, Bolívar, enchiam a tadinha de bicudas. Logo ela, que tão carinhosa e eficiente havia sido em sua missão. Mas a bola tinha consciência. Ela sabia que estava ali, apanhando, levando pontapés por uma boa causa. Por uma causa que a faria rainha por toda a eternidade em fotos, lembranças e choros de uma torcida apaixonada. Porque outrora uma parente sua não fora tocada por um certo goleiro corintiano em uma tarde ensolarada no Pacaembu, fato que gerou a maior injustiça da qual se tem notícias no futebol tupiniquim. Era, definitivamente, aquela bola branquinha, uma justiceira, uma vingadora disposta a tudo, até mesmo a tomar uns bicos, pela causa maior de uma justiça esquecida pelos tribunais, e que somente ela poderia resgatar.

No apito final do árbitro, o Gigante explodiu da mais genuína emoção. Alguns jogadores do time paulista reclamavam de não-sei-o-quê com o juiz. Talvez dos 3 minutos de acréscimo. Troféu Renê Simões pra eles. Inocentes, ingênuos, não sabiam que, mesmo que o juiz desse 5 dias de acréscimos, não adiantaria nada. Estava escrito nas estrelas. O Inter teria de ser o campeão. Uma espécie de punição ao futebol feito por homens de gravata, em mesas de madeira, sem bola, sem gramado, sem chuteiras. O Inter é campeão da Copa do Brasil. As contas estão acertadas. Zero a zero, bola ao centro.