sábado, 13 de junho de 2009

Patrocínio igual? Pra quê?

Está sendo ventilado nessa semana que a dupla Gre-Nal irá renovar o contrato de patrocínio com o Banrisul por 7 milhões de reais por ano. Pra se ter uma ideia, o São Paulo fatura 18 milhões po ano, o Corinthians no ano passado arrecadava 16 milhões, e o Cruzeiro acaba de fechar acordo de 8 milhões por 6 meses de patrocínio do Banco Bonsucesso. Toda essa disparidade se verifica graças à covardia que se criou de que uma empresa tem que patrocinar os dois clubes ao mesmo tempo. É um absurdo o Inter receber o mesmo valor de patrocínio que o Grêmio. O time colorado está permanentemente exposto na mídia, chegando a finais nacionais e internacionais, conquistando títulos, enquanto o Grêmio não tem ganho nem campeonato de par ou ímpar.

Pra se ter uma ideia, na era Banrisul, o Inter conquistou 6 campeonatos gaúchos, 1 Copa Dubai, 1 Recopa Sul-Americana, 1 Copa Sul-Americana, 1 Taça Libertadores e 1 Mundial Interclubes, totalizando 11 títulos; o Grêmio, por sua vez, conquistou 2 campeonatos gaúchos e 1 Campeonato da Segunda Divisão, totalizando três títulos, três títulos bastante modestos, diga-se de passagem.

Além disso, o raciocínio dos potenciais patrocinadores que tem medo de fazer parceria com apenas um dos clubes é um tanto torto e pobre. Pois vejamos. Vamos supor uma marca de sabão em pó, certo? Ela divide a demanda de sabão em pó com a concorrência, entre consumidores gremistas e colorados. Quer patrocinar somente o Inter. Mas tem medo do boicote dos tricolores. Consideremos Inter e Grêmio como tendo cada um metade da torcida gaúcha. E os tricolores realmente boicotam. A empresa não conta mais com com o consumo dos gremistas, que não querem ajudar o Inter. Mas não seria de se supor que, da mesma maneira que os tricolores não querem apoiar o Inter, os colorados QUEIRAM apoiar o colorado? É simplesmente seguir uma lógica. Dois pesos e duas medidas não dá. Então, toda a demanda de colorados que anteriormente compravam sabão em pó da concorrência passará a consumir o sabão do patrocinador do Inter. E os níveis de consumo da marca manterão os 50% da população gaúcha. A diferença é que antes esses 50% eram divididos entre colorados e gremistas, assim como nas demais marcas. Agora esses 50% serão só de colorados, e os 50% da concorrência serão só de gremistas. Os lucros mantem-se iguaizinhos.

Sei, o raciocínio utilizado por mim é bastante simplista. Da mesma maneira que o raciocínio das empresas que receiam patrocinar apenas um dos clubes. O que não dá mais para aguentar é esse provincianismo e esse pensamento pequeno de que Inter e Grêmio são irmãozinhos gêmeos e que tem que receber presentes iguaizinhos pra ninguém ficar magoadinho. Tá na hora de cada um dos dois clubes se virar e buscar seus próprios caminhos. Tá na hora das empresas terem "saco roxo" e arrojarem. Se as fornecedoras de material esportivo diferentes até hoje não foram à falência por fabricarem as camisas de um ou outro dos clubes, porque o mesmo não pode se dar com os patrocinadores carro-chefe dos times? Os irmãos gêmeos cresceram, afinal.

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