quarta-feira, 24 de junho de 2009

Uma carta às divindades do esporte bretão (Ou trocando uma ideia com os deuses do futebol)

Caros Deuses do Futebol,

Foi a duras custas que consegui esta oportunidade de escrever-lhes. A burocracia divina exige muitos selos, pré e pós requisitos. Eu sei que vocês (sim, vou tomar a liberdade de remeter-me às divindades de forma mais informal, certo? Não é falta de respeito, compreendam-me, oh grandiosos seres) são donos, muitas vezes, de um senso de humor extraordinário. Vide, por exemplo, hoje a derrota da Espanha para os Estados Unidos. Mas devo conversar com vocês. Em alguns momentos, mesmo no futebol, é necessário colocar na balança aspectos muito sérios. Proponho, portanto, algumas reflexões. Depois, decidam o que deve acontecer. Mas a ordem de alguma coisa deve ser melhor vislumbrada. Sim, há muita coisa em jogo. Longe de mim querer ser maniqueísta. Mas em nome daquilo que acho justo e certo, venho trazer à luz alguns pontos que devem ser cuidadosamente pensados.

Primeiramente, vejam bem: o Grêmio enfrenta esta noite o Cruzeiro. Depois, decide vaga à final da Libertadores em Porto Alegre. O Grêmio tem se comportado muito mal, há muito tempo. A partir dos anos 80, e com a situação se agravando nos 90. Ao conquistar alguns títulos, o tricolor da Azenha tornou-se a encarnação clubística da arrogância e da empáfia. Desde então, julga-se superior a tudo e a todos. Acham-se maiores inclusive do que o próprio futebol. Mesmo as lições divinais dos anos 2000 não lhes ensinaram nada. Normal, partindo deste clube. O Inter conquistou o Mundo e conquistou tudo. Mesmo assim, os torcedores do tricolor da Azenha continuam se achando a última Trakinas do pacote.

É isso, Deuses do Futebol, que deve ser recompensado? O bom é ser arrogante, metido e antidesportivo? São essas as ideias que devem prevalecer no esporte mais popular do planeta? Pensem bem no que vão fazer. Pensem muito bem mesmo.

E tem ainda a decisão da Copa do Brasil. Nem vou falar de Recopa. Nela, não há questões de justiça ou moral envolvidas. Portanto, deixo a cargo de vocês verem o que é melhor para o futebol. Mas na final da Copa do Brasil, aí sim, há um forte apelo moral. Remetamo-nos, pois, ao não tão longínquo ano de 2005. Lá, o Inter disputava bravamente, e palmo a palmo, o título nacional com o Corinthians, então sustentato por um dinheiro pra lá de duvidoso. Era líder. Até que numa manhã de domingo, um sujeito do STJD, Luiz Zveiter, arbitrariamente, anulou DEZ partidas do certame, baseado num achismo até hoje mal esclarecido. Partida que o Inter tinha ganho. Partidas que o Corinthians não tinha ganho. E então, do nada, sem chute, sem cabeçada, sem drible, apenas com uma caneta, o time paulista tornou-se líder. E conquistou um campeonato que não teria conquistado se não fosse a tal manobra.

Então, Inter e Corinthians traçaram seus rumos. Grande parte da justiça foi feita. O Inter, outrora roubado, ganhou todos os títulos internacionais possíveis a um clube de futebol. E o Corinthians rumou à segundona, de onde, é verdade, saiu com um pé nas costas, sem batalhas, sem aflitos. Poder-se-ia pensar: tudo certo, zero a zero, bola ao centro. Mas não. O Inter sorriu muito. O Corinthians chorou outro tanto. Mas entre os dois, as coisas ainda não foram resolvidas. Quis o destino que os dois pivôs da polêmica de quatro anos atrás se reencontrassem numa final de competição nacional. O primeiro jogo já foi. O time do Parque São Jorge fez dois a zero e complicou a vida colorada. E agora?

Questiono vocês, magníficos deuses: é isso o que deve prevalecer? O bem do futebol é que um time manchado por manobras e controvérsias obscuras vença esse título? Vocês premiarão o jogo de bastidores, o futebol de terno e gravata em detrimento do futebol de camisas, calções, meias e chuteiras?

Pensem bem, pensem muito bem, Deuses do Futebol. Confio na sabedoria de vocês.

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